A disputa pelo controle da energia geotérmica no Japão

Governo japonês tenta convencer donos de fontes termais que usinas geotérmicas não prejudicarão suas termas
Como qualquer um que tenha ido ao Japão sabe, há regras rígidas para banhar-se em um onsen, ou fontes termais. Os corpos devem ser esfregados de antemão, trajes de banho são proibidos e tatuagens são consideradas tabu. Contudo, a jurisdição do ramo se estende muito além da banheira. Por décadas, donos de onsen coibiram o desenvolvimento da energia geotérmica, uma fonte com enorme potencial de geração de energia limpa. Eles argumentaram que o aproveitamento de aquíferos aquecidos no vulcânico Japão exaurirá os onsen, aumentará a poluição e estragará uma estimada fonte de relaxamento. Um Japão à beira de esgotar a sua capacidade de geração de energia nuclear, contudo, tem tornado mais difícil a tarefa de resistir à demanda por novas fontes de energia. Três empresas japonesas – Toshiba, Mitsubishi Heavy Industrie e Fuji Electric – controlam mais do que metade do mercado global de turbinas geotérmicas, ainda assim o Japão em si extrai apenas 0,3% de sua energia, ou 537 megawatts, de suas próprias fontes termais. Ao fim de março o ministro do Meio Ambiente afirmou que aboliria regulamentos que restringem o desenvolvimento de usinas geotérmicas em alguns parques nacionais. Empresas como a Idemitsu, uma petroquímica, e outras, rapidamente anunciaram planos de construir uma usina geotérmica nas montanhas do município de Fukushima, que é renomado por suas fontes térmica. Todavia, a empresa acredita que levará dez anos até ser possível gerar energia elétrica. Especialistas dizem que o longo intervalo de tempo reflete algumas das dificuldades de desenvolver um novo negócio no Japão. Tetsunari Iida, presidente do Instituto de Políticas de Energia Renovável, diz que o país precisa de um governo “forte e sábio” que consiga convencer os donos de onsen e comunidades locais que o novo empreendimento não prejudicaria suas termas. Ele também diz que o país precisa de empresas com finanças robustas e uma cultura de risco estabelecida para liderar o processo. Não basta ter o melhor produtor de turbinas do mundo, ele diz. The Economist

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