BRASIL ESPERANÇA

Jovens brasileiros querem renovar a política

Em outubro, o congresso criou o fundo partidário para a próxima eleição de 2018 (Foto: Agência Brasil)

Jovens brasileiros querem renovar o cenário político brasileiro. No entanto, não será uma tarefa fácil. Candidatos independentes são proibidos e partidos não gostam de receber novatos. Em alguns estados, os lugares ficam nas mãos de famílias conhecidas.

Daniel José Oliveira, 29, é um desses jovens. Ele morava com o pai, a mãe e seus 10 irmãos no interior de São Paulo, na cidade de Bragança Paulista. Após ganhar uma bolsa de estudos em uma escola católica, ele estudou Economia em São Paulo. Começou a trabalhar na J. P. Morgan, ganhou uma bolsa de estudo para Universidade de Yale e uma oferta de trabalho para outra empresa de investimento americana. Mas em 2015, com a crise econômica e política no Brasil, ele resolveu voltar para o país de origem. Inspirado no En Marche!, partido liberal francês que colocou Macron na presidência, ele espera ser eleito em outubro como deputado federal de São Paulo.

A média de idade dos eleitos em 2014 na Câmara dos Deputados era de 50 anos. Três anos após a Operação Lava Jato, 40% dos parlamentares estão sob investigação. A confiança no Congresso está cada vez mais baixa.

Em 2010, o palhaço Tiririca foi eleito com o slogan “Pior do que está não fica”. Mas em dezembro deste ano, ele disse que não vai se reeleger. “Apenas oito dos 513 realmente aparecem aqui. Eu sou um desses oito e sou um palhaço”, disse o deputado.

Em outubro, o Congresso criou o fundo partidário para a próxima eleição de 2018. O dinheiro e o horário de TV vão ser proporcionais à representação atual do partido, o que frustra novatos na política. “O Congresso é como um câncer. Ele não está trabalhando para os melhores interesses do corpo, está se defendendo para sobreviver”, disse Oliveira.

Oliveira se inscreveu no Renova BR, um programa que apoia jovens brasileiros que querem concorrer ao Congresso. Financiado por empreendedores, o programa oferece 150 cursos em instituições brasileiras além de conselhos de campanha. Os participantes vão receber um salário de R$ 12 mil.

Os participantes passam por um processo seletivo. Eles podem ser de qualquer partido, desde que não tenham visões extremistas. Em contrapartida, eles prometem terminar o mandado, justificam suas decisões e evitam contratar membros familiares. Eduardo Mufarej, que iniciou o projeto, espera que pelo menos 45 participantes sejam eleitos.

Outros grupos estão trabalhando para que o Congresso fique mais representativo. A Bancada Ativista, por exemplo, em vez de criar um partido, escolheu oito candidatos de dois partidos já existentes. Apenas um era um homem branco heterossexual.

Já o Agora! está desenvolvendo ideias políticas. O movimento tem grupos de trabalho em diversos temas, de saúde a homicídio.

As eleições de 2018 talvez sejam as mais importantes desde que a democracia foi reinstaurada em 1985, após os 20 anos de regime militar. Mas os resultados também são imprevisíveis. Poucos brasileiros se identificam com o modelo de direita ou esquerda. Isso pode favorecer extremistas, como Jair Bolsonaro. No entanto, isso também pode beneficiar novatos.The Economist

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