Uma lista de 233 torturadores


Divulgação de foto de Prestes na praia causou polêmica

Lista com nome de 233 torturadores será doada à Biblioteca Nacional

Maria Prestes, viúva de Luiz Carlos Prestes, vai doar o acervo pessoal do marido ao Arquivo Nacional da Biblioteca Nacional. Além de cartas trocadas com os filhos e a mulher, os documentos incluem o “Relatório da IV Reunião Anual do Comitê de Solidariedade aos Revolucionários do Brasil”, documento de fevereiro de 1976 que, entre outras informações, contém uma lista de 233 militares e policiais que teriam cometido tortura durante a ditadura militar. Essa lista, contida no capítulo “Identificação dos torturadores”, foi feita por 35 presos políticos alocados no Presídio da Justiça Militar Federal, entre eles o ex-presidente do PT e assessor do Ministério da Defesa, José Genoino, e o ex-ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos Paulo Vanucchi.
Na época, o documento chegou a ser enviado ao presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Caio Mário da Silva Pereira e em 1978 foi noticiado no semanário “Em Tempo”. A publicação, no entanto, não gerou muita repercussão.
Não se sabe se Prestes foi um dos autores documento, já que estava exilado na União Soviética na época e o relatório não aponta quem seriam os membros do Comitê de Solidariedade aos Revolucionários do Brasil. O relatório tem 6 capítulos no total, entre eles “Mais desaparecidos”, “Novamente a farsa dos suicídios” e “O braço clandestino da repressão”.
A Revista de História, publicação da Biblioteca Nacional, tentou entrar em contato com o major de Infantaria do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, primeiro torturador da lista do relatório. Ele, no entanto, se recusou falar com a publicação sob orientação do seu advogado de não dar entrevista. “Tudo que ele tinha pra dizer está no livro dele”, disse sua mulher Joseita Ustra, referindo-se à publicação “A verdade sufocada: a história que a esquerda não quer que o Brasil conheça” (Editora Ser, 2010).

Entre os 35 presos que assumem a autoria da lista está o poeta Hamilton Pereira da Silva. “Essas informações saíam dos presídios por meio de advogados ou familiares. A esquerda brasileira, neste período, não era unida, era formada por vários grupos isolados, que não tinham muito contato entre si por causa da repressão”, conta o poeta conhecido pelo pseudônimo Pedro Tierra e hoje Secretário de Cultura do Distrito Federal. Ele já estava em liberdade na época da publicação da lista. “Sei que colaborei com dois nomes: o major, hoje reformado, Carlos Alberto Brilhante Ustra, e o capitão Sérgio dos Santos Lima, que torturava os presos enquanto ouvia música clássica”.
Hamilton conta que a direita reagiu violentamente à publicação do “Em Tempo” realizando ataques a bomba em bancas de jornal e até uma bomba na OAB, além de ameaças à sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).
Outros autores da lista são: Alberto Henrique Becker, Altino Souza Dantas Júnior, André Ota, Antonio André Camargo Guerra, Antonio Neto Barbosa, Antonio Pinheiro Salles, Artur Machado Scavone, Ariston Oliveira Lucena, Aton Fon Filho, Carlos Victor Alves Delamonica, Celso Antunes Horta, César Augusto Teles, Diógenes Sobrosa, Elio Cabral de Souza, Fabio Oascar Marenco dos Santos, Francisco Carlos de Andrade, Francisco Gomes da Silva, Gilberto Berloque, Gilney Amorim Viana,Gregório Mendonça, Jair Borin, Jesus Paredes Soto, José Carlos Giannini, Luiz Vergatti, Manoel Cyrillo de Oliveira Netto, Manoel Porfírio de Souza, Nei Jansen Ferreira Jr., Osvaldo Rocha, Ozeas Duarte de Oliveira, Paulo Radke, Pedro Rocha Filho, Reinaldo Moreno Filho e Roberto Ribeiro Martins.

Revista de História

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