RELATÓRIO DA CGU

Prejuízo dos Correios com indenizações triplica em cinco anos

A CGU classificou o aumento nos gastos com as indenizações como 'vertiginoso' (Foto: Wikimedia)

Os gastos dos Correios com indenizações a clientes mais que triplicaram entre 2011 e 2016, saltando de R$ 60 milhões para R$ 201,75 milhões, segundo relatório feito pela Controladoria-Geral da União (CGU). Os prejuízos se referem a pagamentos feitos por atrasos, avarias, extravios e roubos de encomenda e correspondência.

No ano de 2011, foram 954 mil indenizações, enquanto em 2016 foram 10,06 milhões. Nem todas as informações sobre os Correios constavam no relatório, pois a estatal solicitou sigilo ao CGU. Segundo a assessoria da empresa dos Correios, os dados que foram resguardados são relativos “à atuação no âmbito comercial e concorrencial dos Correios”.

A CGU classificou o aumento nos gastos com as indenizações como “vertiginoso”, apontando a questão como um dos problemas que impactam na atual situação econômica da empresa estatal. Já os Correios informaram, através de sua assessoria de imprensa, que “para diminuir os eventos que geram indenizações por motivo de extravio, os Correios têm adotado diversas medidas internas. Entretanto, no que se refere aos roubos, essa é uma questão que foge ao controle da empresa, uma vez que trata-se de um problema de segurança pública”.

Outro gasto considerado preocupante pela CGU foi a despesa com pessoal dos Correios. Segundo o relatório, o número de funcionários da estatal subiu apenas 0,43% entre 2011 e 2016. No entanto, o custo total com empregados cresceu 62,61% no mesmo período. Os gastos com os benefícios pós-emprego – como a previdência complementar e o plano de saúde – quase quadruplicaram, passando de R$ 118,6 milhões, em 2011, para R$ 410,36 milhões, em 2016.

A assessoria de imprensa dos Correios informou que a estatal está fazendo um Programa de Demissão Incentivada, que já demitiu mais de 6 mil funcionários. Além disso, a empresa revelou que os gastos com o plano de saúde dos empregados estão sendo negociados com o Tribunal Superior do Trabalho, pois as conversas com o sindicato fracassaram.

A CGU também se atentou ao fato da estatal ter repassado R$ 2,96 bilhões para a União entre 2011 e 2013, mais do que o mínimo exigido por lei. Os Correios informaram que esses repasses aumentaram o prejuízo da empresa, entre 2014 e 2016, em 35%, reduzindo a capacidade de investimento.

“Se medidas efetivas não forem tomadas, em curto prazo, para ampliação da receita e redução dos custos, principalmente em relação aos benefícios pós-emprego, constata-se que a empresa irá se tornar gradativamente dependente de recursos transferidos pela União para o seu custeio, transformando-se, portanto, em uma empresa dependente”, informou a CGU.G1

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