‘Primavera Árabe’ : Um termo que deve ser extinto no ORIENTE MÉDIO E ÁFRICA.


Motivos para aposentar o termo ‘Primavera Árabe’

Em meio a tantas questões a serem resolvidas no Oriente Médio, uma coisa é certa: é preciso parar de usar o termo “Primavera Árabe”.

Ao contrário do que muitos pensam, não há uma democracia florescendo na região, mas sim a busca por uma identidade, uma reformulação regional. Logo, o melhor seria substituir o termo por outro, cunhado pelo estrategista americano Anthony Cordesman: a Década Árabe.

De acordo com Thomas Friedman, colunista do New York Times, a revolução que acontece hoje no Oriente Médio não foi algo desencadeado. Para Friedman, os rumos tomados pela região já estavam traçados há pelo menos meio século. Basta olhar o Relatório de Desenvolvimento Humano Árabe da ONU de 2002 para entender as condições de vida a que os povos árabes foram submetidos nos últimos 50 anos. Segundo Friedman, líderes como Muammar Khadafi, da Líbia e Hosni Mubarak, do Egito, foram derrubados por não atenderem às necessidades de seus respectivos cidadãos.

No caso do Egito, a Irmandade Muçulmana, da qual faz parte o atual presidente Mohamed Morsi, falhou em oferecer ao país condições melhores do que antigo regime de Mubarak. Preocupada com questões tolas, como a investigação de um comediante que, supostamente, insultou o presidente e disposta a tudo exceto compartilhar o poder, a Irmandade vem mergulhando o Egito em uma decadência econômica. Protestos e confrontos entre manifestantes e policiais não cessaram após a queda de Mubarak.

O exemplo egípcio comprova que o termo Primavera Árabe não se encaixa na atual situação. O conflito político e religioso que produzirá uma nova ordem ainda está em andamento. Resta esperar que a Década Árabe termine melhor do que começou, com novos líderes capazes de garantir abertura política e democracia ao Oriente Médio.The New York Times

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