SALÁRIO BAIXO
38% dos brasileiros estão no vermelho; nem sempre a culpa é do salário baixo
Pixabay
Cerca de 38% dos brasileiros não ganham o suficiente para pagar as despesas do mês. A conclusão é de uma pesquisa recente feita pelo SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) em parceria com a CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas). Apesar da crise econômica ter agravado o desemprego e as quedas salariais, a falta de organização financeira ainda é um grande problema.
“As pessoas muitas vezes tem um padrão de vida muito diferente do salário, então elas nunca vão conseguir ter uma vida financeira estável, porque estão sempre gastando mais do que deveriam, ou poderiam’, explica a economista chefe do SPC, Marcela Kawauti. “O que a gente viu com essa pesquisa é que a questão não é quanto você ganha e sim o que você faz com esse dinheiro”, complementa.
Cartão de crédito: solução ou problema?
Entre os entrevistados pela pesquisa do SPC, 42% contrataram algum tipo de crédito nos últimos meses. As modalidades mais usadas foram o cartão de crédito, com 36% das respostas, e em seguida o crediário – com 12%. Quase metade das pessoas que contrataram crédito atrasou alguma parcela nos últimos meses.
“O cartão de crédito exatamente te incentiva a não se controlar. Você vai gastando e, quando chega a fatura, a conta não fecha”, explica Marcela Kawauti. “O endividamento não é por si só uma questão tão ruim assim. Precisou de dinheiro? Pega um crédito consignado ou um crédito que tenha uma taxa de juros um pouco melhor”, destaca a economista.
O CEO do aplicativo GuiaBolso, Thiago Alvarez, concorda que acumular parcelas no cartão é um dos maiores equívocos dos brasileiros. “As compras parceladas, individualmente, podem parecer ter um valor baixo, mas quando somadas fazem a fatura se tornar impagável. Indicamos que somem no máximo 5% da renda do consumidor”, explica.
Em janeiro deste ano, os juros das operações feitas pelo cartão de crédito estavam em 327,9% ao ano. Ainda assim, o brasileiro têm comprometido, em média, um terço da sua renda mensal com o pagamento da fatura, segundo dados de uma pesquisa da plataforma de empréstimos online Just.
A pesquisa do SPC e da CNDL
O levantamento ouviu 800 consumidores de 12 capitais brasileiras. A maioria deles, 40%, afirmou que as contas estão no zero a zero: não sobra nem falta dinheiro. Outros 18% afirmaram que os recursos estão sobrando no fim do mês. Dos entrevistados, quase metade pretende reduzir despesas nos próximos meses e 8% desejam aumentar os gastos.
Recentemente, o SPC fechou uma parceria com o Banco Central para elaborar projetos mais eficazes de educação financeira para os consumidores brasileiros. Já está em andamento uma pesquisa relacionada ao uso do crédito no país. Segundo o SPC, o levantamento será mais detalhado que os anteriores.
Maus hábitos financeiros: uma questão histórica
Marcela Kawauti acredita que o brasileiro tem o hábito de não se preocupar tanto quanto deveria com a questão financeira. “O que a gente percebe de todas as pesquisas é que as pessoas sabem quais são as melhores práticas, sabem que alguns tipos de crédito podem levá-las a um grande problema, mas não colocam isso em prática”, explica.
Os especialistas entrevistados pelo Yahoo afirmaram que, de fato, a crise agravou a questão das finanças dos brasileiros, mas não é a única culpada. “Na crise, o assunto organização financeira volta a chamar mais atenção, mas historicamente o brasileiro não tem equilíbrio nas finanças”, afirma Thiago Alvarez.
A economista do SPC concorda que os anos de recessão apenas potencializaram um problema que já existia. “Numa outra pesquisa, perguntamos porque as pessoas estavam inadimplentes no ano passado. O principal motivo era o desemprego. Agora, é bom a gente deixar claro que se a pessoa ficou desempregada e em seguida ficou inadimplente é porque ela não tinha a vida financeira organizada.”Yahoo Finanças
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Cerca de 38% dos brasileiros não ganham o suficiente para pagar as despesas do mês. A conclusão é de uma pesquisa recente feita pelo SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) em parceria com a CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas). Apesar da crise econômica ter agravado o desemprego e as quedas salariais, a falta de organização financeira ainda é um grande problema.
“As pessoas muitas vezes tem um padrão de vida muito diferente do salário, então elas nunca vão conseguir ter uma vida financeira estável, porque estão sempre gastando mais do que deveriam, ou poderiam’, explica a economista chefe do SPC, Marcela Kawauti. “O que a gente viu com essa pesquisa é que a questão não é quanto você ganha e sim o que você faz com esse dinheiro”, complementa.
Cartão de crédito: solução ou problema?
Entre os entrevistados pela pesquisa do SPC, 42% contrataram algum tipo de crédito nos últimos meses. As modalidades mais usadas foram o cartão de crédito, com 36% das respostas, e em seguida o crediário – com 12%. Quase metade das pessoas que contrataram crédito atrasou alguma parcela nos últimos meses.
“O cartão de crédito exatamente te incentiva a não se controlar. Você vai gastando e, quando chega a fatura, a conta não fecha”, explica Marcela Kawauti. “O endividamento não é por si só uma questão tão ruim assim. Precisou de dinheiro? Pega um crédito consignado ou um crédito que tenha uma taxa de juros um pouco melhor”, destaca a economista.
O CEO do aplicativo GuiaBolso, Thiago Alvarez, concorda que acumular parcelas no cartão é um dos maiores equívocos dos brasileiros. “As compras parceladas, individualmente, podem parecer ter um valor baixo, mas quando somadas fazem a fatura se tornar impagável. Indicamos que somem no máximo 5% da renda do consumidor”, explica.
Em janeiro deste ano, os juros das operações feitas pelo cartão de crédito estavam em 327,9% ao ano. Ainda assim, o brasileiro têm comprometido, em média, um terço da sua renda mensal com o pagamento da fatura, segundo dados de uma pesquisa da plataforma de empréstimos online Just.
A pesquisa do SPC e da CNDL
O levantamento ouviu 800 consumidores de 12 capitais brasileiras. A maioria deles, 40%, afirmou que as contas estão no zero a zero: não sobra nem falta dinheiro. Outros 18% afirmaram que os recursos estão sobrando no fim do mês. Dos entrevistados, quase metade pretende reduzir despesas nos próximos meses e 8% desejam aumentar os gastos.
Recentemente, o SPC fechou uma parceria com o Banco Central para elaborar projetos mais eficazes de educação financeira para os consumidores brasileiros. Já está em andamento uma pesquisa relacionada ao uso do crédito no país. Segundo o SPC, o levantamento será mais detalhado que os anteriores.
Maus hábitos financeiros: uma questão histórica
Marcela Kawauti acredita que o brasileiro tem o hábito de não se preocupar tanto quanto deveria com a questão financeira. “O que a gente percebe de todas as pesquisas é que as pessoas sabem quais são as melhores práticas, sabem que alguns tipos de crédito podem levá-las a um grande problema, mas não colocam isso em prática”, explica.
Os especialistas entrevistados pelo Yahoo afirmaram que, de fato, a crise agravou a questão das finanças dos brasileiros, mas não é a única culpada. “Na crise, o assunto organização financeira volta a chamar mais atenção, mas historicamente o brasileiro não tem equilíbrio nas finanças”, afirma Thiago Alvarez.
A economista do SPC concorda que os anos de recessão apenas potencializaram um problema que já existia. “Numa outra pesquisa, perguntamos porque as pessoas estavam inadimplentes no ano passado. O principal motivo era o desemprego. Agora, é bom a gente deixar claro que se a pessoa ficou desempregada e em seguida ficou inadimplente é porque ela não tinha a vida financeira organizada.”Yahoo Finanças

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