RECORDE NEGATIVO BRASIL

Brasil registra número recorde de queimadas

Amazônia representou 50,4% do total de queimadas (Foto: Pixabay)

O Brasil registrou 272 mil focos de incêndio em 2017. Trata-se do maior número de queimadas registrado desde 1999, quando teve início a série histórica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número foi superior ao recorde anterior, registrado em 2004, quando ocorreram 270 mil queimadas.

Este ano, incêndios criminosos já destruíram 986 mil hectares de unidades de conservação, o que corresponde a quase oito vezes o tamanho da cidade do Rio de Janeiro. Já nas terras indígenas, as queimadas aumentaram em 70%, ultrapassando 7 mil.

As queimadas aumentaram nas florestas naturais, chegando a pontos nos quais não havia registro de fogo, e atingindo até mesmo áreas de conservação. Em termos de biomas, o cerrado foi o que mais sofreu com as chamas, representando 75% de toda a destruição nas áreas de conservação federal.

Segundo dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a região da Amazônia foi a que mais sofreu com as chamas: registrando 50,4% do total de queimadas. Já o estado mais afetado pelas queimadas foi o Pará, com 64.983 focos de incêndio ao longo de 2017. Completando a lista dos cinco mais afetados está o Mato Grosso, com 43.987 focos, seguido do Maranhão (33.688), Tocantins (22.531) e Amazonas (15.104).

Mesmo com o aumento na quantidade de incêndio, o ICMBio manteve o mesmo número de brigadistas de 2016, contando com apenas 1.170 pessoas. Já o Ibama teve apenas mil profissionais, o menor número desde a criação do sistema de combate a incêndios florestais.

Mudança no microclima

Na avaliação dos cientistas, dois anos seguidos de seca prolongada aumentaram a gravidade dos incêndios florestais. Além disso, as condições ambientais estão mudando e as florestas estão mais frágeis e inflamáveis devido a cortes de árvores maiores, desmatamento, clareiras abertas, entre outros motivos.

“Com a sequência de anos secos, a parte de floresta que está sujeita a morrer está ficando maior. Há um déficit de água no solo e as clareiras abertas na floresta pelos desmatamentos permitem entrar mais sol. Para cada árvore que tiram, outras 50 são danificadas”, explicou Paulo Barreto, do instituto de pesquisa Imazon.

A área consumida pelas chamas nos últimos dois anos na Amazônia foi muito maior do que a destruída nas secas de 2005 e 2010, segundo o geocientista da Nasa Douglas Morton. Anteriormente, de acordo com Morton, o fogo entrava até dois quilômetros na floresta, enquanto atualmente as queimadas conseguem avançar até 100 quilômetros devido a mudança nas condições climáticas.

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), em Querência (MT), mostrou, através de um teste realizado por seus pesquisadores, que o poder do fogo aumentou depois de três anos de queimadas. Anteriormente, apenas 10% das árvores morriam, enquanto, atualmente, 80% delas morrem.

No Mato Grosso, o governo proibiu queimadas entre os dias 15 de julho e 39 de setembro por se tratar do período mais seco do ano. Mesmo assim, o Inpe registrou 31.599 focos de incêndio no estado. O Código Florestal de 2012 só responsabiliza alguém pelo uso irregular do fogo em caso de flagrante, o que dificulta a eficiência na aplicação da lei.

Segundo Christian Berlinck, coordenador de Emergências Ambientais do ICMBio, os criminosos usam artefatos para retardar o fogo, fazendo com que o incêndio só cresça dez minutos após ser provocado. Dessa forma, pegar uma pessoa em flagrante se torna quase impossível.O Globo

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