segunda-feira, 7 de agosto de 2017

MOTIVO DE PREOCUPAÇÃO

O crescente interesse da China em inteligência artificial

Número de pedidos de patentes relacionadas à inteligência artificial na China quase triplicou entre 2010 e 2014 (Fonte: Reprodução/The Economist)

O ambiente perfeito para o desenvolvimento da tecnologia de inteligência artificial (AI) inclui grande poder de processamento de dados, inúmeros cientistas da computação dedicados à pesquisa, um grande investimento financeiro e muitas informações para treinar as máquinas a reconhecer e responder a padrões. Esse ambiente tem as características do setor de tecnologia dos EUA, mas se refere ao interesse crescente da China em desenvolver sistemas de AI.

O número de pedidos de patentes relacionadas à inteligência artificial na China quase triplicou entre 2010 e 2014, em comparação com os cinco anos anteriores. As startups chinesas do setor de tecnologia estão atraindo bilhões em capital de risco. Ainda mais importante, a China tem mais de 700 milhões de usuários de smartphones, um número superior ao de outros países, que consomem serviços digitais, usam assistentes de voz, pagam contas por meio de aplicativos de celulares e geram uma enorme quantidade de dados.

Esse volume de informações permite que empresas chinesas, como Alibaba, Baidu e Tencent, invistam em sistemas de tecnologia de ponta na área de AI, desde reconhecimento facial a programação de mensagens automáticas. O governo está convencido que o desenvolvimento da inteligência artificial pode estimular o crescimento econômico do país e tem planos para colocar a China na posição de liderança mundial em AI até 2030.

No entanto, os planos de investimento em AI na China são motivo de preocupação. Uma lei de segurança cibernética que entrou em vigor em junho exige que as empresas estrangeiras armazenem dados de clientes chineses dentro das fronteiras do país. Os estrangeiros, por sua vez, não podem usar dados coletados na China para oferecer serviços a terceiros. Mas se os dados não podem ser compartilhados e, portanto, não há troca de informações ou atualizações, os algoritmos de inteligência artificial para veículos autônomos, por exemplo, e de reconhecimento de padrões correm o risco de não serem os mais eficazes.

A ética e a segurança também são fatores que preocupam. As empresas de tecnologia do Vale do Silício trabalham em conjunto para garantir a segurança das ferramentas de inteligência artificial que desenvolvem. Em 2015, os principais pesquisadores de AI ​​no Ocidente assinaram uma carta na qual reivindicaram a proibição da criação de armas autônomas. Em comparação com essa postura, as discussões na China sobre os limites éticos da pesquisa em AI são bem menos transparentes. A inteligência artificial é uma tecnologia com um potencial enorme. É importante que não seja dominada por um governo autocrático.The Economist

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