NEGOCIAÇÕES - Adesão da Turquia à UE é cada vez mais difícil
Parlamento Europeu pediu aos líderes da UE para interromper as negociações de adesão iniciadas em 2005 (Fonte: Reprodução/AP)
Antes da Guerra do Golfo em 1990, apoiada pelo então presidente da Turquia, Turgut Ozal, apesar da oposição popular, Ozal posou para as câmeras dentro de um tanque do exército e declarou: “Estou seguindo um atalho para a Comunidade Europeia.” Vinte e cinco anos depois, o sonho da Turquia de ser um país membro da União Europeia (UE) está se desvanecendo. Com críticas contra a brutal repressão após a tentativa de golpe de Estado em julho, em 24 de novembro o Parlamento Europeu pediu aos líderes da UE para interromper as negociações de adesão iniciadas em 2005.
O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, reagiu ao pedido do Parlamento Europeu no dia seguinte, com a ameaça de enviar os 3 milhões de refugiados que vivem no país para a Europa. “Vocês traíram suas promessas”, disse, referindo-se ao acordo com a UE, no qual a Turquia acolheria os refugiados em troca da ajuda financeira de bilhões de euros e a promessa de livre circulação na Europa para os cidadãos turcos.
É provável que os governantes dos países da UE que irão discutir a questão da Turquia na conferência de cúpula em 15 de dezembro não atendam ao pedido do Parlamento. Erdogan é muito impopular na Europa, e os principais políticos da França, Alemanha e Holanda, confrontados com as eleições no próximo ano, hesitam em ter uma atitude condescendente com ele. Porém, receiam ainda mais uma nova crise de refugiados. Muitos também estão relutantes em prejudicar os investimentos na Turquia. “Se balançar demais o barco”, disse Marc Pierini, ex-embaixador da UE na Turquia, “colocaremos em risco nossos interesses econômicos”.
No entanto, a atual relação é insustentável. O apoio da Europa à adesão da Turquia é quase nulo. Erdogan, por sua vez, considera que a Turquia tem o direito de pertencer à União Europeia por sua importância estratégica. Se algum dia existiu um atalho para a UE, ele não o encontrou. Hoje, seu governo desrespeita abertamente as regras da UE.
Das 37 mil pessoas presas desde o golpe de Estado fracassado em julho, entre as quais mais de 100 jornalistas e alguns deputados de um partido de apoio aos curdos, só uns poucos foram formalmente acusados. Cerca de 120 mil pessoas presas, inclusive quase 16 mil na semana passada, foram demitidas de seus empregos ou tiveram suas atividades suspensas. As denúncias de tortura de detentos aumentam, embora os funcionários do governo as neguem.
O discurso de Ancara tem sido hostil. Erdogan acusa o Ocidente de apoiar o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e até mesmo o Estado Islâmico. O ministro das Relações Exteriores vangloria-se da recusa em atender as chamadas telefônicas do ministro das Relações Exteriores da Alemanha. Os jornais pró-governo dizem, sem citar provas, que as autoridades do Ocidente conspiram contra a Turquia. Os diplomatas europeus advertem que os danos à política europeia poderão ser difíceis de reverter. “Com o prolongamento desses atritos, mais a UE se fechará em seu mundo”, disse um deles. Nesse ritmo, a ruptura entre a Turquia e a UE é apenas uma questão de tempo.
The Economist
Antes da Guerra do Golfo em 1990, apoiada pelo então presidente da Turquia, Turgut Ozal, apesar da oposição popular, Ozal posou para as câmeras dentro de um tanque do exército e declarou: “Estou seguindo um atalho para a Comunidade Europeia.” Vinte e cinco anos depois, o sonho da Turquia de ser um país membro da União Europeia (UE) está se desvanecendo. Com críticas contra a brutal repressão após a tentativa de golpe de Estado em julho, em 24 de novembro o Parlamento Europeu pediu aos líderes da UE para interromper as negociações de adesão iniciadas em 2005.
O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, reagiu ao pedido do Parlamento Europeu no dia seguinte, com a ameaça de enviar os 3 milhões de refugiados que vivem no país para a Europa. “Vocês traíram suas promessas”, disse, referindo-se ao acordo com a UE, no qual a Turquia acolheria os refugiados em troca da ajuda financeira de bilhões de euros e a promessa de livre circulação na Europa para os cidadãos turcos.
É provável que os governantes dos países da UE que irão discutir a questão da Turquia na conferência de cúpula em 15 de dezembro não atendam ao pedido do Parlamento. Erdogan é muito impopular na Europa, e os principais políticos da França, Alemanha e Holanda, confrontados com as eleições no próximo ano, hesitam em ter uma atitude condescendente com ele. Porém, receiam ainda mais uma nova crise de refugiados. Muitos também estão relutantes em prejudicar os investimentos na Turquia. “Se balançar demais o barco”, disse Marc Pierini, ex-embaixador da UE na Turquia, “colocaremos em risco nossos interesses econômicos”.
No entanto, a atual relação é insustentável. O apoio da Europa à adesão da Turquia é quase nulo. Erdogan, por sua vez, considera que a Turquia tem o direito de pertencer à União Europeia por sua importância estratégica. Se algum dia existiu um atalho para a UE, ele não o encontrou. Hoje, seu governo desrespeita abertamente as regras da UE.
Das 37 mil pessoas presas desde o golpe de Estado fracassado em julho, entre as quais mais de 100 jornalistas e alguns deputados de um partido de apoio aos curdos, só uns poucos foram formalmente acusados. Cerca de 120 mil pessoas presas, inclusive quase 16 mil na semana passada, foram demitidas de seus empregos ou tiveram suas atividades suspensas. As denúncias de tortura de detentos aumentam, embora os funcionários do governo as neguem.
O discurso de Ancara tem sido hostil. Erdogan acusa o Ocidente de apoiar o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e até mesmo o Estado Islâmico. O ministro das Relações Exteriores vangloria-se da recusa em atender as chamadas telefônicas do ministro das Relações Exteriores da Alemanha. Os jornais pró-governo dizem, sem citar provas, que as autoridades do Ocidente conspiram contra a Turquia. Os diplomatas europeus advertem que os danos à política europeia poderão ser difíceis de reverter. “Com o prolongamento desses atritos, mais a UE se fechará em seu mundo”, disse um deles. Nesse ritmo, a ruptura entre a Turquia e a UE é apenas uma questão de tempo.
The Economist

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