MUDANÇAS CLIMÁTICAS... Avanço da desertificação engole vilarejos na China

Fenômeno criou dezenas de milhares de deslocados climáticos (Foto: Wikimedia)

As mudanças climáticas estão acelerando a desertificação na China. Ao longo dos últimos anos, os desertos localizados nos limites do norte do país avançaram a uma média anual de 3,3 km², varrendo vilarejos inteiros do mapa.

A desertificação é acelerada pela ação humana. O governo de Pequim afirma que seus esforços para realocar cidadãos deslocados, estimular o plantio de árvores e limitar a prática da pecuária conseguiram conter ou até reverter o avanço dos desertos em algumas áreas.

Mas a eficácia dessa política é posta em xeque por cientistas e o deserto segue avançando para perto de regiões cruciais para o país, como a capital Pequim.

Os desertos compõem 20% do território chinês. Com o avanço da seca na região norte, esse percentual está aumentando, tornando algumas regiões inabitáveis e aumentando o número de deslocados climáticos.

Uma delas é Liu Jiali, de apenas quatro anos. Ela mora junto com a família em uma área chamada Alxa League, criada pelo governo para acomodar os deslocados climáticos. O local tem hoje 30 mil moradores.

A família de Liu é uma das muitas que sobreviviam de criação de gado nas extremidades do deserto de Tengger, no norte do país. Porém, o governo que coibir a prática, afirmando que a pastagem está contribuindo para o avanço da desertificação. Para convencer a família a se mudar para a Alxa League e vender seu rebanho de mais de 70 ovelhas, 30 vacas e oito camelos, o governo ofereceu um subsídio anual de US$ 1.500 para cada membro da família, mais US$ 1.200 para a avó que vive com eles.

A família recebeu uma casa a cerca de 9 km de Swan Lake, oásis em que eles moram localizado no deserto de Tengger. A mãe de Liu, Du Jinping, diz que a família concordou com a mudança, mas apenas durante o inverno. No verão, eles retornam a Swan Lake para gerir um centro de turismo no deserto.

A família cobra de turistas US$ 4,50 por um passeio em Swan Lake. No entanto, o negócio está com os dias contados, à medida que a desertificação avança engolindo oásis como o Swan Lake.

O avanço tem duas frentes. Ao passo que a desertificação avança em direção a cidades como Pequim, o crescente aumento populacional da China coloca às cidades em rota de colisão com os desertos. Tempestades de areias se tornam cada vez mais frequentes em Pequim e outras grandes cidades do país. “Nós temos pavor das tempestades de areia”, diz Du Jinping. The New York Times

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