A dinâmica das multidões


Entendimento de como pedestres fluem pode tornar eventos grandes mais seguros

Imagine que você é francês. Você está caminhando em uma calçada lotada em Paris, e outro pedestre se aproxima pelo lado oposto. Uma colisão vai acontecer a menos que cada um de vocês saia do caminho do outro. Para que lado você caminha?
A resposta é quase certamente para a direita. Repita esta cena em muitas partes da Ásia, entretanto, e você provavelmentedesviará para a esquerda. O porquê não é óbvio. Não existeM instruções para tomar uma determinada direção. Não há nenhuma correlação simples com o lado da estrada no qual as pessoas dirigem: os londrinos se afunilam para a direita nas calçadas, por exemplo.
Ao invés disso, explicou Mehdi Moussaid, do Instituto Max Planck em Berlim, isto é um comportamento que ocorre por probabilidades. Se duas pessoas em direções opostas adivinham corretamente a direção uma da outra, cada uma movendo-se para um lado e deixando que a outra passe, então elas estão propensas a escolher se mover para a mesma direção da próxima vez que precisarem evitar uma colisão. A probabilidade de uma manobra bem-sucedida aumenta ao passo que mais e mais pessoas adotam uma inclinação em uma direção, até que a tendência se fixe.
Se é para a direita ou para a esquerda, não importa; o que importa é o desejo não-dito da maioria. Moussaid está na linha de frente de um campo jovem: a compreensão e a modelação de como os pedestres se comportam. Seu objetivo não é meramente a curiosidade. O entendimento de como os pedestres fluem pode tornar eventos massivos mais seguros: conhecer a propensão de diferentes nacionalidades em se moverem em diferentes direçõespoderia, por exemplo, ser de importância para os organizadores de um eventocomo a Copa do Mundo, onde fãs de vários continentes se misturam. As chances de colisão aumentam se eles não compartilham um reflexo de se mover para um determinado lado. Em uma grande multidão, isso poderia reduzir a velocidade de muitas pessoas. Tentar capturar cada elemento do movimento dos pedestres em uma equação é terrivelmente complexo.
Um problema é permitir inclinações culturais, como por exemplo se as pessoas caminham para a direita ou para a esquerda, ou a sua propensão em se aproximar dos colegas pedestres. Um experimento em 2009 testou a velocidade de caminhada de alemães e indianos, pedindo a voluntários em cada um dos países para andar em uma única fila ao redor de um corredor elíptico e sinuoso feito de cordas e cadeiras. A baixas densidades as velocidades de cada uma das nacionalidades são similares; Mas aumentando o número, os indianos andam mais rápido que os alemães.

The Economist

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