Transplante: o dom da vida

Associação Médica Britânica pediu mudanças no sistema de transplantes
Só no Reino Unido, cerca de mil pessoas morrem todos os anos por não conseguir um transplante de órgãos, e outras 10 mil estão na fila para conseguir um. Para muitos, isso se deve ao sistema “opt-in” de consentimento declarado adotado pelo Reino Unido: 90% dos ingleses se dizem a favor da doação de órgãos, mas apenas 30% estão registrados como doadores. A maioria dos outros países da União Europeia opta por alguma forma de consentimento presumido, no qual se assume que todos são doadores a não ser que eles declarem o contrário explicitamente.
Na semana passada a Associação Médica Britânica, que representa os médicos ingleses, pediu a mudança no atual sistema para o consentimento presumido. Mas só isso pode não ser o suficiente. A Espanha tem um sistema “opt-out” e encabeça a lista com 32 doadores para cada milhão de pessoas; mas a Grécia também tem o mesmo sistema e fica entre os últimos países da lista, com apenas quatro doadores por milhão de pessoas.
Os norte-americanos, assim como os ingleses, têm um sistema opt-in, porém dispõem de um dos maiores índices de doadores no mundo. Na verdade, cultura e capacidade podem ser fatores mais relevantes do que determinações legais. O sucesso da Espanha se deve ao excelente gerenciamento dos requerimentos médicos de doação de órgãos e ao apelo emocional criado para sensibilizar o público. Em países mais pobres, mercados paralelos de doação de órgãos podem contribuir para índices mais altos de transplantes.

Fonte: The Economist
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