Mundo vive uma época de ameaças à liberdade de expressão

Sem o livre debate de ideias, o mundo não poderá desenvolver seu potencial criativo (Foto: Youtube)

Em certo sentido, vivemos em uma época em que os meios de comunicação possibilitam uma troca de informações mais rápida e diversificada. Ao mesmo tempo, está cada vez mais perigoso emitir opiniões em público. Sem o livre debate de ideias, como o mundo intelectual, artístico e de avanços políticos e sociais poderia desenvolver seu potencial criativo?

As restrições à liberdade de expressão têm três novas ameaças. A primeira é o crescente aumento da repressão estatal. Diversos países reintroduziram mecanismos de controle usados durante a Guerra Fria ou criaram novas maneiras de cercear a liberdade de expressão. Depois do colapso da antiga União Soviética, a Rússia assistiu ao florescimento de um amplo e vigoroso debate público. Porém sob a presidência de Vladimir Putin, todos os principais canais de noticiários de televisão são controlados pelo Estado ou pelos amigos de Putin. Os jornalistas que fazem perguntas inconvenientes não são mais enviados para campos de trabalho, mas muitos foram mortos.

Em segundo lugar, existe um número preocupante de pessoas que, por livre-arbítrio, exercem a censura por meio de assassinatos. No México, jornalistas que investigam casos de crimes ou de corrupção são muitas vezes torturados antes da execução sumária. Os jihadistas não hesitam em matar alguém que julguem ter insultado sua fé. Escritores e artistas arriscam a vida ao falarem algo que possa ser desrespeitoso com o islã. Blogueiros laicos são espancados até a morte nas ruas de Bangladesh; cartunistas franceses foram assassinados a tiros na redação de seu jornal. Os muçulmanos são os mais prejudicados pelas ações dos jihadistas, porque elas dificultam as discussões francas sobre a forma de organização de suas sociedades.

A terceira ameaça refere-se à ideia, cada vez mais disseminada, que pessoas e grupos têm o direito de não serem ofendidos. Essa ideia pode parecer inócua. Afinal, a educação e o respeito são virtudes que devem ser cultivadas. Mas se uma pessoa tem o direito de não ser ofendida, alguém precisa policiar o que dizem a seu respeito, ou sobre assuntos que julga importantes, como o grupo étnico, religião, ou opiniões políticas. Como as ofensas têm um caráter subjetivo, o poder de policiá-las é amplo e arbitrário.The Economist-Under attack

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