POLÍTICA NOS EUA - Por que é improvável que Michelle concorra à presidência

O mais provável é que Michelle siga carreira na área de causas sociais e morais (Foto: Flickr/DFID)

Este ano, Michelle Obama roubou a cena ao fazer um discurso impactante na Convenção Nacional Democrata, em julho. No mês passado, ela tornou a empolgar o mundo ao fazer um discurso onde teceu duras críticas a Donald Trump.

Os discursos e a personalidade de Michelle, uma das mais admiradas primeiras-damas que os EUA já tiveram, semeou em seus entusiastas a possibilidade de que, um dia, ela venha a se tornar candidata à presidência.

Porém, analistas e pessoas próximas à Michelle consideram improvável que ela siga carreira política. O próprio presidente Barack Obama desiludiu os admiradores de Michelle no mês passado, ao afirmar em entrevista ao apresentador de TV, Jimmy Kimmel, que ela não gosta de política.

“Michelle nunca foi louca por política. Ela uma vez me disse ‘Eu tento organizar a minha vida para não ter muita bagunça ao redor, e a política é uma grande confusão’”.

David Axelrod, coordenador da campanha de Obama, concorda. Em uma ocasião, durante uma entrevista a uma emissora de rádio, ele disse que “apostaria tudo” contra a probabilidade Michelle seguir carreira política. Além dele, um familiar da primeira-dama, que não quis se identificar, disse ao Guardian o que Michelle acha da política: “Ela detesta”.

Neil Stroka, diretor de comunicação da organização ‎Democracy for America, diz que “ficaria imensamente chocado se a primeira-dama seguisse carreira política”. “Há uma tendência em acreditar que o passado é um prelúdio do futuro porque a ex-primeira-dama Hillary Clinton se tornou uma figura política e tanto, mas não acho que esse seja o caso”.

Segundo Sroka, grande parte da admiração que Michelle desperta se deve justamente ao fato de que ela se mantém “o mais distante possível da política, diante da oposição que ocupa”. “Logo que ela se tornasse uma figura política, perderia esse poder”.

Para a família e analistas políticos, o mais provável é que Michelle siga carreira na área de causas sociais e morais, questões às quais ela já vem se dedicando. “Ela é o centro moral dos EUA. [..] Acho que ela considera política algo muito sujo e não quer estar no meio disso”, disse Joshua Kendall, historiador autor de First Dads, um estudo sobre presidentes e suas respectivas famílias.

No mês passado, Michelle deu indícios de que pretende seguir na área social ao se despedir da equipe que ajudava a cuidar da adorada horta orgânica que ela plantou no jardim da Casa Branca. “Eu não aderi a essa questão apenas como primeira-dama. Fiz isso porque sou uma mãe que se preocupa profundamente com a saúde e o bem-estar de minhas filhas. Fiz isso porque sou uma cidadã que ama esse país e se importa com o futuro de nossas crianças. Logo, pretendo continuar trabalhando nesta questão pelo resto de minha vida”.The Guardian

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