quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

ARGENTINA - Macri cancela financiamento para programa de futebol

Programa era uma parceria entre o governo e a Associação Argentina de Futebol (Foto: Twitter)

Buenos Aires tem 36 estádios, com a capacidade de receber pelo menos 10 mil espectadores, mais do qualquer outra cidade do mundo. O presidente da Argentina, Mauricio Macri, usou os 12 anos em que foi presidente do Boca Juniors, o clube de futebol mais popular do país, para lançar as bases de sua carreira política. Ele ainda joga partidas de futebol em Quinta de Olivos, a residência oficial dos presidentes da República.

Mas uma disputa desagradável que envolve dinheiro está desfigurando um esporte tão bonito. O governo deve 350 milhões de pesos (US$22 milhões) à Associação Argentina de Futebol (AFA), que deve o mesmo valor aos clubes de futebol do país. Muitos não têm recursos para pagar os jogadores. A disputa pode atrasar o início do campeonato da primeira divisão previsto para 3 de fevereiro.

Durante anos, os argentinos, em um país que não tinha televisão a cabo, só podiam assistir aos destaques dos jogos no fim de semana. Isso significava “sequestrar os gols até domingo”, disse a ex-presidente Cristina Kirchner. Sua solução foi criar o programa Fútbol Para Todos, mediante um contrato de dez anos assinado com a AFA para transmitir ao vivo, por canais de televisão aberta, os jogos dos principais times de futebol do país. O governo pagou 600 milhões de pesos na primeira temporada de jogos, mais do dobro do pagamento do antigo titular dos direitos de transmissão televisa dos campeonatos da primeira divisão da AFA. Fútbol Para Todos forneceu cerca de um quinto das receitas dos principais clubes.

Os torcedores de futebol adoraram o acordo. Os opositores de Cristina Kirchner o detestaram. Os anúncios entre os intervalos quase sempre mostravam propagandas do governo. Na campanha presidencial em 2015 Macri prometeu manter o programa, mas sem os anúncios. Mas diante de um déficit fiscal enorme e a perspectiva de um custo anual do Fútbol Para Todos de 2,5 bilhões de pesos, o governo anunciou em dezembro que não mais financiaria a transmissão do programa. E a AFA ainda não encontrou uma emissora para transmitir os jogos do próximo campeonato.The Economist

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