Wayde van Niekerk e a identidade parda no pós-apartheid
Wayce quebrou o recorde mundial da prova dos 400 metros nas Olimpíadas do Rio (Fotos: Twitter/Odessa Swarts)
O velocista sul-africano Wayde van Niekerk, porta bandeira de seu país na abertura dos Jogos no Rio, surpreendeu o mundo no último domingo, 14, ao pulverizar o recorde mundial dos 400 metros rasos mantido pelo americano Michael Johnson há 17 anos. Van Niekerk levou a medalha de ouro na competição depois de completar a corrida em impressionantes 43,03 segundos, cerca de quatro metros à frente do segundo colocado. O recorde de Michael Johnson era 43,18 segundos.
Após a vitória de Niekerk, muitos sulafricanos foram às redes sociais para identificar Van Niekerk como um sul-africano “pardo” e exaltar a população de cerca de 3 milhões de pardos do país, chamados de “coloured”, termo considerado politicamente incorreto nos EUA, mas que é usado na África do Sul para designar aqueles que não são considerados nem brancos nem pretos.
Em seguida, surgiram questionamentos nas mídias sociais sul-africanas sobre se existe, de fato, uma raça chamada parda ou se isso é uma tentativa de anular ou diminuir a identidade do negro. O líder do partido político da consciência negra Black Land First (BLF) disse, peloTwitter, que reduzir van Niekerk a um herói pardo é tentar separá-lo da maioria negra do país. “É um autoflagelo. Wayde é negro”, disse Andile Mngxitama. “Aceitar a estratégia do apartheid de dividir para subjugar mostra o quanto ainda precisamos da consciência negra”.
A mãe de Wayde, a ex-velocista Odessa Swarts, cresceu sob o regime opressivo do apartheid, batendo recordes provinciais em ambos os 100 e 200 metros, mas nunca chegando a competir no cenário mundial. Em uma entrevista recente, ela atribui sua falta de ambição à época, ao fato de que corredores sul-africanos pardos não tinham modelos no esporte em quem se espelhar.
A África do Sul foi proibida de participar das Olimpíadas entre 1964 e 1988 como punição pelo apartheid. Neste período, as delegações esportivas oficiais do país incluíam apenas atletas brancos. O país voltou às Olimpíadas apenas em 1992.Daily Maverick
O velocista sul-africano Wayde van Niekerk, porta bandeira de seu país na abertura dos Jogos no Rio, surpreendeu o mundo no último domingo, 14, ao pulverizar o recorde mundial dos 400 metros rasos mantido pelo americano Michael Johnson há 17 anos. Van Niekerk levou a medalha de ouro na competição depois de completar a corrida em impressionantes 43,03 segundos, cerca de quatro metros à frente do segundo colocado. O recorde de Michael Johnson era 43,18 segundos.
Após a vitória de Niekerk, muitos sulafricanos foram às redes sociais para identificar Van Niekerk como um sul-africano “pardo” e exaltar a população de cerca de 3 milhões de pardos do país, chamados de “coloured”, termo considerado politicamente incorreto nos EUA, mas que é usado na África do Sul para designar aqueles que não são considerados nem brancos nem pretos.
Em seguida, surgiram questionamentos nas mídias sociais sul-africanas sobre se existe, de fato, uma raça chamada parda ou se isso é uma tentativa de anular ou diminuir a identidade do negro. O líder do partido político da consciência negra Black Land First (BLF) disse, peloTwitter, que reduzir van Niekerk a um herói pardo é tentar separá-lo da maioria negra do país. “É um autoflagelo. Wayde é negro”, disse Andile Mngxitama. “Aceitar a estratégia do apartheid de dividir para subjugar mostra o quanto ainda precisamos da consciência negra”.
A mãe de Wayde, a ex-velocista Odessa Swarts, cresceu sob o regime opressivo do apartheid, batendo recordes provinciais em ambos os 100 e 200 metros, mas nunca chegando a competir no cenário mundial. Em uma entrevista recente, ela atribui sua falta de ambição à época, ao fato de que corredores sul-africanos pardos não tinham modelos no esporte em quem se espelhar.
A África do Sul foi proibida de participar das Olimpíadas entre 1964 e 1988 como punição pelo apartheid. Neste período, as delegações esportivas oficiais do país incluíam apenas atletas brancos. O país voltou às Olimpíadas apenas em 1992.Daily Maverick

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