TUNÍSIA ONDA DE PROTESTOS
Transição democrática da Tunísia é posta à prova
Estopim dos protestos foi o aumento de impostos implementado em 1º de janeiro (Foto: AFP)
Lar dos primeiros protestos que em 2011 deram início à Primavera Árabe, a Tunísia vive um momento de incerteza.
Em 2011, a Revolução dos Jasmins derrubou o governo autocrata de Zine El Abidine Ben Ali e iniciou uma transição democrática elogiada internacionalmente. Porém, passados sete anos, a população ainda não colheu os frutos da revolução. Desemprego e crise econômica ainda são problemas graves, bem como o déficit estatal em mais de 6%.
Tal cenário alimentou a indignação popular diante das concessões feitas pelo governo tunisiano ao Fundo Monetário Internacional (FMI), o principal credor do país.
Um acordo entre o governo e a instituição prevê créditos de 2,4 bilhões de euros (cerca de R$ 2,4 milhões de reais) por ano até 2020. Em troca, o governo se comprometeu a se retirar em larga escala da economia e de seu papel de empregador, o que teve efeitos econômicos e sociais devastadores, especialmente em áreas rurais do país, historicamente negligenciadas.
Em 1º de janeiro a entrada em vigor do aumento do imposto sobre valor agregado e das contribuições sociais, como parte das medidas de austeridade exigidas pelo FMI, deu início a maior onda de protestos no país desde 2011. Os protestos começaram de maneira pacífica, mas rapidamente se tornaram violentos e se alastraram por mais de 20 cidades.
Diferentemente da época da Primavera Árabe, a Tunísia hoje se encontra sem ter a quem recorrer, como aponta um artigo publicado no site da emissora alemã Deustche Welle.
“Há anos, os supostos amigos europeus da Tunísia a têm deixado na mão. Na realidade, eles só cuidam, meticulosamente, de seus próprios interesses; garantem para si um lucrativo acesso ao mercado de consumo e de trabalho tunisiano, sem retribuição real. Em vez disso, exigem mais engajamento no combate à migração ilegal para a Europa. Como se o país já não tivesse problemas suficientes!”, escreve o jornalista Bachir Amroune.
Para tentar contornar a indignação popular, o governo do presidente Beji Caid Essebsi estuda um plano para aumentar o auxílio às famílias mais pobres, mas ainda não há detalhes nem data para a entrada em vigor.
Segundo o Ministério do Interior tunisiano, desde o início da onda de protestos mais de 800 pessoas já foram presas por vandalismo e violência, como lançamento de bombas caseiras contra a polícia.
Recentemente, a polícia adotou uma nova abordagem para prevenir a violência em protestos. A corporação passou a apostar na hashtag “Não destrua o seu país, a Tunísia precisa de você” para conscientizar os manifestantes. A ideia de investir mais em comunicação do que em repressão foi elogiada e apontada como uma prova de que o país deixou o passado autoritário para trás.DW
Estopim dos protestos foi o aumento de impostos implementado em 1º de janeiro (Foto: AFP)
Lar dos primeiros protestos que em 2011 deram início à Primavera Árabe, a Tunísia vive um momento de incerteza.
Em 2011, a Revolução dos Jasmins derrubou o governo autocrata de Zine El Abidine Ben Ali e iniciou uma transição democrática elogiada internacionalmente. Porém, passados sete anos, a população ainda não colheu os frutos da revolução. Desemprego e crise econômica ainda são problemas graves, bem como o déficit estatal em mais de 6%.
Tal cenário alimentou a indignação popular diante das concessões feitas pelo governo tunisiano ao Fundo Monetário Internacional (FMI), o principal credor do país.
Um acordo entre o governo e a instituição prevê créditos de 2,4 bilhões de euros (cerca de R$ 2,4 milhões de reais) por ano até 2020. Em troca, o governo se comprometeu a se retirar em larga escala da economia e de seu papel de empregador, o que teve efeitos econômicos e sociais devastadores, especialmente em áreas rurais do país, historicamente negligenciadas.
Em 1º de janeiro a entrada em vigor do aumento do imposto sobre valor agregado e das contribuições sociais, como parte das medidas de austeridade exigidas pelo FMI, deu início a maior onda de protestos no país desde 2011. Os protestos começaram de maneira pacífica, mas rapidamente se tornaram violentos e se alastraram por mais de 20 cidades.
Diferentemente da época da Primavera Árabe, a Tunísia hoje se encontra sem ter a quem recorrer, como aponta um artigo publicado no site da emissora alemã Deustche Welle.
“Há anos, os supostos amigos europeus da Tunísia a têm deixado na mão. Na realidade, eles só cuidam, meticulosamente, de seus próprios interesses; garantem para si um lucrativo acesso ao mercado de consumo e de trabalho tunisiano, sem retribuição real. Em vez disso, exigem mais engajamento no combate à migração ilegal para a Europa. Como se o país já não tivesse problemas suficientes!”, escreve o jornalista Bachir Amroune.
Para tentar contornar a indignação popular, o governo do presidente Beji Caid Essebsi estuda um plano para aumentar o auxílio às famílias mais pobres, mas ainda não há detalhes nem data para a entrada em vigor.
Segundo o Ministério do Interior tunisiano, desde o início da onda de protestos mais de 800 pessoas já foram presas por vandalismo e violência, como lançamento de bombas caseiras contra a polícia.
Recentemente, a polícia adotou uma nova abordagem para prevenir a violência em protestos. A corporação passou a apostar na hashtag “Não destrua o seu país, a Tunísia precisa de você” para conscientizar os manifestantes. A ideia de investir mais em comunicação do que em repressão foi elogiada e apontada como uma prova de que o país deixou o passado autoritário para trás.DW

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