CASO KHASHOGGI

Trump diz que manterá parceria com a Arábia Saudita

Para analistas, decisão de Trump abre um perigoso precedente para autocratas (Foto: Flickr/The White House)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na última terça-feira, 20, que o possível envolvimento do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, na execução do jornalista saudita Jamal Khashoggi não afetará a “firme aliança” existente entre os dois países.

Em um comunicado, Trump minimizou o envolvimento do príncipe herdeiro no caso e questionou a conclusão do FBI, que apontava que o assassinato de Khashoggi, um crítico do governo saudita, tinha sido ordenado por Mohammed bin Salman. Trump disse que “talvez não” tenha havido envolvimento do príncipe herdeiro no caso.

“Pode ser que o príncipe herdeiro tivesse conhecimento deste trágico acontecimento. Talvez sim, e talvez não! Pode ser que nunca saibamos todos os fatos em torno do assassinato do senhor Jamal Khashoggi”, escreveu Trump.

Após minimizar o envolvimento do príncipe, o presidente americano declarou que o governo saudita tem sido um grande parceiro dos EUA, aliança que será mantida.

“Eles têm sido um grande aliado em nossa luta muito importante contra o Irã [na guerra no Iêmen]. Os Estados Unidos pretendem permanecer um parceiro firme da Arábia Saudita para garantir os interesses de nosso país, Israel e todos os outros parceiros da região. É nosso principal objetivo eliminar totalmente a ameaça do terrorismo em todo o mundo! Entendo que há membros do Congresso que, por razões políticas ou de outro tipo, gostariam de ir em uma direção diferente, e são livres para fazê-lo. Considerarei todas as ideias que me apresentarem, mas só se forem coerentes com a segurança absoluta dos Estados Unidos”, escreveu Trump no comunicado.

Jamal Khashoggi foi morto em 2 de outubro, após entrar no consulado saudita em Istambul, na Turquia. Economista e crítico do governo saudita ele deixou o país após Mohammed bin Salman ascender como príncipe herdeiro e dar início a uma onda de perseguição a opositores. Khashoggi se exilou nos EUA em 2017 e passou a escrever artigos para o jornal Washington Post. Ele foi ao consulado saudita assinar papéis de divorcio para poder se casar novamente. Sua atual noiva ficou esperando do lado de fora, mas Khashoggi nunca saiu do local.

Investigações lideradas pelo governo da Turquia apontam que ele foi morto dentro do consulado e, em seguida, teve o corpo desmembrado e parcialmente dissolvido. As investigações apontam que o crime foi encomendado pelo governo saudita e concretizado por agentes sauditas enviados à Turquia.

O caso teve grande repercussão nos EUA e na comunidade internacional. A opinião pública americana passou a pedir um posicionamento de Trump contra a atuação de Mohammed bin Salman. O caso deixou o presidente americano em uma situação delicada, uma vez que a Arábia Saudita é uma das principais aliadas dos EUA.

Em seu comunicado, Trump reiterou que a Arábia Saudita é “a segunda maior produtora de petróleo do mundo” e disse que seria “ingênuo” cancelar os multimilionários acordos de venda de armas ao país firmados por sua gestão. “A Rússia e a China se beneficiariam e ficariam felizes de adquirir tudo isso”, disse Trump.

Segundo o New York Times, o posicionamento deixa em alerta a comunidade internacional, uma vez que envia uma mensagem perigosa para a segurança global, em especial no Oriente Médio. Isso porque, ao colocar negócios acima dos valores ocidentais, Trump abriu um perigoso precedente para autocratas do mundo que usam a execução como forma de se manter no poder.

Após a divulgação do comunicado, outros aliados sauditas se manifestaram a favor da posição do presidente americano. “Trump será visto como um presidente muito corajoso que se agarrou às armas e foi contra o consenso de Washington. Muito obrigado, senhor presidente, desta parte do mundo [Oriente Médio]. Esta posição firme nunca será esquecida por Riad e as outras capitais árabes do Golfo, e será retribuída generosamente em muitas questões”, disse Abdulkhaleq Abdulla, cientista político dos Emirados Árabes Unidos.

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