quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

MENSAGEM DO DIA

NO PARÁ DO AÇAÍ - JAN 14

VIVENDO NO BRASIL 1


MAIA 'FORA NHONHO'

Bolsa Família 'escraviza as pessoas', diz Maia em Washington


Em palestra no centro de estudos Brazil Institute, em Washington, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), afirmou nesta quarta (17) que o Bolsa Família "escraviza as pessoas" e criticou as políticas sociais dos governos petistas de Lula e Dilma Rousseff.

"Criar um programa para escravizar as pessoas não é um bom programa social. O programa bom é onde você inclui a pessoa e dá condições para que ela volte à sociedade e possa, com suas próprias pernas, conseguir um emprego", disse Maia.

Para o deputado, o Bolsa Família gera "dependência" e "atrela as pessoas ao Estado" ao não oferecer uma porta de saída -ou seja, um emprego ou uma possibilidade de estudo.

Maia, que aspira a disputar a Presidência da República pelo DEM, negou que seja candidato no momento -mas adotou um discurso combativo em relação à crise fiscal e defendeu a "reestruturação do Estado brasileiro", por meio de reformas como a da previdência.

O deputado fez críticas a políticas sociais que chamou de "sobrepostas" e "improdutivas", e disse que elas precisam ser avaliadas em relação ao seu resultado.

Ele citou em especial o Minha Casa Minha Vida, dizendo que foi "um projeto social mal feito" por não ser acompanhado de outras políticas públicas, como geração de renda para as famílias beneficiadas, saneamento básico e instalação de escolas ou postos de saúde nas proximidades dos conjuntos habitacionais.

"Isso vai acabar transformando esses ambientes como o que houve no Rio de Janeiro, com a Vila Kennedy e a Cidade de Deus", disse.

Maia não chegou a defender, porém, o fim do Bolsa Família, que qualificou como "um programa liberal, que garante igualdade de condições, mas não da forma como foi conduzido pelo PT".

CAMPANHA

Apesar de reticente a admitir uma eventual candidatura, Maia afirmou se colocar como um político de centro, que definiu como "um ponto onde as pessoas entendem a importância do diálogo", e não "uma posição entre a esquerda e a direita".

Para ele, o candidato que defender reformas do Estado -algo pelo que advogou por inúmeras vezes durante sua palestra- "tem toda a condição de ser um candidato competitivo". "Não necessariamente um candidato do presidente [Michel Temer], mas um que defende reformas", disse.

Ainda não está claro quem será o candidato governista ao Planalto, com o apoio de Temer. No governo, Maia disputa o posto com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que também flerta com a Presidência.

Na palestra, Maia defendeu um ajuste estrutural das contas públicas, além de uma abertura comercial do mercado e sua integração com cadeias globais de produção.

"A boa notícia é que o dinheiro acabou, o que está forçando os debates sobre as prioridades da política pública. Vamos combinar que essa é uma boa notícia. O país vai ter que avaliar e identificar o que funciona", disse.

Maia fez críticas às "velhas formas de condução da política econômica" adotadas no governo de Dilma Rousseff (PT), com "a volta do velho Estado interventor".

Ele defendeu também a simplificação das alíquotas e restrições tarifárias no comércio internacional, além de investimento em infraestrutura para melhorar a competitividade brasileira.FOLHAPRESS

'FARRA DAS PASSAGENS'

Câmara gasta até R$ 45 mil com passagens aéreas

Ao todo, foram cerca de 1,4 mil viagens pagas pela Câmara desde 2015 (Foto: Agência Brasil)

A Câmara dos Deputados já desembolsou R$ 7,6 milhões (valores corrigidos pela inflação) com viagens oficiais de parlamentares no atual mandato, segundo um levantamento feito pelo jornal Estado de S. Paulo, com dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação. Ao todo, foram cerca de 1,4 mil viagens pagas desde 2015, com valores de bilhetes que chegam a R$ 45,5 mil.

O levantamento contabiliza somente as passagens aéreas compradas pela Casa para missões oficiais de parlamentares, deixando de fora viagens pagas com a cota mensal que cada deputado têm direito para voltar a seus estados. Segundo o jornal, as viagens internacionais foram as que mais pesaram na conta da Câmara – representando mais de 90% do total.

As cinco viagens mais caras analisadas pelo jornal foram de classe executiva. São os casos das viagens dos deputados baianos Claudio Cajado (DEM) e Antonio Imbassahy (PSDB), em dezembro de 2015, para o Cazaquistão e a Geórgia. As passagens custaram respectivamente R$ 45,5 mil e R$ 45,3 mil, em valores atualizados.

Já o deputado Damião Feliciano (PDT-PB) registrou a passagem aérea mais cara do ano passado – R$ 36,6 mil em uma viagem de dez dias à China de uma comitiva de oito deputados. Em relação ao mandato, o parlamentar fica na oitava posição.

O direito de viajar de classe executiva é previsto pelo regimento da Câmara dos Deputados pelo cargo ou condição do deputado. Entretanto, o deputado também pode usar verbas da cota parlamentar para custear uma melhoria na classe de seu voo. Além de deputados, a Casa dá o direito de viajar de classe executiva a ocupantes de outros cargos, como membros titulares da Mesa Diretora e presidentes de Comissões Permanentes.

Segundo o Estado de S. Paulo, a Câmara não informou se haveria um máximo de passagens que os deputados poderiam solicitar ou se existe um teto para o valor pago e que essas informações só podem ser pedidas por meio da Lei de Acesso à Informação.

No entanto, a Câmara pede que o pedido de concessão das passagens seja “formalizado com devida antecedência da realização da viagem, com vistas à reserva das passagens e à obtenção de preços mais vantajosos”, embora não especifique quanto tempo seria a “devida antecedência”.

Em resposta ao caso, Cajado afirmou que nenhum parlamentar “tem interesse de comprar passagem mais cara”. “Eu não controlo o preço da passagem”, afirmou Cajado. O deputado também foi parlamentar que mais fez a Câmara desembolsar recursos com passagens nos últimos três anos – foram R$ 280 mil gastos no atual mandato.Estado de S. Paulo

COMPORTAMENTO





RECEITA FEDERAL GRANDE DEVEDORES

União cobra R$ 14,4 bilhões em dívidas de igrejas, clubes e organizações

A Receita já pediu que órgãos competentes investiguem as irregularidades para decidir quem vai perder o direito de isenção (Foto: Pixabay)

Segundo a Constituição, igrejas, partidos políticos, sindicatos e organizações assistenciais têm imunidade tributária. Os clubes esportivos, por sua vez, desfrutam de isenção por meio de legislação ordinária, deixando de pagar tributos sobre sua renda e recolhendo contribuições e encargos trabalhistas com descontos. Agora, no entanto, a Receita Federal está apertando a fiscalização. A União está cobrando R$ 14,4 bilhões em dívidas de igrejas, clubes esportivos e organizações assistenciais por terem burlado as regras que lhe garantem imunidade do pagamento de tributos. A informação é do jornal Folha de S.Paulo.

A imunidade livra as entidades de pagar impostos, mas para usufruir disso, é preciso cumprir determinadas condições previstas em uma legislação específica. As entidades, no entanto, não escapam dos encargos referentes à contratação de trabalhadores (FGTS e a contribuição previdenciária). Além disso, os ganhos gerados pela entidade devem ser integralmente aplicados na atividade assistencial. Já os ganhos com aplicações financeiras devem ser tributados normalmente.

A Receita já pediu que órgãos competentes investiguem as irregularidades para decidir quem vai perder o direito de isenção por não ter atuado plenamente como empresas sem fins lucrativos. No caso de entidades assistenciais, a imunidade é garantida por certificados emitidos, em grande maioria, pelos ministérios da Saúde, da Educação e do Desenvolvimento Social. São esses órgãos que, quando acionados pela Receita, têm de auditar as entidades flagradas em irregularidades.

Dos R$ 14,4 bilhões, R$ 5 bilhões são dívidas de unidades beneficentes (hospitais e escolas) e clubes de futebol. As pendências de igreja somam R$ 1 bilhão. Os R$ 8,4 bilhões restantes são créditos de autuações da Receita em andamento que ainda podem ser discutidas na esfera administrativa. Do total, R$ 800 milhões se referem a organizações religiosas e R$ 7,6 bilhões são de entidades beneficentes e clubes esportivos.

Entre os 84 clubes de futebol que devem à Fazenda, os campeões são Atlético MG, Flamengo e Botafogo. Quase todos aderiram ao programa Profut, uma espécie de Refis lançado em 2015 para forçar a regularização tributária dessas organizações.

Dentre as unidades beneficentes, está o Hospital Evangélico de Curitiba, que acumula dívidas de R$ 173,8 milhões. A instituição está sob intervenção judicial desde 2014 e deve ser leiloada neste ano como forma de mantê-la ativa.

Dentre as igrejas, estão a Igreja Renascer em Cristo, dos bispos Estevam e Sônia Hernandes, e a Igreja Internacional da Graça de Deus, do missionário R.R. Soares.Folha de S.Paulo

SAÚDE ESTRESSE

Hormônios do estresse podem causar danos ao coração

Reprodução/Pixabay PublicDomainPictures

Quem vive nas grandes cidades certamente já experimentou o estresse. A rotina atribulada e os compromissos familiares e sociais podem deixar qualquer um no limite e se você está sofrendo com isso, tome cuidado, pois poderá afetar seu coração.

Os hormônios liberados pelo estresse podem perturbar o organismo e causar diversos problemas como aumento da pressão arterial e até um ataque cardíaco fulminante. Se ver em uma situação de alta pressão afeta diretamente o funcionamento do cérebro, o que faz com que o organismo libere esses hormônios que deixam o organismo instável, como a adrenalina, por exemplo.

“Ela atua aumentando os batimentos cardíacos e a pressão arterial, o que pode culminar em um ataque cardíaco e até levar a morte”, explica. Já o cortisol, outro hormônio liberado durante situações de estresse, pode causar mortes em pessoas que já tenham doenças cardiovasculares”, diz um estudo publicado no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism.

Os pesquisadores observaram os hábitos de 800 participantes com idade acima de 65 anos e histórico de problemas do coração. Em três anos, 180 deles morreram, pois a quantidade de cortisol que circulava em seu organismo era maior que o esperado.

Um outro estudo da revista Diabetic Medicine também afirma que homens que passam por altos níveis de estresse podem dobrar os riscos de desenvolver diabetes tipo 2, onde o organismo é capaz de produzir insulina, mas tem dificuldade de processá-la.

Leia mais: Ficar careca ou grisalho muito jovem pode indicar risco de doenças do coração, diz estudo

Para prevenir que o estresse cause problemas maiores, o ideal é tentar se adaptar a uma rotina menos estressante. Uma boa alimentação, atividades físicas e noites de sono bem dormidas são algumas dicas para descansar a mente.Yahoo Vida e Estilo

PAPA PERU

Indígenas brasileiros desafiam a selva para alertar papa sobre suicídios

EFE/Sebastião Moreira

Cerca de cem líderes indígenas brasileiros desafiam há alguns dias os perigos da selva amazônica em uma travessia de milhares de quilômetros para fazer um alerta ao papa Francisco no Peru sobre o aumento no número de suicídios entre os jovens de suas tribos.

O terminal rodoviário de Rio Branco, no Acre, se tornou desde a noite de segunda-feira no epicentro para a chegada de peregrinos dos diferentes estados amazônicos, que a partir desta quarta-feira começaram a se deslocar em caravana até Puerto Maldonado, seu destino final no Peru.

Desde Rio Branco, o principal centro urbano da região, ainda serão quase nove horas de viagem até Puerto Maldonado, passando pelas cidades brasileiras de Brasileia, na fronteira com a Bolívia, e Assis, limítrofe com Iñapari, já em território peruano e a 225 quilômetros de Puerto Maldonado.

A subida de nível do rio Madeira, causada pelas fortes chuvas de janeiro e que ameaçaram deixar o estado do Acre isolado por via terrestre e fluvial, como em 2014, não impediram os peregrinos católicos de se deslocar pelas estradas e rios dos estados de Rondônia e Acre até chegar a Rio Branco.

Entre os peregrinos que começaram a abarrotar o terminal rodoviário de Rio Branco, em sua maioria com cartazes e camisetas alusivas à visita ao Peru do papa Francisco, sobressaem os adornos e utensílios de um grupo de líderes indígenas.

O pontífice, que se encontra no Chile, visitará o Peru entre os dias 18 e 21 de janeiro, passando pelas cidades de Puerto Maldonado, próxima à fronteira com o Brasil e a Bolívia; Trujillo, bastante afetada pelo fenômeno climático do El Niño durante os primeiros meses de 2017, e a capital Lima.

Entres os assuntos que os líderes indígenas brasileiros apresentarão ao papa Francisco chama a atenção o documento que alerta sobre o crescente número de suicídios entre jovens das aldeias das tribos amazônicas.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, divulgados em setembro, os indígenas brasileiros são o grupo étnico que mais morre no país por causa de suicídio em comparação com brancos, negros e outras raças.

Por cada 100 mil habitantes indígenas no Brasil, 46 deles morrem em decorrência de suicídios, uma taxa bem superior à média nacional que é de 32 mortes por esse motivo na mesma amostragem de população.

De acordo com o relatório, o maior índice de suicídio entre os indígenas está entre jovens de 10 a 19 anos e o menor ocorre com os adultos entre 60 e 69 anos.

Entre 2015 e 2016, o número de suicídios nas comunidades indígenas do Brasil aumentou 18%, com 106 casos em 2016, de acordo com um relatório apresentado em outubro pelo católico Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Outro dado que preocupa a população indígena é o aumento em 18,5% da mortalidade infantil entre crianças de até cinco anos de idade no mesmo comparativo, com um total de 735 menores mortos em 2016.

Em Puerto Maldonado, o papa se reunirá em 19 de janeiro com 3,5 mil representantes de comunidades indígenas peruanas, bolivianas e brasileiras, quemexporão os perigos que enfrentam relacionados com a mineração ilegal, o desflorestamento, a disputa violenta por terras e a mudança climática, entre outras ameaças.

No almoço com Francisco e os líderes indígenas, a comitiva brasileira entregará o documento sobre as estatísticas do suicídio em suas aldeias, segundo comentou à imprensa Rosenilda Nunes, da equipe coordenadora da Diocese de Rio Branco.EFE

VIVENDO NO BRASIL 2


ALEMÃO NAZISTA

Alemão conhecido como “Contador de Auschwitz” pede clemência

REUTERS/Axel Heimken/Pool

O alemão de 96 anos condenado por seu papel no assassinato de 300 mil pessoas no campo de concentração de Auschwitz durante a ocupação nazista na Polônia apresentou uma apelação por clemência, disse um porta-voz da justiça regional nesta segunda-feira.

Oskar Groening, conhecido como o “contador de Auschwitz” foi sentenciado a quatro anos de prisão em 2015 por ser cúmplice de assassinatos em Auschwitz. Mas ele não havia começado a cumprir sua sentença devido a um debate sobre sua saúde.

Em dezembro, um tribunal constitucional da Alemanha decidiu que Groening deveria ser preso, rejeitando os argumentos de seus advogados de que a prisão em idade avançada violaria seu direito à vida.

Christian Lauenstein, o porta-voz do Ministério da Justiça do Estado da Baixa Saxônia onde ocorreu o julgamento em 2015, disse que a apelação de Groening por clemência havia sido repassada aos promotores públicos.

Ele acrescentou: “um pedido de clemência não tem efeito de postergação no início do cumprimento da sentença”.

O escritório da promotoria pública não estava imediatamente disponível para comentários.

A batalha judicial de Groening foi vista como um dos últimos grandes julgamentos relacionados ao Holocausto, durante o qual cerca de 6 milhões de judeus foram assassinados pelo regime de Adolf Hitler.

Promotores disseram que Groening – que não matou ninguém diretamente enquanto trabalhava em Auschwitz - ajudou a sustentar o regime responsável pelo assassinato em massa ao organizar notas bancárias apreendidas nos trens que chegavam trazendo os judeus.

Groening admitiu que era moralmente culpado pelo trabalho realizado em Auschwitz, que incluía enviar as notas bancárias que encontrava na bagagem dos judeus para escritórios da SS em Berlim, onde elas ajudavam a financiar o esforço de guerra nazista.

(Por Michelle Martin) Reuters

R.UNIDO POLÍTICA

Reino Unido cria Secretaria de Estado para tratar de problema da solidão

EFE/Neil Hall

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, anunciou nesta quarta-feira a criação de uma Secretaria de Estado, vinculada ao Ministério de Cultura, Esporte e Sociedade Civil, para tratar do problema da solidão, que afeta mais de 9 milhões de pessoas, entre jovens e idosos, no Reino Unido.

Segundo informou Downing Street, o escritório oficial da chefe de governo, Tracey Crouch - de 42 anos e atual secretária de Esporte e Sociedade Civil - assumirá esta nova função, que terá como objetivo agir contra a solidão entre "as pessoas idosas, aquelas que perderam entes queridos e as que não têm com quem conversar".

Tracey seguirá com a iniciativa promovida pela deputada Jo Cox, que foi assassinada em junho de 2016, após receber várias facadas e disparos de um homem relacionado com a extrema-direita.

Em um comunicado, May destacou que Jo Cox reconheceu o aumento do problema da solidão no Reino Unido e fez tudo o que pôde para ajudar os afetados.

A primeira-ministra confirmou que este projeto continuará com o legado de Jo Cox e indicou que trabalhará com os diferentes atores relacionados com o problema para criar uma estratégia de governo.

Estima-se que a metade das pessoas de 75 anos ou mais - que são cerca de 2 milhões no Reino Unido - vivem sozinhas, muitas delas sem se relacionar com outras pessoas durante dias, inclusive semanas.

Tracey ressaltou que Cox "se preocupou com muita devoção" com este drama social, por isso o governo britânico "honrará sua memória com soluções, ajudando milhões de pessoas no Reino Unido que se sentem sozinhas".

O viúvo da ex-parlamentar escreveu em seu perfil pessoal do Twitter que "uma das coisas mais duras de perder Jo é saber que ela poderia ter feito muitas coisas diferentes neste mundo"."Apesar de ela já não estar mais aqui, continua fazendo do mundo um lugar melhor", afirmou o viúvo.EFE

CENSURA CHINA

China adota regras mais rígidas de acesso à internet

Em julho, a Apple cancelou a venda dos serviços da VPN em sua loja virtual na China (Foto: Flickr)

Antes de ser preso, poucas pessoas tinham ouvido falar em Wu Xiangyang. Mas quando a notícia de sua sentença de prisão foi publicada em um jornal estatal no final de dezembro, os usuários de internet em toda a China passaram a conhecê-lo. Um pequeno comerciante da província de Guangxi, o crime de Wu consistiu em vender um software que viola os controles draconianos da internet na China. Sua sentença de cinco anos e meio é a mais severa já aplicada a esse tipo de “negócio ilegal”.

Os chineses conseguem comprar com facilidade os serviços da rede privada virtual (VPN), que permite o acesso a conteúdos censurados. Por meio da VPN um usuário pode acessar milhares de sites bloqueados pelo governo, assim como quase todos os serviços do Google, muitos sites de notícias e a maioria das redes sociais estrangeiras. Muitas pessoas usam a VPN várias vezes por dia para evitar a censura da “grande firewall”, ou GFW em chinês. Os estrangeiros dependem da VPN para acessar sites que precisam no dia a dia, como Gmail, Dropbox, Facebook e Instagram.

Muitos analistas acreditam que a falha no sistema de segurança da grande firewall não é um erro de programação, e sim uma maneira de permitir a navegação online por empresários, acadêmicos e moradores estrangeiros. Mas essa interpretação tem sido cada vez mais contestada. No ano passado, o governo tentou dificultar a compra e o uso da VPN, a forma mais comum de acesso a conteúdos bloqueados. A prisão de Wu foi um aviso claro para outros que pretendiam vender o software aos consumidores locais. A previsão é que o governo adote medidas ainda mais restritivas em 2018.

A restrição à venda e ao uso da VPN, que começou no ano passado e deve estar concluída até o final de março, tem como objetivo fazer uma “limpeza” na internet. Diferentes provedores encerraram suas atividades sob pressão do governo. O serviço dos provedores atuais limita-se aos usuários empresariais.

Em julho, a Apple cancelou a venda dos serviços da VPN em sua loja virtual na China. A Google Play de aplicativos para Android seguiu o exemplo da Apple, embora mais devagar. A maioria dos lugares públicos onde os usuários têm acesso a sites censurados pelo governo, como os hotéis que hospedam estrangeiros, está restringindo o uso da internet.

Os assinantes dos serviços da VPN estrangeiros ainda podem usar suas contas na China. Mas eles assustaram-se em julho, quando a Bloomberg, citando fontes anônimas, disse que as empresas de telecomunicações haviam recebido instruções para bloquear o acesso às VPNs “pessoais” não autorizadas, possivelmente também as estrangeiras, até 1º de fevereiro de 2018. O Ministério de Informática fez uma declaração confusa desmentindo a nota da Bloomberg.

A ameaça de um controle mais rígido do uso da internet não preocupa apenas os usuários comuns. Muitas empresas usam seus sistemas de VPN internos ou tecnologias semelhantes para conectar redes corporativas. É possível que venham a ser obrigadas a usar os serviços autorizados pelo governo, como VPNs oficialmente aprovadas e linhas alugadas, menos confiáveis ​​e mais fáceis de espionar do que seus sistemas.

Com o crescente aumento de poder do presidente Xi Jinping, as previsões ficam mais sombrias. Jinping demonstra pouco interesse em solucionar os problemas apontados pelas empresas estrangeiras de conexão com o exterior. O governo também quer impedir que a internet se torne um meio de os dissidentes expressarem seu descontentamento. Em 2017, as agências reguladoras fecharam muitos blogs e sites que transmitiam eventos ao vivo, como shows, porque poderiam ser usados ​​como plataformas de críticas ao partido. Nada indica que essa política irá mudar.The Economist

EDUCAÇÃO PAQUISTÃO

A reforma escolar no Paquistão

Os resultados são promissores e têm lições a dar a outros países (Foto: Pixabay)

Com frequência, as escolas do Paquistão atraem a atenção do mundo pelas histórias de violência. Em outubro de 2012, um homem mascarado do movimento talibã do Paquistão entrou em um ônibus escolar e atirou em Malala Yousafzai na cabeça, pescoço e ombro. Dois anos e seis dias depois de Malala ter recebido o prêmio Nobel da Paz, terroristas do mesmo grupo mataram 141 pessoas, na maioria alunos, em uma escola administrada pelo exército em Peshawar, em um dos ataques mais violentos a escolas já registrados.

De acordo com a Global Terrorism Database da Universidade de Maryland, 867 escolas foram atacadas por grupos islâmicos radicais entre 2007 e 2015, muitas vezes porque tinham a ousadia de ensinar ciência, ou ainda pior, aceitar meninas como alunas.

Esses ataques agravaram os problemas que as escolas no Paquistão, o sexto país mais populoso do mundo, compartilham com outros países em desenvolvimento, como currículos medíocres, evasão escolar, em especial de meninas, e um ensino fraquíssimo. Mas apesar dos problemas da violência e pobreza o Paquistão está fazendo uma revolução no sistema educacional do país.

Diante de um ensino deficiente nas escolas públicas, muitos pais começaram a matricular os filhos em escolas particulares de baixo custo. Na província de Punjab o número dessas escolas aumentou de 32 mil em 1990 para 60 mil em 2016.

Há pouco tempo, os formuladores de políticas públicas começaram a usar essas escolas particulares para oferecer ensino financiado pelo governo. Hoje, o Paquistão tem um dos maiores sistemas de ensino do mundo, com a terceirização de mais escolas financiadas pelo governo do que qualquer outro país em desenvolvimento. No final deste ano, 10 mil escolas públicas em Punjab, cerca do número total de colégios da Califórnia, serão administradas por empresários ou organizações beneficentes. Embora outras províncias não possam acompanhar o ritmo de Punjab, que concentra 53% da população do Paquistão, Sindh e Khyber Pakhtunkhwa estão fazendo reformas semelhantes em menor escala.

Os resultados são promissores e têm lições a dar a outros países. Uma delas é o sucesso da parceria entre o setor público e privado na melhoria do ensino e na redução de custos. Um artigo publicado em agosto pelo Banco Mundial mostrou que os subsídios oferecidos pelo governo a empresários locais para abrir escolas em 199 vilarejos resultou em um aumento de 30% no ingresso de crianças de seis a dez anos e melhorou os resultados dos exames. Escolas melhores também levaram os pais a incentivar os filhos a se formarem em medicina e não trabalhar como vigilantes, e as filhas a serem professoras, em vez de donas de casa.

Outra nova pesquisa sugeriu que os formuladores de políticas públicas também podem corrigir deficiências em escolas privadas de baixo custo, com medidas simples. Por exemplo, oferecendo informações mais detalhadas aos pais sobre o desempenho escolar dos filhos com o envio de boletins, além de criar uma linha de crédito para facilitar a obtenção de empréstimos, a fim de expandir as escolas existentes e criar novas.

Na reforma do sistema educacional o governo do Paquistão tem uma importante contribuição a dar a outros países, com a eliminação da indicação política de profissionais para ocupar cargos no setor público ou privado. O ministro-chefe de Punjab, Shahbaz Sharif, contratou novos professores por mérito, e não por favoritismo político.

Segundo Sir Michael Barber, ex-conselheiro do governo britânico e atual assessor do governo do Punjab, os critérios de escolha de profissionais baseados em competência, merecimento e honestidade transformariam os serviços públicos, em geral inoperantes de países em desenvolvimento, em serviços eficazes que promoveriam o desenvolvimento local.The Economist

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

MENSAGEM DO DIA


NO PARÁ DO AÇAÍ - JAN 13

VIVENDO NO BRASIL 1

MEIO AMBIENTE VALE

Vale terá que reparar danos ambientais em terra quilombola

A Vale causou o assoreamento de rios e igarapés e o enfraquecimento do solo na localidade (Foto: Divulgação)

A Justiça Federal condenou a mineradora Vale na última segunda-feira, 15, por ter causado danos ambientais a um território quilombola em Moju, no nordeste do Pará. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a empresa causou problemas ambientais, como o assoreamento de rios e igarapés e o enfraquecimento do solo na localidade.

De acordo com a decisão judicial, a Vale precisará implementar uma iniciativa de geração de renda para as famílias atingidas, além de pagar uma compensação financeira de dois salários mínimos mensais até que o projeto esteja pronto para começar.

Em nota, o MPF informou que vai recorrer da decisão da Justiça, para que sejam beneficiadas todas as 788 famílias da região que foram afetadas, não somente as que já foram incluídas na sentença. A Vale disse que ainda não vai se manifestar, pois não foi intimada até o momento.

Sepetiba

O MPF do Rio de Janeiro recomendou, também na última segunda-feira, a suspensão da dragagem de manutenção em um terminal de minério de ferro mantido pela Companhia Portuária Baía de Sepetiba (CPBS), subsidiária da Vale, em Sepetiba. Na Baía de Sepetiba, um vírus levou quase 200 botos-cinza a morte.

De acordo com o MPF, o ruído da dragagem pode estressar os botos-cinza, aumentando a suscetibilidade dos animais às toxinas. Segundo o órgão, o risco em Sepetiba é alto por indústrias terem usado a baía por décadas como destino final de líquidos e sólidos ricos em metais pesados, prejudicando o ecossistema. Em novembro de 2017, foi registrado um surto do vírus “morbilivírus” na região, comprometendo a imunidade dos botos.

O terminal de Itaguaí, localizado no Porto de Sepetiba, é usado pela Vale também para movimentar minério de ferro. De acordo com o MPF, a CPBS e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) tem 72 horas para responder se cumprirão a recomendação de suspensão da dragagem de modo espontâneo.

Um laboratório especializado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) emitiu um parecer explicando que a única forma de recuperação da população de botos é o desenvolvimento de uma imunidade ao vírus.O Globo

ECONOMIA AÇO

Barreira contra o aço chinês e russo racha governo e setor produtivo

A proposta consiste em elevar as tarifas de importação do aço que é produzido na China e na Rússia (Foto: Wikimedia)

A polêmica em torno de um pedido de aplicação de medidas antidumping contra o aço importado da China e da Rússia vêm provocando um racha no governo brasileiro. Dois estudos recentes apontam efeitos diferentes da medida que visa proteger o setor siderúrgico nacional, ampliando ainda mais o impasse.

Enquanto o Ministério da Fazenda alega que uma barreira afetaria negativamente na inflação, outros ministérios que compõem a Câmara de Comércio Exterior (Camex) defendem que o impacto será praticamente nulo. Além disso, a proposta coloca em lados opostos as siderúrgicas e os consumidores de aço no país, como os fabricantes de eletrodomésticos e de carros.

A proposta consiste em elevar as tarifas de importação do aço que é produzido na China e na Rússia e que entra no Brasil, após um pedido feito pelas siderúrgicas CSN, ArcelorMittal e Gerdau Açominas em 2016, que alegam estar sofrendo com a competição desleal. Após esse pedido, o Departamento de Defesa Comercial (Decom) do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) investigou o caso e concluiu que houve dano à indústria de aço.

Segundo o Decom, as importações de China e Rússia entre 2013 e 2015 passaram a responder por mais de 70% das compras de aço no exterior, e os preços praticados caíram 13%. Entretanto, os números não foram bem recebidos pelo Ministério da Fazenda.

Um estudo feito pela secretaria de acompanhamento econômico do Ministério da Fazenda indica que a barreira ao aço russo e chinês provocaria um impacto de 0,09% na inflação, o que mexeria no preço de uma série de produtos que utilizam aço no país. Segundo o estudo, a medida faria com que os eletrodomésticos vendidos aqui ficassem até 3% mais caros.

Seguindo esse posicionamento contrário à taxação, cerca de 23 setores produtivos denunciaram que a barreira ao aço russo e chinês traria prejuízos a eles. Além disso, o Ministério da Agricultura também se mostrou preocupado com a medida, pois teme retaliações contra uma possível barreira ao aço chinês, já que a China é o principal mercado do agronegócio brasileiro no exterior.

No entanto, uma pesquisa elaborada pelo núcleo econômico da Camex, divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo nesta terça-feira, 16, aponta um diagnóstico diferente. Segundo o estudo, o impacto seria levemente positivo na produção doméstica de aço (0,05%) e o efeito seria quase nulo sobre a inflação (0,0008% sobre o nível de preços do país). Dessa forma, o aço laminado a quente ficaria 0,14% mais caro no Brasil.

Apesar da divergência, ambos os estudos afirmam que os importados correspondem à menor parte do aço consumido no país e que a queda na produção doméstica – um dos principais argumentos das siderúrgicas para o aumento nas taxas – foi provocada pela redução da demanda interna, por conta da crise.

Segundo o Ministério da Fazenda, essa queda não teve a ver com a “concorrência desleal”. Além disso, a pasta afirma que a produção local, concentrada em apenas quatro siderúrgicas, abre espaço para que elas aumentem os preços, o que puniria toda a cadeia de consumidores da matéria-prima.

Já a Camex indica que graças à baixa participação do aço importado no consumo brasileiro o impacto na cadeia consumidora de aço seria quase nulo – encolheriam cerca de 0,0004%.

No próximo dia 18 haverá uma reunião da Camex sobre o tema. Embora o estudo da Camex não indique uma posição favorável à proteção ou quais serão os votos dos ministros, o Ministério da Fazenda – que faz parte do órgão – já informou que votará contra as medidas antidumping.Folha de S. Paulo

COMPORTAMENTO