SAÚDE MENTAL


Excesso de informação aumenta estresse, reduz criatividade e gera trabalhadores menos produtivos

Como lidar com o excesso de informação

O “excesso de informação” é uma das maiores irritações da vida moderna. São e-mails para serem respondidos, amigos virtuais para contatar, vídeos do YouTube para assistir, e, de volta ao mundo real, encontros para participar, papeis para organizar e maridos e esposas para apaziguar. Um estudo realizado pela Reuters mostrou que dois terços dos gestores acredita que o dilúvio de dados tornou seus trabalhos menos satisfatórios ou prejudicou suas relações pessoais. Um terço acredita que sua saúde foi prejudicada pelo excesso de informações. Outro estudo mostra que a maioria dos gestores acredita que a maior parte da informação que recebem é inútil.

Essas preocupações são exageradas. A tecnologia sempre foi recebida com reclamações: os vitorianos reclamavam que a chegada do telégrafo significou que “o homem de negócios do presente deve estar continuamente em estado de alerta”. E homens de negócios sempre tentaram lidar com pressão constante e interrupções. Em um clássico estudo do trabalho de administradores, em 1973, Henry Mintzberg comparou gestores a membros do circo: eles mantêm 50 bolas no ar e periodicamente verificam cada uma delas.

No entanto, existe um problema claro. Não é somente o atordoante aumento no volume da informação. É também a combinação da onipresença e da fragmentação. Muitos profissionais têm a cabeça soldada a seus smartphones, e são constantemente bombardeados com pedaços desconexos de informação — um recado de um amigo em um momento, a última tragédia financeira da Grécia no momento seguinte.

Três grandes preocupações surgem nesse cenário. A primeira delas é a de que o excesso de informações pode fazer com que as pessoas se sintam ansiosas e impotentes: cientistas descobriram que profissionais que realizam muitas tarefas ao mesmo tempo produzem mais hormônios de estresse. Em segundo lugar, o excesso reduz a criatividade. Teresa Amabile, da Harvard Business School passou mais de uma década estudando os hábitos de trabalho de mais de 9 mil pessoas. Para ela, as pessoas tendem a ser criativas se têm a oportunidade de se concentrar em algo por algum tempo, sem interrupções. Por fim, o excesso também pode deixar os trabalhadores menos produtivos. David Meyer, da Universidade de Michigan, mostrou que pessoas que completam certas tarefas paralelamente, levam muito mais tempo e cometem muitos mais erros que pessoas que completam as mesmas tarefas em sequência.

O que pode ser feito para conter o excesso de informações? Uma resposta é tecnológica: esperar que as pessoas que criaram toda a névoa criem os filtros para limpá-la. A Xerox promete restaurar a “sanidade da informação”, com o desenvolvimento de mecanismos de filtragem e controle. A Google tenta melhorar seu sistema de buscas, levando em conta informações mais pessoais (alguns poderão reclamar de invasão de privacidade, mas provavelmente receberão respostas mais precisas em suas buscas). Um popular programa chamado Freedom, desconecta os usuários da web em horários pré-determinados.

Uma segunda resposta envolve a força de vontade. Racione sua porção de culpa. Desligue seu celular e internet de vez em quando.

Fontes: The Economist

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