Sobre o século XX...
Como o século XX influenciou a evolução da ciência
Jon Agar quer sintetizar os insights de outros historiadores (Reprodução/Internet)
Para lidar com problemas, a ciência os transforma em abstrações manipuláveis. O ambicioso novo livro de Jon Agar pretende sintetizar os insights de muitos historiadores da ciência recente. Essas ideias vão de notas de campo de biólogos de populações de lêmingues em Spitzbergen às criações de rastros de múons de um físico em uma câmara de nuvem, ou de um conjunto de equações na imaginação matemática a vastos modelos computacionais do clima mundial.
Fazer ciência é criar tais abstrações. A história da ciência consiste em entender como abstrações particulares vêm a ser aceitas como o modo correto de gerar soluções e como os problemas são escolhidos em primeiro lugar. Às vezes os problemas são aqueles das pessoas que estão financiando a ciência; às vezes os problemas são postos por desenvolvimentos nos quais o cientista está interessado; às vezes estes são problemas que brotam da ciência em si.
Como Agar mostra, os grandes processos geradores de problemas do século XX foram as suas guerras. As duas guerras mundiais e a guerra fria fizeram disparar os gastos com ciência, mudaram a sua base organizacional, seu cenário político e o seu objeto de investigação. Os aspectos menos óbvios da guerra e da ciência por exemplo, a introdução da psicanálise na medicina britânica graças ao estresse pós-traumático causado nos soldados pelas guerras têm seu espaço no livro, bem como a tragédia faustiana do desenvolvimento da bomba atômica. Ao longo do livro, o leitor se surpreende como quantas pessoas encararam a ausência de controle sobre os outros como um problema e a ciência como um fonte de soluções.
O livro de Jon Agar tem uma certa inclinação às ciências físicas e algumas lacunas estranhas. Encarando a biologia molecular da década de 1960 como uma ciência da informação, Agar negligencia Peter Mitchell, cuja descoberta revolucionária de que as células armazenam energia não em moléculas, mas em diferenças de potencial, revelou um aspecto com o qual até então nem se sonhava. O livro não dá uma linha à adição de flúor à água e muito poucas à nutrição.
Parte do material a respeito de tendências próximas demais ao presente poderia ter sido omitidos. Dado o papel central da guerra, um livro limitado ao que Eric Hobsbawn chamou de o breve século XX 1914 a 1991 podia ter sido melhor. Mas, em geral, Agar manipulou abstrações a respeito de uma análise rica e bem fundamentada. Qualquer um que pense seriamente a respeito da ciência e a respeito de como ela é usada encontrará uma fonte bastante útil sobre novos modos de conceber tanto os problemas quanto as soluções.The Economist
Jon Agar quer sintetizar os insights de outros historiadores (Reprodução/Internet)
Para lidar com problemas, a ciência os transforma em abstrações manipuláveis. O ambicioso novo livro de Jon Agar pretende sintetizar os insights de muitos historiadores da ciência recente. Essas ideias vão de notas de campo de biólogos de populações de lêmingues em Spitzbergen às criações de rastros de múons de um físico em uma câmara de nuvem, ou de um conjunto de equações na imaginação matemática a vastos modelos computacionais do clima mundial.
Fazer ciência é criar tais abstrações. A história da ciência consiste em entender como abstrações particulares vêm a ser aceitas como o modo correto de gerar soluções e como os problemas são escolhidos em primeiro lugar. Às vezes os problemas são aqueles das pessoas que estão financiando a ciência; às vezes os problemas são postos por desenvolvimentos nos quais o cientista está interessado; às vezes estes são problemas que brotam da ciência em si.
Como Agar mostra, os grandes processos geradores de problemas do século XX foram as suas guerras. As duas guerras mundiais e a guerra fria fizeram disparar os gastos com ciência, mudaram a sua base organizacional, seu cenário político e o seu objeto de investigação. Os aspectos menos óbvios da guerra e da ciência por exemplo, a introdução da psicanálise na medicina britânica graças ao estresse pós-traumático causado nos soldados pelas guerras têm seu espaço no livro, bem como a tragédia faustiana do desenvolvimento da bomba atômica. Ao longo do livro, o leitor se surpreende como quantas pessoas encararam a ausência de controle sobre os outros como um problema e a ciência como um fonte de soluções.
O livro de Jon Agar tem uma certa inclinação às ciências físicas e algumas lacunas estranhas. Encarando a biologia molecular da década de 1960 como uma ciência da informação, Agar negligencia Peter Mitchell, cuja descoberta revolucionária de que as células armazenam energia não em moléculas, mas em diferenças de potencial, revelou um aspecto com o qual até então nem se sonhava. O livro não dá uma linha à adição de flúor à água e muito poucas à nutrição.
Parte do material a respeito de tendências próximas demais ao presente poderia ter sido omitidos. Dado o papel central da guerra, um livro limitado ao que Eric Hobsbawn chamou de o breve século XX 1914 a 1991 podia ter sido melhor. Mas, em geral, Agar manipulou abstrações a respeito de uma análise rica e bem fundamentada. Qualquer um que pense seriamente a respeito da ciência e a respeito de como ela é usada encontrará uma fonte bastante útil sobre novos modos de conceber tanto os problemas quanto as soluções.The Economist

Comentários
Postar um comentário