Modernização de socialistas
Partido Socialista da França se destaca como o mais retrógrado da Europa
Socialistas franceses precisam se modernizar para as eleições
A esquerda européia está em declínio. Entre os países grandes, partidos socialistas estão no poder apenas na Espanha, onde parece provável que eles não sejam eleitos na eleição de novembro. O único país grande em que a esquerda tem a chance de voltar ao poder é a França, na eleição em abril do ano que vem. Ainda assim, o Partido Socialista francês se destaca como o mais retrógrado da Europa. Por isso, espera-se um espetáculo de contorcionismo de um partido que está se preparando para o poder, num momento em que os mercados estão questionando completamente a sua própria ortodoxia.
Para uma pista sobre o pensamento socialista francês, considere os recentes comentários de alguns dos candidatos que disputarão votos numa primária em outubro. Ségolène Royal, que perdeu a eleição presidencial de 2007 para Nicolas Sarkozy, argumentou nessa semana que especulações sobre a dívida nacional deveriam ser banidas.
Denunciando a “anárquica globalização”, ele clamou pela imposição de valores humanos sobre as finanças, como um meio de “carregar a tocha de um grande país, a França, que legou ao mundo princípios revolucionários em termos de emancipação dos povos”.
Ségolène, acredite se puder, é considerada uma moderada. À sua esquerda, Arnaud Montebourg, uma figura extrovertida e jovem, que ergue a bandeira da “desglobalização”.
Perto de bobagens tão patentes, as promessas dos dois candidatos favoritos, Martine Aubry e François Hollande, parecem somente congeladas em algum momento de 1981. Eles querem reduzir a idade de aposentadoria para os 60 anos (esta acabou elevada para 62), e inventar 300.000 empregos públicos para a juventude. Mais impostos, não menos gastos, é o seu credo implícito.
As causas da esquerda francesa são várias, mas uma especialmente potente é o domínio longevo do pensamento marxista. Nos anos 50, muitos intelectuais, incluindo Jean-Paul Sartre, agarraram-se a um idealismo pró-soviético até mesmo depois que as malvadezes de Stalin vieram a público. Outros flertaram com o trotskismo em meados da década de 70.
O problema com suas promessas é: para cada punhado de convicção, há uma parcela vergonhosa de pose. Na verdade, os socialistas franceses, com frequência, tiveram que exercer o poder de forma pragmática. Caso os socialistas se elejam em 2012, tomar-lhes-ia “talvez um mês, talvez uma semana” para confessar que “não há escolha senão manter o déficit sob controle”, diz uma bem posicionada figura do partido.
Fonte: The Economist
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