Onda de refugiados vai gerar desequilíbrio de gênero na Europa

Mulheres representam apenas 27% do total acolhido no ano passado (Foto: Flickr/IFRC)

Uma recente pesquisa do Pew Research Center revelou dados interessantes sobre a imigração na Europa. Porém, um deles é assustador: as mulheres representam apenas 27% do total de refugiados que chegou ao continente em 2015.

O número de homens superava em muito o de mulheres em todas as faixas etárias e países de origem pesquisados. A diferença é ainda mais profunda em imigrantes de origem africana, árabe e indiana. Gâmbia, Paquistão e Bangladesh, por exemplo, tinham apenas homens entre os refugiados que chegaram à Europa. Nenhuma mulher sequer.

Logo, os países que acolhem os refugiados podem acabar com desequilíbrio populacional entre homens e mulheres. Isso seria um problema já que até mesmo uma pequena diferença já tem grandes impactos sociais. No caso dos refugiados, que já são predispostos a sofrer com a solidão por conta de seu isolamento e afastamento de casa, a falta de mulheres aumenta a desesperança em firmar um relacionamento de longo prazo e formar uma família. E isso é uma receita para um desastre.

Uma das soluções seria a Europa permitir a entrada de uma onda adicional de imigrantes dos mesmos países que os homens que chegaram antes ao continente. Porém, isso levaria a outro problema.

Somente no ano passado, os países mais procurados pelos imigrantes tiveram um aumento de 1% na população estrangeira. Permitir a entrada adicional de mulheres faria esse número crescer mais e novamente em um curto espaço de tempo.

Não há nenhum mal em receber refugiados, mas é fato que os países acolhedores, especialmente aqueles de cultura homogênea, precisam de um tempo para absorver o fluxo e acomodar os que já chegaram. A onda recebida no ano passado, já desgastou bastante os sistemas políticos e sociais de muitos países acolhedores. Receber mais, em pouco tempo, pode exaurir tais sistemas.

Infelizmente, não há opções. Os refugiados já estão na Europa. O melhor que os países acolhedores podem fazer agora é se preparar para enfrentar o desafio do desequilíbrio de gênero.Bloomberg

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