GESTÃO DE INCERTEZAS
Theresa May faz do Reino Unido uma nau sem rumo
Há poucos sinais da revolução que Theresa May prometeu (Foto: Flickr/Surrey County Council News)
Poucas horas depois do resultado do referendo do Brexit, em junho de 2016, David Cameron renunciou e, três semanas mais tarde, Theresa May o sucedeu no cargo de primeiro-ministro. A rapidez com que ascendeu ao poder, em 13 de julho, sem eleições gerais e disputa da liderança do Partido Conservador, significou que sua escolha não foi resultado de um manifesto popular ou do apoio do eleitorado.
No entanto, a nova primeira-ministra logo deixou clara a extensão de suas ambições para o Reino Unido. Não só conseguiria transformar o Brexit em um sucesso, como também promoveria uma mudança radical na mobilidade social para corrigir as “injustiças flagrantes” enfrentadas pelos oprimidos e reformular “as forças do liberalismo e da globalização, que dominaram o mundo ocidental”. Segundo seus aliados, sua nomeação indicou um fato notável na política britânica, comparável à ruptura de Margaret Thatcher com o passado em 1979.
Mas seis meses depois de assumir o cargo há poucos sinais da revolução que Theresa May supostamente faria. A estratégia para o Brexit, que deverá ser posta em prática em menos de três meses, continua indefinida e parece cada vez mais caótica. No país, o projeto ambicioso de transformar a sociedade e reprimir o capitalismo só esboçou propostas tímidas, muitas das quais já tinham sido reduzidas ou descartadas. Existe uma crescente suspeita que a postura enigmática da primeira-ministra quanto aos seus planos é resultado de sua tentativa ainda incipiente de elaborá-los.
Theresa May construiu uma sólida reputação de competência nos seis anos em que ocupou o cargo de ministra do Interior, um posto complexo que destruiu muitas carreiras políticas. Nas negociações formais do Brexit, a tarefa mais difícil para um primeiro-ministro desde a Segunda Guerra Mundial, ela enfrenta uma poderosa drenagem de capital político e da capacidade governamental. Se nos próximos anos o Reino Unido quiser evitar as armadilhas, a tenacidade cautelosa da Sra. May pode ser exatamente o que o país precisa.
Entretanto, agora a cautela dá sinais de indecisão. O embaixador do Reino Unido para a União Europeia (UE), Ivans Rogers, renunciou ao cargo com o argumento que o governo não tinha um plano claro e definido para o Brexit. Depois de seis meses é difícil apontar uma medida política importante e é fácil citar retrocessos e desistências. Alguns foram bem-vindos, como a promessa tola de pôr funcionários nos conselhos de administração das empresas; o projeto de obrigar as empresas a fazer uma relação de seus funcionários estrangeiros durou menos de uma semana; e as sugestões que o governo queria restringir a independência do Banco da Inglaterra foram discretamente esquecidas.The Economist
Há poucos sinais da revolução que Theresa May prometeu (Foto: Flickr/Surrey County Council News)
Poucas horas depois do resultado do referendo do Brexit, em junho de 2016, David Cameron renunciou e, três semanas mais tarde, Theresa May o sucedeu no cargo de primeiro-ministro. A rapidez com que ascendeu ao poder, em 13 de julho, sem eleições gerais e disputa da liderança do Partido Conservador, significou que sua escolha não foi resultado de um manifesto popular ou do apoio do eleitorado.
No entanto, a nova primeira-ministra logo deixou clara a extensão de suas ambições para o Reino Unido. Não só conseguiria transformar o Brexit em um sucesso, como também promoveria uma mudança radical na mobilidade social para corrigir as “injustiças flagrantes” enfrentadas pelos oprimidos e reformular “as forças do liberalismo e da globalização, que dominaram o mundo ocidental”. Segundo seus aliados, sua nomeação indicou um fato notável na política britânica, comparável à ruptura de Margaret Thatcher com o passado em 1979.
Mas seis meses depois de assumir o cargo há poucos sinais da revolução que Theresa May supostamente faria. A estratégia para o Brexit, que deverá ser posta em prática em menos de três meses, continua indefinida e parece cada vez mais caótica. No país, o projeto ambicioso de transformar a sociedade e reprimir o capitalismo só esboçou propostas tímidas, muitas das quais já tinham sido reduzidas ou descartadas. Existe uma crescente suspeita que a postura enigmática da primeira-ministra quanto aos seus planos é resultado de sua tentativa ainda incipiente de elaborá-los.
Theresa May construiu uma sólida reputação de competência nos seis anos em que ocupou o cargo de ministra do Interior, um posto complexo que destruiu muitas carreiras políticas. Nas negociações formais do Brexit, a tarefa mais difícil para um primeiro-ministro desde a Segunda Guerra Mundial, ela enfrenta uma poderosa drenagem de capital político e da capacidade governamental. Se nos próximos anos o Reino Unido quiser evitar as armadilhas, a tenacidade cautelosa da Sra. May pode ser exatamente o que o país precisa.
Entretanto, agora a cautela dá sinais de indecisão. O embaixador do Reino Unido para a União Europeia (UE), Ivans Rogers, renunciou ao cargo com o argumento que o governo não tinha um plano claro e definido para o Brexit. Depois de seis meses é difícil apontar uma medida política importante e é fácil citar retrocessos e desistências. Alguns foram bem-vindos, como a promessa tola de pôr funcionários nos conselhos de administração das empresas; o projeto de obrigar as empresas a fazer uma relação de seus funcionários estrangeiros durou menos de uma semana; e as sugestões que o governo queria restringir a independência do Banco da Inglaterra foram discretamente esquecidas.The Economist

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