POLÍTICA INTENACIONAL
O futuro da ditadura venezuelana
O regime socialista de Maduro está eliminando a democracia no país (Foto: Wikimedia)
Os venezuelanos estão sofrendo privações terríveis, com a escassez de alimentos e produtos básicos no país que já foi o mais rico da América do Sul. De acordo com um estudo realizado por três universidades, 82% das famílias vivem em condições precárias de sobrevivência, em comparação a 48% em 1998, quando Hugo Chávez assumiu o poder.
O aumento da pobreza acompanhou a maior queda nas receitas de petróleo da Venezuela. Além disso, de acordo com o instituto de pesquisa International Crisis Group, pessoas próximas ao círculo de poder do presidente Nicolás Maduro roubaram cerca de um quarto da receita de US$1 trilhão obtida com a exportação de petróleo.
A mortalidade infantil está aumentando e a escassez de medicamentos é a causa da morte de muitos venezuelanos. Os que têm condições ou oportunidade de imigrar estão saindo em massa do país. Hoje, em torno de 2 milhões de venezuelanos vivem no exterior.
Em uma tentativa de manter o poder, o regime socialista de Maduro está eliminando a democracia no país. A oposição obteve a maioria das cadeiras nas eleições legislativas em 2015. Desde então, o governo usou a Suprema Corte, com membros especialmente escolhidos pelo governo, para anular as decisões da Assembleia Nacional. O Conselho Nacional Eleitoral, por sua vez, suspendeu o processo de convocação do referendo revogatório do mandato presidencial reivindicado pelos opositores.
O Conselho, controlado pelo chavismo, também adiou as eleições para prefeitos e governadores previstas para o ano passado. Agora, está exigindo um novo registro dos partidos de oposição, cujas regras absurdas parecem destinadas a extinguir muitos deles.
As negociações entre a oposição e o governo, mediadas pelo Vaticano e a União das Nações Sul-americanas, interromperam-se em janeiro em razão da pouca receptividade de Maduro à reivindicação dos opositores de libertação de prisioneiros políticos e de restauração do regime constitucional. Maduro, em vez de adotar uma política mais conciliatória com a oposição, está aumentando a repressão no país.
O novo vice-presidente, Tareck El Aissami, lidera o “comando nacional contra o golpismo”, uma das fantasias de um governo ameaçado por supostos golpes de Estado. O governo também incentiva o culto oficial semirreligioso a Chávez, que morreu de câncer há quatro anos no início de março.
O que pode ser feito para deter o processo de implosão da Venezuela, organizar um resgate humanitário e restaurar a democracia no país? O movimento mais radical da oposição apostou no sucesso de uma revolta popular. Mas as pessoas preocupadas com a sobrevivência em um cenário socioeconômico e político crítico, não aderiram aos protestos. As negociações entre o governo e a oposição continuam a ser a opção mais plausível para a solução pacífica da crise. Mas ambos os lados vão sofrer pressões internas e externas difíceis de superar.
The Economist
O regime socialista de Maduro está eliminando a democracia no país (Foto: Wikimedia)
Os venezuelanos estão sofrendo privações terríveis, com a escassez de alimentos e produtos básicos no país que já foi o mais rico da América do Sul. De acordo com um estudo realizado por três universidades, 82% das famílias vivem em condições precárias de sobrevivência, em comparação a 48% em 1998, quando Hugo Chávez assumiu o poder.
O aumento da pobreza acompanhou a maior queda nas receitas de petróleo da Venezuela. Além disso, de acordo com o instituto de pesquisa International Crisis Group, pessoas próximas ao círculo de poder do presidente Nicolás Maduro roubaram cerca de um quarto da receita de US$1 trilhão obtida com a exportação de petróleo.
A mortalidade infantil está aumentando e a escassez de medicamentos é a causa da morte de muitos venezuelanos. Os que têm condições ou oportunidade de imigrar estão saindo em massa do país. Hoje, em torno de 2 milhões de venezuelanos vivem no exterior.
Em uma tentativa de manter o poder, o regime socialista de Maduro está eliminando a democracia no país. A oposição obteve a maioria das cadeiras nas eleições legislativas em 2015. Desde então, o governo usou a Suprema Corte, com membros especialmente escolhidos pelo governo, para anular as decisões da Assembleia Nacional. O Conselho Nacional Eleitoral, por sua vez, suspendeu o processo de convocação do referendo revogatório do mandato presidencial reivindicado pelos opositores.
O Conselho, controlado pelo chavismo, também adiou as eleições para prefeitos e governadores previstas para o ano passado. Agora, está exigindo um novo registro dos partidos de oposição, cujas regras absurdas parecem destinadas a extinguir muitos deles.
As negociações entre a oposição e o governo, mediadas pelo Vaticano e a União das Nações Sul-americanas, interromperam-se em janeiro em razão da pouca receptividade de Maduro à reivindicação dos opositores de libertação de prisioneiros políticos e de restauração do regime constitucional. Maduro, em vez de adotar uma política mais conciliatória com a oposição, está aumentando a repressão no país.
O novo vice-presidente, Tareck El Aissami, lidera o “comando nacional contra o golpismo”, uma das fantasias de um governo ameaçado por supostos golpes de Estado. O governo também incentiva o culto oficial semirreligioso a Chávez, que morreu de câncer há quatro anos no início de março.
O que pode ser feito para deter o processo de implosão da Venezuela, organizar um resgate humanitário e restaurar a democracia no país? O movimento mais radical da oposição apostou no sucesso de uma revolta popular. Mas as pessoas preocupadas com a sobrevivência em um cenário socioeconômico e político crítico, não aderiram aos protestos. As negociações entre o governo e a oposição continuam a ser a opção mais plausível para a solução pacífica da crise. Mas ambos os lados vão sofrer pressões internas e externas difíceis de superar.
The Economist

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