TRUMP... TÃO RUIM ASSIM?
Um ano da gestão Trump
Trump não cumpriu as promessas mais polêmicas feitas em campanha (Foto: Flickr/White House)
No primeiro ano de mandato, a gestão caótica de Donald Trump foi marcada por guerras internas, reviravoltas, conflitos de interesse e suspeitas de ligações com o governo russo. Agora, no livro Fire and Fury, do jornalista Michael Wolff, um relato dos bastidores da Casa Branca, o líder do mundo ocidental é retratado como um imperador infantil de um egoísmo profundo e visto por sua equipe de trabalho como inadequado para ocupar o cargo.
Os Estados Unidos discutem o estado mental do presidente. Com seu temperamento impulsivo, Trump estimulou as discussões sobre sua sanidade com uma mensagem no Twitter em que disse ser um “gênio muito estável” e ao se vangloriar que o botão nuclear dos EUA era maior do que o da Coreia do Norte.
É natural que as atenções se voltem para um homem de comportamento errático que comanda um dos países mais poderosos do mundo. Mas como registro da presidência de Trump até agora o livro é um relato parcial, com a omissão de fatos importantes.
Em primeiro lugar, a economia americana cresceu 3,2% no terceiro trimestre de 2017. O aumento dos salários da classe operária superou as expectativas. A taxa de desemprego diminuiu e o mercado de ações está em alta. O sucesso econômico é resultado do crescimento sincronizado da economia mundial e da posição de Trump ao se aliar ao empresariado dos EUA. Para muitos americanos, sobretudo os desiludidos com o desempenho de Washington, um relato sobre o perigo da gestão de Trump para o futuro do país não soa convincente.
Apesar de uma campanha turbulenta cheia de ameaças, Trump não cumpriu suas promessas mais polêmicas. Nos comícios ameaçou impor uma tarifa de 45% nos produtos chineses e renegociar ou retirar os EUA do Acordo de Livre Comércio da América do Norte firmado com o Canadá e México. Nada aconteceu. Como candidato, chamou a Otan de obsoleta e propôs a deportação de 11 milhões de imigrantes ilegais. Até agora, a aliança com a Otan se mantém e o nível de deportações nos 12 meses até setembro de 2017 não foi diferente dos anos anteriores.
Embora tenha a maioria no Congresso, Trump não conseguiu apoio para algumas de suas mais importantes promessas de campanha, como a substituição do Obamacare e a construção de um muro na fronteira com o México. A reforma tributária aprovada pelo Senado reduziu os impostos e simplificou algumas regras, mas é criticada por beneficiar as empresas e as pessoas de renda mais alta. Sua decisão de retirar os EUA do acordo climático de Paris isolou ainda mais o governo americano da comunidade internacional, assim como a saída da Parceria TransPacífico, um acordo comercial assinado em 2015 por 12 países.
Trump não tem capacidade nem equilíbrio emocional para liderar os EUA. Sua presidência está prejudicando o país. Porém, a possibilidade de um impeachment ainda é remota. Só ao final da investigação do procurador especial Robert Mueller sobre a interferência da Rússia na campanha de Trump será possível avaliar se ele deve ser afastado do cargo. Por enquanto, resta acompanhar a telenovela da Casa Branca.
The Economist
Trump não cumpriu as promessas mais polêmicas feitas em campanha (Foto: Flickr/White House)
No primeiro ano de mandato, a gestão caótica de Donald Trump foi marcada por guerras internas, reviravoltas, conflitos de interesse e suspeitas de ligações com o governo russo. Agora, no livro Fire and Fury, do jornalista Michael Wolff, um relato dos bastidores da Casa Branca, o líder do mundo ocidental é retratado como um imperador infantil de um egoísmo profundo e visto por sua equipe de trabalho como inadequado para ocupar o cargo.
Os Estados Unidos discutem o estado mental do presidente. Com seu temperamento impulsivo, Trump estimulou as discussões sobre sua sanidade com uma mensagem no Twitter em que disse ser um “gênio muito estável” e ao se vangloriar que o botão nuclear dos EUA era maior do que o da Coreia do Norte.
É natural que as atenções se voltem para um homem de comportamento errático que comanda um dos países mais poderosos do mundo. Mas como registro da presidência de Trump até agora o livro é um relato parcial, com a omissão de fatos importantes.
Em primeiro lugar, a economia americana cresceu 3,2% no terceiro trimestre de 2017. O aumento dos salários da classe operária superou as expectativas. A taxa de desemprego diminuiu e o mercado de ações está em alta. O sucesso econômico é resultado do crescimento sincronizado da economia mundial e da posição de Trump ao se aliar ao empresariado dos EUA. Para muitos americanos, sobretudo os desiludidos com o desempenho de Washington, um relato sobre o perigo da gestão de Trump para o futuro do país não soa convincente.
Apesar de uma campanha turbulenta cheia de ameaças, Trump não cumpriu suas promessas mais polêmicas. Nos comícios ameaçou impor uma tarifa de 45% nos produtos chineses e renegociar ou retirar os EUA do Acordo de Livre Comércio da América do Norte firmado com o Canadá e México. Nada aconteceu. Como candidato, chamou a Otan de obsoleta e propôs a deportação de 11 milhões de imigrantes ilegais. Até agora, a aliança com a Otan se mantém e o nível de deportações nos 12 meses até setembro de 2017 não foi diferente dos anos anteriores.
Embora tenha a maioria no Congresso, Trump não conseguiu apoio para algumas de suas mais importantes promessas de campanha, como a substituição do Obamacare e a construção de um muro na fronteira com o México. A reforma tributária aprovada pelo Senado reduziu os impostos e simplificou algumas regras, mas é criticada por beneficiar as empresas e as pessoas de renda mais alta. Sua decisão de retirar os EUA do acordo climático de Paris isolou ainda mais o governo americano da comunidade internacional, assim como a saída da Parceria TransPacífico, um acordo comercial assinado em 2015 por 12 países.
Trump não tem capacidade nem equilíbrio emocional para liderar os EUA. Sua presidência está prejudicando o país. Porém, a possibilidade de um impeachment ainda é remota. Só ao final da investigação do procurador especial Robert Mueller sobre a interferência da Rússia na campanha de Trump será possível avaliar se ele deve ser afastado do cargo. Por enquanto, resta acompanhar a telenovela da Casa Branca.
The Economist

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