TRANSIÇÃO ECONÔMICA - China se declara economia de mercado

Anúncio foi feito no último domingo, 11, fim do prazo dado pela OMC para a reforma da economia chinesa (Foto: Wikimedia)

Após 15 anos da assinatura do tratado de adesão à Organização Mundial do Comércio (OMC), a China reivindica o status de “economia de mercado”. O país afirma que realizou a transição econômica, com a abertura de seu mercado e mudanças em suas leis, e que chegou a hora de integrar o sistema multilateral do comércio com plenos direitos.

O anúncio da China foi feito no último domingo, 11, data em que se encerrou o prazo para o país reformar sua economia, no acordo estabelecido em 2001. Com isso, os chineses esperam obter o reconhecimento dos outros países-membros da OMC e serem taxados como as demais economias do mundo.

No entanto, países como Estados Unidos, Índia e Japão se recusam a aceitar o status de economia de mercado. Isso se deve à política chinesa de exportar produtos com preços bem abaixo da média do mercado. Dessa forma, esses países garantem que continuarão aplicando tarifas (conhecidas como antidumping) contra produtos chineses.

De acordo com a OMC, as maiores economias do mundo aplicaram 547 medidas antidumping entre 2008 e 2016 contra produtos chineses. Com isso, Pequim é o principal alvo dessas medidas entre os países do G-20.

Diplomatas chineses não escondem a frustração de não ter o reconhecimento das principais economias do mundo. Entretanto, o Ministério do Comércio chinês já anuncia que quem não seguir essa linha será alvo de disputas comerciais e retaliações. “As medidas necessárias serão tomadas”, declarou Shen Danyang, porta-voz de Pequim.

Atualmente, cerca de 80 países reconhecem Pequim como uma economia de mercado, entre eles Rússia, Nova Zelândia, Suíça e Austrália, graças a investimentos feitos em outros países, como foi feito na Argentina em 2004 – em que o então presidente Hu Jintao prometeu investir US$ 19 bilhões no país em troca do reconhecimento da economia de mercado.

Para diplomatas, o novo status econômico da China vai além da questão da aplicação ou não de tarifas aos produtos chineses. Trata-se uma nova definição do lugar da China no mundo.Estado de S. Paulo

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