Penicilina, a revolução mais inesperada da história da ciência
Talvez pensar em penicilina seja algo bastante simples. Hoje, ela é uma enorme arma nas nossas mãos contra a infecção. Mas algo tão comum foi responsável por uma das maiores revoluções da história da biologia. E o melhor de tudo é que ela foi descoberta por acaso e em um momento crucial.
Alexander Fleming trabalhava no hospital St. Mary, em Londres, observando e realizando experimentos com um bacilo mortal, o Staphylococcus Aureus, causador de infecções generalizadas. Após dias de observações, o excessivo calor de 1920 em Londres deu um enorme “presente” para Fleming: a sua cultura de bactérias mofou. Toda a pesquisa foi mais ou menos por água abaixo com a criação de um fungo verde em toda a cultura de bactérias. Felizmente, Fleming antes de descartá-lo, resolveu observar o que tinha acontecido com as bactérias mortas.
Com a dedução de que algo naquele fungo (Penicillium notatum) mataria a maioria das bactérias, ele o isolou e o estudou a fundo até notar a presença de uma poderosa substância antibiótica que chamou de penicilina. Ela impedia a produção das moléculas de carbono que formam a membrana da bactéria. Por isto, quando elas se dividiam, suas paredes ficavam cada vez mais fina até estourar, deixando escapar o citoplasma do interior.
Fleming se obcecou tanto por sua pesquisa que começou a comprar qualquer coisa mofada que encontrasse para realizar os testes. A sua obsessão foi compensada com diversos prêmios, desde o título de Sir até o prêmio Nobel de medicina de 1940 e mais 5 prêmios depois da descoberta do antibiótico.
Foi durante a Segunda Guerra Mundial que dois ajudantes de Fleming conseguiram separar a penicilina (na realidade somente 1 grama). As mortes e o desejo por ganhar a guerra impulsionaram as pesquisas e os investimentos até que os cientistas descobriram então, que a melhor forma de se adquirir o fungo era removê-lo de melões podres. Logo depois, passaram a armazená-lo em tanques de fermentação, e os curiosos melões foram deixados de lado.
Com a ajuda da penicilina, diversos soldados foram salvos na guerra, mas hoje em dia, ela reiniciou uma nova guerra. Desta vez, dos cientistas contra as bactérias, que se aperfeiçoam cada vez mais e se tornam cada vez mais resistentes ao uso de antibióticos.
Enquanto de um lado as bactérias se tornam mais resistentes, do outro os médicos aprimoram os métodos e a quantidade de antibióticos. [Super Interessante]

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