Um outro tipo de escolha
O outro conclave

Desde a deterioração das negociações de Doha, OMC luta para resgatar o interesse na liberalização (Reprodução/Internet)
O conselho geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) irá eleger seu novo diretor-geral em maio. Os nove indicados para ocupar o cargo de Pascal Lemy estão em campanha para conseguir o apoio de Genebra e dos países membros da organização. Porém, a votação dificilmente conseguirá a atenção dada ao conclave que elegeu o Papa Francisco.
Desde o colapso nas negociações da rodada de Doha, em 2008, a OMC vem lutando para reconstruir o interesse na liberalização do comércio. Contudo, décadas de conversa e tratados esgotaram os membros mais propensos a ceder à liberalização. Além disso, o lema “nenhum acordo até que tudo esteja de acordo” impediu que a rodada de 2008 atingisse conquistas pequenas, porém tangíveis.
O principal ponto de discórdia é a mudança na balança econômica de poder. Na rodada de Doha, mercados emergentes rejeitaram propostas de países ricos que consideraram não atraentes. Em negociações futuras, a participação emergente será ainda maior. Dos nove nomes indicados para substituir Lemy, sete provém de países emergentes.
Por outro lado, enquanto as negociações mundiais se deterioram, os acordos comerciais regionais prosperam. Este ano, EUA e União Europeia darão início às negociações para o acordo Comércio Transatlântico e Parceria de Investimento (TTIP, na sigla em inglês). Os EUA também estão investindo na Parceria Transpacífico, que visa fortalecer os laços com as principais economias do Pacífico. O Japão já sinalizou que deseja fazer parte do acordo. Já a China, não estará envolvida.
Tais mega-acordos podem ser explicados pelo pragmatismo. Países frustrados com as negociações multilaterais estão ansiosos por fechar acordos. A política também faz parte dessa tendência. O TTIP, por exemplo, dá aos EUA e à Europa a oportunidade de estabelecer regras para as barreiras comerciais não tarifárias sem ter de ceder às exigências da China.
As expectativas são altas para a conferência de Bali, marcada para dezembro deste ano. Os tratados regionais podem levar os países emergentes a repensar sua relutância em aceitar a liberalização econômica, mas eles dificilmente cederão sem obter alguma garantia pós-Bali. Assim como no conclave da Igreja Católica, a reinvenção é a meta da OMC. Mas ainda é muito cedo para especulações. The Economist

Desde a deterioração das negociações de Doha, OMC luta para resgatar o interesse na liberalização (Reprodução/Internet)
O conselho geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) irá eleger seu novo diretor-geral em maio. Os nove indicados para ocupar o cargo de Pascal Lemy estão em campanha para conseguir o apoio de Genebra e dos países membros da organização. Porém, a votação dificilmente conseguirá a atenção dada ao conclave que elegeu o Papa Francisco.
Desde o colapso nas negociações da rodada de Doha, em 2008, a OMC vem lutando para reconstruir o interesse na liberalização do comércio. Contudo, décadas de conversa e tratados esgotaram os membros mais propensos a ceder à liberalização. Além disso, o lema “nenhum acordo até que tudo esteja de acordo” impediu que a rodada de 2008 atingisse conquistas pequenas, porém tangíveis.
O principal ponto de discórdia é a mudança na balança econômica de poder. Na rodada de Doha, mercados emergentes rejeitaram propostas de países ricos que consideraram não atraentes. Em negociações futuras, a participação emergente será ainda maior. Dos nove nomes indicados para substituir Lemy, sete provém de países emergentes.
Por outro lado, enquanto as negociações mundiais se deterioram, os acordos comerciais regionais prosperam. Este ano, EUA e União Europeia darão início às negociações para o acordo Comércio Transatlântico e Parceria de Investimento (TTIP, na sigla em inglês). Os EUA também estão investindo na Parceria Transpacífico, que visa fortalecer os laços com as principais economias do Pacífico. O Japão já sinalizou que deseja fazer parte do acordo. Já a China, não estará envolvida.
Tais mega-acordos podem ser explicados pelo pragmatismo. Países frustrados com as negociações multilaterais estão ansiosos por fechar acordos. A política também faz parte dessa tendência. O TTIP, por exemplo, dá aos EUA e à Europa a oportunidade de estabelecer regras para as barreiras comerciais não tarifárias sem ter de ceder às exigências da China.
As expectativas são altas para a conferência de Bali, marcada para dezembro deste ano. Os tratados regionais podem levar os países emergentes a repensar sua relutância em aceitar a liberalização econômica, mas eles dificilmente cederão sem obter alguma garantia pós-Bali. Assim como no conclave da Igreja Católica, a reinvenção é a meta da OMC. Mas ainda é muito cedo para especulações. The Economist
Comentários
Postar um comentário