Trajetória da 1ª parlamentar negra é resgatada
Natural de São Paulo, a cineasta Flávia Person só conheceu a história de Antonieta de Barros quando se mudou para Florianópolis, Santa Catarina. Não por conta de uma trajetória conhecida, mas pela curiosidade que lhe surgiu quando reparou em nomes de escolas, ruas e monumentos em homenagem àquela figura pela cidade.
Filha de uma escrava liberta, Antonieta foi a primeira mulher negra do Brasil a assumir um cargo parlamentar. Em 1935, três anos após as mulheres conquistarem o direito ao voto, ela ocupou uma cadeira na Assembleia Legislativa de Santa Catarina por dois mandatos.
Apesar dos tributos em sua terra natal, até mesmo conterrâneos de Antonieta não sabem de seus feitos. “Eu visitei uma escola estadual que carrega o nome dela e descobri que mesmo alguns alunos de lá não a conheciam”, conta Flávia, em conversa com o Portal da Band, diretora do documentário de curta-metragem Antonieta, que resgata a memória e as realizações da catarinense.
Diante dessa injustiça com a memória de uma personalidade que contribuiu para o empoderamento das mulheres e dos negros, a cineasta lançou uma campanha para angariar fundos, realizar cópias de seu filme e distribuí-lo em locais chaves - como escolas, bibliotecas, museus, centros culturais e núcleos de estudos afrobrasileiros do país - na tentativa de que a importância de Antonieta seja, finalmente, reconhecida.
Presença incômoda
A presença de Antonieta de Barros na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, formada - majoritariamente - por homens brancos da elite sulista, incomodava seus colegas parlamentares. Os projetos da deputada por vezes eram criticados. Além da carreira política, Antonieta também atuava como professora e jornalista – tendo rebatido algumas dessas críticas nos veículos para os quais escrevia. O documentário também mostra alguns desses conflitos.
“Certa vez, o deputado Osvaldo Rodrigues Cabral leu um desses artigos e acusou-a de fazer ‘intriga de senzala’ [em citação, pejorativa, ao passado da mãe ex-escrava]. O triste é que, hoje, Osvaldo é lembrado como uma referência histórica em Santa Catarina, enquanto que Antonieta caiu no esquecimento”, lamenta a diretora Flávia Person. Karen Lemos

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