ESPIRITUALIDADE E POLÍTICA.....

POR QUE TEMOS DE SER MAIS ESPIRITUAIS


Não parecemos estar equipados para explorar toda a profundidade e amplitude da experiência humana.

Hoje, o sentimento popular predominante é de irrefletida confusão espiritual. Os noticiários modernos estão inundados de referências religiosas, mas o comentário sobre perspectivas, experiências e práticas espirituais mais amplas, é no geral relativamente subdesenvolvido.

O Papa, por exemplo, quando faz seus apelos para uma ação mais efetiva com relação às alterações climáticas, consegue atingir bem mais além dos fiéis católicos. Mas onde está a linguagem do medo, culpa, esperança e ameaça existencial que está subjacente à preocupação climática? Nossos bispos apelam para uma maior imaginação política para conectar nossa vida interior com aquela exterior. Mas além das esperanças oblíquas de pensadores como Russell Brand com vistas a uma revolução no âmbito da alma, onde estão as formas e modelos de vida sugeridos que vão além da doutrina religiosa? E nós, com razão, perguntamos em que sentido o Estado Islâmico é islâmico, já que ele não parece Estado e nem islâmico. Mas podemos dar uma resposta adequada a seus atos bárbaros de violência sem uma discussão mais aberta e honesta sobre os aspectos mais sombrios da nossa própria natureza?

Fora das grandes instituições religiosas, que já não falam mais em nome da maioria das pessoas, nós não parecemos estar equipados para explorar toda a profundidade e amplitude da experiência humana. Estamos espiritualmente confusos, no sentido de que temos de lutar muito para pensar e conseguir falar coerentemente de coisas que são profundamente mais importantes para nós como, por exemplo, quem e o que amamos, o que nos dá orgulho ou sofrimento, e o fato de que fatalmente iremos morrer. Achar que tais questões fundamentais relativas à vida são privadas, pessoais e localizadas, é precisamente o problema. Insistir nas motivações e nos valores expressos através de tais experiências e reflexões pode ser central em qualquer tentativa séria de re-orientar a sociedade. O ator Michael Sheen não está sozinho ao considerar que o alarido político que agora nos é oferecido como sendo política grande e verdadeira, é, na verdade “um pântano gelatinoso e monótono de neutralidade”.Oasis


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