Ciência estuda novos meios para retardar o envelhecimento
A ciência não tem meios para interromper o processo de envelhecimento, mas pode retardá-lo (Fonte: Reprodução/The Economist)
Imagine um mundo onde os transplantes de coração, fígado ou rim serão feitos com órgãos gerados pelas células do organismo do receptor, uma prática tão comum como é hoje colocar uma prótese de joelho e de quadril. Ou um mundo no qual as pessoas irão comemorar o aniversário de 94 anos correndo uma maratona com colegas de colégio. Imagine, em outras palavras, um mundo onde o envelhecimento não exista mais.
Esse mundo ainda não se materializou. Mas já é possível antever o progresso da ciência. A debilidade física e mental associada à idade está sendo estudada por médicos e biólogos. A ciência não tem meios para interromper o processo de envelhecimento, mas pode retardá-lo. A média de expectativa de vida aumentou muito ao longo do último século, graças aos cuidados com a alimentação, moradia, saúde pública e novos medicamentos. Agora, medicamentos específicos para combater a senilidade, alguns já existentes, prometem aumentar ainda mais a expectativa de vida.
Em uma perspectiva otimista, muitas pessoas prolongarão suas vidas até uns 120 anos. Porém, isso é apenas o começo. Na próxima etapa não só a média da expectativa de vida aumentará, como também a expectativa máxima de vida. Se uma parte do corpo sofrer um processo de desgaste novas técnicas e medicamentos irão reverter esse processo, ou em um caso mais extremo será substituída. Os genes e as células terão um ciclo de renovação constante para prolongar a vida. E com os medicamentos de combate ao envelhecimento os centenários serão pessoas comuns e ativas na sociedade.
Do ponto de vista pessoal, viver muito e com qualidade de vida é ótimo. Entretanto, no contexto da sociedade essa expectativa de vida mais longa terá efeitos profundos, na maioria benéficos. Porém, outros são mais complexos. Uma vida mais longa agravará os problemas sociais e econômicos atuais. O acesso aos tratamentos de combate ao envelhecimento é o desafio mais imediato. Como são tratamentos caros, quem terá acesso primeiro? A renda é um dos principais fatores que influenciam a expectativa de vida. Os tratamentos inacessíveis aos pobres aprofundarão as divisões socioeconômicas que causam tensão nas democracias.
A mão de obra de pessoas idosas será discriminada, como é hoje, ou o número maior de idosos no mercado de trabalho representará uma vantagem em relação aos jovens? Será que a permanência por mais tempo de pessoas mais velhas em cargos de chefia irá impedir o crescimento profissional de seus subordinados? Ou será que depois de anos de trabalho na mesma área os idosos vão querer fazer algo totalmente diferente? Essas pessoas, que conseguiram manter o vigor intelectual e físico da juventude, se considerariam velhas e adotariam a posição conservadora habitual, ou defenderiam valores mais modernos?
No entanto, é mais provável que a experiência de uma vida longa que proporcionaria uma série de começos, e não de uma única vida previsível, daria às pessoas mais velhas mais flexibilidade na maneira de agir e pensar.The Economist
Imagine um mundo onde os transplantes de coração, fígado ou rim serão feitos com órgãos gerados pelas células do organismo do receptor, uma prática tão comum como é hoje colocar uma prótese de joelho e de quadril. Ou um mundo no qual as pessoas irão comemorar o aniversário de 94 anos correndo uma maratona com colegas de colégio. Imagine, em outras palavras, um mundo onde o envelhecimento não exista mais.
Esse mundo ainda não se materializou. Mas já é possível antever o progresso da ciência. A debilidade física e mental associada à idade está sendo estudada por médicos e biólogos. A ciência não tem meios para interromper o processo de envelhecimento, mas pode retardá-lo. A média de expectativa de vida aumentou muito ao longo do último século, graças aos cuidados com a alimentação, moradia, saúde pública e novos medicamentos. Agora, medicamentos específicos para combater a senilidade, alguns já existentes, prometem aumentar ainda mais a expectativa de vida.
Em uma perspectiva otimista, muitas pessoas prolongarão suas vidas até uns 120 anos. Porém, isso é apenas o começo. Na próxima etapa não só a média da expectativa de vida aumentará, como também a expectativa máxima de vida. Se uma parte do corpo sofrer um processo de desgaste novas técnicas e medicamentos irão reverter esse processo, ou em um caso mais extremo será substituída. Os genes e as células terão um ciclo de renovação constante para prolongar a vida. E com os medicamentos de combate ao envelhecimento os centenários serão pessoas comuns e ativas na sociedade.
Do ponto de vista pessoal, viver muito e com qualidade de vida é ótimo. Entretanto, no contexto da sociedade essa expectativa de vida mais longa terá efeitos profundos, na maioria benéficos. Porém, outros são mais complexos. Uma vida mais longa agravará os problemas sociais e econômicos atuais. O acesso aos tratamentos de combate ao envelhecimento é o desafio mais imediato. Como são tratamentos caros, quem terá acesso primeiro? A renda é um dos principais fatores que influenciam a expectativa de vida. Os tratamentos inacessíveis aos pobres aprofundarão as divisões socioeconômicas que causam tensão nas democracias.
A mão de obra de pessoas idosas será discriminada, como é hoje, ou o número maior de idosos no mercado de trabalho representará uma vantagem em relação aos jovens? Será que a permanência por mais tempo de pessoas mais velhas em cargos de chefia irá impedir o crescimento profissional de seus subordinados? Ou será que depois de anos de trabalho na mesma área os idosos vão querer fazer algo totalmente diferente? Essas pessoas, que conseguiram manter o vigor intelectual e físico da juventude, se considerariam velhas e adotariam a posição conservadora habitual, ou defenderiam valores mais modernos?
No entanto, é mais provável que a experiência de uma vida longa que proporcionaria uma série de começos, e não de uma única vida previsível, daria às pessoas mais velhas mais flexibilidade na maneira de agir e pensar.The Economist

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