FHC EM RESPOSTA ÀS CRÍTICAS

FHC diz que carta não foi para presidenciáveis

‘Parece que na conjuntura água mole não racha pedra dura’, disse FHC (Foto: Renato Araujo/ABr)

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso rebateu, neste sábado, 22, as críticas feitas por presidenciáveis à carta divulgada por ele nesta semana, na qual pedia por união do centro político contra candidatos de visões radicais.

Em sua conta oficial no Twitter, FHC disse que o recado não era direcionado aos presidenciáveis, mas sim aos eleitores e eleitoras do país. “Escrevi uma Carta aos eleitores e eleitoras, não aos candidatos ou aos partidos. Há meses repito ser necessário um ‘centro popular e progressista’. Parece que na conjuntura água mole não racha pedra dura. O que não muda minhas convicções”, escreveu FHC.

Na noite da última quinta-feira, 20, FHC publicou em sua página oficial no Facebook uma carta onde alertava que a eleição presidencial deste ano “é um momento decisivo para o país”.

Sem citar nomes, FHC fez alusão aos recentes governos do PT, ao afirmar que “desatinos de política econômica, herdados pelo atual governo” levaram à crise atual. Ele também criticou, sem citar nomes, a ascensão da radicalização na figura do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). “A gravidade de uma facada com intenções assassinas haver ferido o candidato que está à frente nas pesquisas eleitorais deveria servir como um grito de alerta: basta de pregar o ódio, tantas vezes estimulado pela própria vítima do atentado”, escreveu o ex-presidente.

A carta foi interpretada como um alerta contra um possível segundo turno polarizado entre o candidato do PT, Fernando Haddad, e Bolsonaro.

A carta foi recebida com críticas por parte dos presidenciáveis, com exceção de Geraldo Alckmin (PSDB). Ciro Gomes (PDT) afirmou que FHC “é um dos responsáveis pela situação em que o país se encontra”. Guilherme Boulos (Psol) também responsabilizou FHC pelo cenário atual, afirmando que o ex-presidente e o PSDB “são corresponsáveis” pela atual situação de ódio e intolerância.

Marina Silva (Rede) alfinetou FHC ao comparar o PSDB ao PT. “É legítimo que o ex-presidente se coloque, ainda mais quando seu próprio partido vive a mesma dificuldade do partido que hoje já tem um dos seus líderes presos”, disse a presidenciável.

Já Geraldo Alckmin disse não ver problemas no fato de não ter sido citado diretamente e afirmou que “a carta não é para personalizar ninguém. É para evitar os extremos”.EBC

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