Tempestade em um copo de tequila

Demanda por tequila está crescendo rapidamente (Fonte: Reprodução/Reuters)
Como o champanhe, só se pode chamar tequila de tequila quando ela vem de uma região específica. Destiladoras em cinco dos 31 estados do México têm o direito exclusivo de produzir a famosa aguardente. Engarrafadoras de outros lugares são obrigadas a usar nomes alternativos, embora o seu produto seja destilado da mesma maneira a partir da seiva do agave, uma suculenta planta do deserto com espinhos, muitas vezes indevidamente designada como uma espécie de cacto.
A demanda por tequila está crescendo rapidamente. Atualmente os norte-americanos a bebem mais do que os mexicanos – impressionantes 120 milhões de litros por ano. Os produtores fora da região oficial da tequila estão lucrando. A “bebida do agave” que eles vendem é mais barata que a tequila de verdade e tem o mesmo gosto, pelo menos para o paladar destreinado dos americanos.
Os tequileros tradicionais não gostam de ver outros se metendo no que eles consideram a sua festa. Portanto uma proposta patrocinada pela Câmara Nacional da Indústria da Tequila proibiria destiladoras fora da fronteira dos cinco estados de usar a palavra “agave” para descrever suas bebidas. A proposta recebeu o apoio da agência de propriedade intelectual do México, a IMPI.
Amantes do agave acharam a medida pouco razoável. “Agave” é o nome da planta, não um produto. É como se a região do champanhe tentasse proibir os outros de usarem a palavra “uva” ou se os açougueiros de Parma tentassem tomar posse da palavra “presunto”. Uma carta de 343 especialistas, de biólogos a sociólogos, expressou “franca oposição” à proposta.
A proposta dos tequileros pode dar errado. A autoridade de concorrência do México emitiu uma opinião não vinculativa em oposição, e a comissão regulatória do governo não parece convencida. Se eles não puderem usar a lei para acabar com seus concorrentes, os tequileros vão precisar ganhar dinheiro da maneira antiga – fazendo tequilas melhores.
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