A espionagem em órbita


Uso de satélites para fins militares é cada vez maior ao redor do mundo

Apesar de sua grande herança de DNA militar (boa parte dele, oriundo da marinha), a NASA é uma agência civil, construída em claro contraste com o programa espacial soviético, comandado pelos militares. Na prática, essa distinção não é sempre tão clara: a NASA realizou diversos trabalhos para o Pentágono. Mas as forças armadas norte-americanas mantêm um programa espacial próprio, longe dos olhos do público. Embora seja difícil ter acesso aos números exatos, imagina-se que o orçamento do programa espacial militar tenha se igualado ou superado o da NASA em todos os anos desde 1982.

Todos os sinais indicam que ele está bem avançado. O orçamento público do programa espacial da força aérea (ao contrário de sua porção secreta) terá um aumento de quase 10% no ano que vem, chegando a US$ 8,7 bilhões, a maior parte deles investidos em uma nova geração de foguetes. Bruce Carlson, diretor do Escritório Nacional de Reconhecimento, o órgão repleto de segredos que comanda os satélites de espionagem dos Estados Unidos, anunciou, em 2010, que sua agência embarcara no “cronograma de decolagens mais agressivo dos últimos 25 anos”.

Mas há outros programas exóticos. A força aérea comanda um para batalhas entre satélites, projetado para destruir e ou tirar de operação satélites inimigos. Outra, inclui naves experimentais, como o X-37, uma descendente mais minimalista do ônibus espacial. A força área não diz qual a finalidade do X-37. Alguns acreditam que se trate de um avião de espionagem, projetado para atingir alvos que sabem se esconder quando satélites espiões – que têm órbitas previsíveis – estão por perto. Outra teoria é a de que ele tenha sido criado para destruir satélites ou lançar bombas da órbita terrestre.

Outras nações também estão se movendo. Comandantes norte-americanos relatam que a China frequentemente dispara poderosos lasers nos céus, demonstrando sua habilidade para atordoar e inutilizar satélites. Em 2007, um míssil chinês destruiu um antigo satélite meteorológico criando um enorme campo de destroços na órbita. Depois disso, a Rússia passou a falar abertamente sobre armas anti-satélite. Enganaram-se aqueles que acreditavam no fim da corrida espacial. Ela segue firme e forte.

Fonte: The Economist

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