terça-feira, 2 de maio de 2017

PENA DE MORTE - Execuções múltiplas: crime e castigo nos EUA

O uso do sedativo midazolam é controverso e já foi banido em alguns estados (Foto: Wikimedia)

O relógio marcava 23h15 em Cummins Unit, a prisão em Arkansas, onde os condenados à morte são executados. A sentença de morte seria executada à meia-noite do dia 17 de abril. A expectativa era grande até que, por fim, às 11h45, por ordem da Suprema Corte dos Estados Unidos a execução de Don Davis foi adiada.

Arkansas tem uma história terrível de execuções múltiplas. No entanto, em fevereiro, o governador do estado, Asa Hutchinson, planejou oito execuções em um período de 11 dias, duas em quatro noites em abril, porque no final do mês expiraria o prazo de validade do midazolam, um sedativo usado nas injeções letais.

A pressa do governador Hutchinson mostrou a dificuldade que seu estado, como outros, enfrenta para conseguir as substâncias utilizadas nas injeções letais. Devido à proibição de exportação da indústria farmacêutica europeia e à relutância das empresas farmacêuticas americanas de se envolveram com as execuções, alguns estados optaram pelo uso do sedativo midazolam.

O uso do midazolam é controverso. Segundo os críticos, o sedativo nem sempre entorpece a dor causada pelas outras drogas, que provocam asfixia e parada cardíaca. Em uma execução no Arizona o condenado demorou quase duas horas para morrer em um horrível sofrimento. Vários estados desistiram de usar o midazolam. Há pouco tempo um tribunal federal em Ohio proibiu seu uso. Como se não bastasse a batalha judicial dos advogados, a discussão sobre a pena de morte também envolve a polêmica em relação aos medicamentos usados na injeção letal.The Economist

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