ACESSO À INTERNET
Empresas de telefonia do Brasil querem fim da neutralidade da rede
Neutralidade da rede impede que empresas de telefonia cobrem valores diferentes por serviços digitais (Foto: Pixabay)
As empresas de telefonia que operam no Brasil vão pedir, em 2018, o fim da neutralidade da rede no país. O pedido vem na esteira da discussão sobre o tema nos Estados Unidos, onde na última quinta-feira, 14, uma decisão da Federal Communications Commision (FCC), a agência de telecomunicação americana, derrubou as regras que proibiam cobranças diferenciadas na oferta de internet.
A neutralidade da rede impede que as empresas cobrem valores diferentes por serviços digitais, como fazer do acesso à Netflix mais caro do que o acesso ao Facebook. Além disso, a neutralidade ainda impede o bloqueio de acessos a conteúdos e aplicativos, diminuição na velocidade de navegação ou o favorecimento de uma empresa de telefonia em um serviço específico.
O presidente do FCC, Ajit Pai, indicado por Donald Trump, já havia revelado que queria aprovar a desregulamentação da internet até meados de dezembro. Já no Brasil, a ex-presidente Dilma Rousseff assinou em 2016 um decreto que tornou ainda mais rígida a regulamentação da internet feita pelo Marco Civil, proibindo a cobrança diferenciada no tráfego na rede.
Segundo o decreto de 2016, todo o fluxo de informações na rede tem o mesmo peso, seja um e-mail ou um vídeo no YouTube. Na época, as empresas de telefonia fecharam um acordo com provedores de conteúdo e o governo federal para fazer gestão do tráfego na rede sem que fosse considerado discriminação.
De acordo com as empresas, os equipamentos instalados na rede para gerir as informações da internet podem segurar pacotes de dados por milissegundos para dar passagem para outros pacotes sem que isso interfira na velocidade da navegação contratada. A esperança das empresas é que, com o fim da neutralidade das redes nos EUA, o decreto seja revisto até o fim do primeiro trimestre de 2018.
As empresas de telefonia podem optar por não cobrar mais pelo uso de serviços amplamente populares, como o Netflix. A revogação da neutralidade da rede não torna legal para os provedores de serviços de internet censurar conteúdo ou discriminar outras empresas. Nos EUA, a FCC será responsável pelo policiamento dos fornecedores de serviços de internet por abusos.
No entanto, argumentam os ativistas, eles poderiam acelerar as novidades desconhecidas, as empresas que de outra forma se tornariam a próxima Netflix, Amazon, Google ou Facebook. No fim das contas, o discussão sobre a neutralidade da rede é sobre se os prestadores de serviços de internet devem ser regulamentados antes de terem demonstrado que podem abusar do seu poder, ou apenas depois de terem feito isso. A FCC optou pelo último.
Neutralidade da rede
Neutralidade da rede é o princípio de que todo o tráfego de internet, seja da Netflix, de aplicativos ou de um site de notícias, é tratado de forma igual pelas empresas que transportam esse tráfego. Nos primórdios da internet, esse princípio não era realmente necessário. Na época, não havia serviços como Netflix, que consome muito mais dados na internet que outros serviços, e colocam pressão sobre a infraestrutura da banda larga e sem fio.
Com o surgimento dos serviços de streaming e sua tecnologia em mídia de transmissão, as empresas de banda larga começaram a sugerir que, talvez, eles tenham de cobrar mais por alguns tipos de tráfego ou diminuir a velocidade de alguns serviços.
Defensores da neutralidade da rede argumentam que, se os provedores pudessem discriminar entre os diferentes tipos de tráfego, eles teriam muito poder sobre a internet. Eles poderiam privilegiar seus próprios serviços sobre os concorrentes, ou eles poderiam até acelerar ou bloquear alguns serviços.
Ou seja, a neutralidade impede que os serviços sejam vendidos separadamente, permitindo apenas a venda como pacote, como funciona atualmente. Sem a regulamentação, nada impediria que as empresas de telefonia cobrassem valores diferentes para acessar serviços de streaming, sites de músicas ou redes sociais.Folha de São Paulo
Neutralidade da rede impede que empresas de telefonia cobrem valores diferentes por serviços digitais (Foto: Pixabay)
As empresas de telefonia que operam no Brasil vão pedir, em 2018, o fim da neutralidade da rede no país. O pedido vem na esteira da discussão sobre o tema nos Estados Unidos, onde na última quinta-feira, 14, uma decisão da Federal Communications Commision (FCC), a agência de telecomunicação americana, derrubou as regras que proibiam cobranças diferenciadas na oferta de internet.
A neutralidade da rede impede que as empresas cobrem valores diferentes por serviços digitais, como fazer do acesso à Netflix mais caro do que o acesso ao Facebook. Além disso, a neutralidade ainda impede o bloqueio de acessos a conteúdos e aplicativos, diminuição na velocidade de navegação ou o favorecimento de uma empresa de telefonia em um serviço específico.
O presidente do FCC, Ajit Pai, indicado por Donald Trump, já havia revelado que queria aprovar a desregulamentação da internet até meados de dezembro. Já no Brasil, a ex-presidente Dilma Rousseff assinou em 2016 um decreto que tornou ainda mais rígida a regulamentação da internet feita pelo Marco Civil, proibindo a cobrança diferenciada no tráfego na rede.
Segundo o decreto de 2016, todo o fluxo de informações na rede tem o mesmo peso, seja um e-mail ou um vídeo no YouTube. Na época, as empresas de telefonia fecharam um acordo com provedores de conteúdo e o governo federal para fazer gestão do tráfego na rede sem que fosse considerado discriminação.
De acordo com as empresas, os equipamentos instalados na rede para gerir as informações da internet podem segurar pacotes de dados por milissegundos para dar passagem para outros pacotes sem que isso interfira na velocidade da navegação contratada. A esperança das empresas é que, com o fim da neutralidade das redes nos EUA, o decreto seja revisto até o fim do primeiro trimestre de 2018.
As empresas de telefonia podem optar por não cobrar mais pelo uso de serviços amplamente populares, como o Netflix. A revogação da neutralidade da rede não torna legal para os provedores de serviços de internet censurar conteúdo ou discriminar outras empresas. Nos EUA, a FCC será responsável pelo policiamento dos fornecedores de serviços de internet por abusos.
No entanto, argumentam os ativistas, eles poderiam acelerar as novidades desconhecidas, as empresas que de outra forma se tornariam a próxima Netflix, Amazon, Google ou Facebook. No fim das contas, o discussão sobre a neutralidade da rede é sobre se os prestadores de serviços de internet devem ser regulamentados antes de terem demonstrado que podem abusar do seu poder, ou apenas depois de terem feito isso. A FCC optou pelo último.
Neutralidade da rede
Neutralidade da rede é o princípio de que todo o tráfego de internet, seja da Netflix, de aplicativos ou de um site de notícias, é tratado de forma igual pelas empresas que transportam esse tráfego. Nos primórdios da internet, esse princípio não era realmente necessário. Na época, não havia serviços como Netflix, que consome muito mais dados na internet que outros serviços, e colocam pressão sobre a infraestrutura da banda larga e sem fio.
Com o surgimento dos serviços de streaming e sua tecnologia em mídia de transmissão, as empresas de banda larga começaram a sugerir que, talvez, eles tenham de cobrar mais por alguns tipos de tráfego ou diminuir a velocidade de alguns serviços.
Defensores da neutralidade da rede argumentam que, se os provedores pudessem discriminar entre os diferentes tipos de tráfego, eles teriam muito poder sobre a internet. Eles poderiam privilegiar seus próprios serviços sobre os concorrentes, ou eles poderiam até acelerar ou bloquear alguns serviços.
Ou seja, a neutralidade impede que os serviços sejam vendidos separadamente, permitindo apenas a venda como pacote, como funciona atualmente. Sem a regulamentação, nada impediria que as empresas de telefonia cobrassem valores diferentes para acessar serviços de streaming, sites de músicas ou redes sociais.Folha de São Paulo

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