sexta-feira, 17 de novembro de 2017

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NO PARÁ DO AÇAÍ - NOV 07

Hora da chuva - Bairro da Cidade Velha - Belém do Pará

VIVENDO NO BRASIL 1

BENEFÍCIO DA CÂMARA


Deputados cassados recebem aposentadorias de até R$ 23 mil

Benefício é pago por um plano de Previdência que é abastecido, em parte, por recursos públicos (Foto: ABr)

Nove deputados federais que foram cassados por envolvimento em esquemas de corrupção ou improbidade administrativa recebem aposentadorias da Câmara que variam de R$ 8.755,38 a R$ 23.344,70 por mês. A informação é do jornal Estado de S. Paulo. O benefício é pago por um plano de Previdência que é abastecido, em parte, por recursos públicos.

Ao todo, as aposentadorias somam R$ 126.960,94 e o pagamento não é ilegal. Dos que recebem o benefício, cinco foram cassados por envolvimento no escândalo dos “anões do Orçamento” – grupo envolvido em fraudes com recursos da União na década de 1990 – e dois por conta do mensalão.

O petista José Dirceu pode ser o próximo parlamentar a receber o benefício, após a área técnica avaliar na semana passada que o deputado cassado tem direito a uma aposentadoria de R$ 9.646,57 por mês. Dirceu teve o mandato cassado em 2005, em decorrência do mensalão, e foi condenado a 30 de prisão na Operação Lava Jato. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, decidirá se ele receberá a aposentadoria ou não.

O maior benefício, de R$ 23.344,70, é pago a Roberto Jefferson (PTB-RJ) – deputado cassado em 2005 no escândalo do mensalão. O ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE), que teve o mandato cassado em 2006, também no mensalão, e foi preso na Operação Lava Jato, recebe aposentadoria de R$ 22.380,05.

Além dos parlamentares, a Câmara paga uma pensão de R$ 937 à viúva de Francisco Pinto (MDB-BA). Morto em 2008, ele perdeu o mandato ainda no regime militar. Na época, o parlamentar perdeu seus direitos políticos após fazer um discurso na Câmara contra o ditador chileno Augusto Pinochet, que estava no Brasil para a posse do general Ernesto Geisel, em 15 de março de 1974.

Desde que o Instituto de Previdência dos Congressistas (IPC) – entidade que era responsável pelas aposentadorias dos parlamentares – foi extinto em 1999, os benefícios são pagos pela Câmara no Plano de Seguridade Social dos Congressistas (PSSC). O plano prevê o pagamento de aposentadoria proporcional ao tempo de mandato do parlamentar e recebendo uma cota equivalente à paga pelo contribuinte à entidade, em uma regra semelhante a das entidades de previdência privada.

Ao Estado de S. Paulo, os parlamentares rejeitaram o rótulo de “privilegiados” e defenderam que têm direito a receber o benefício por terem contribuído mensalmente com o plano. Atualmente, o teto da Previdência Social para aposentadoria do trabalhador da iniciativa privada, pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), é de R$ 5.531,31.Estado de S. Paulo

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Temer afirma que reforma da Previdência será aprovada neste ano

O governo agora argumenta que, com a reforma, irá combater os 'privilégios' (Fonte: Reprodução/Agência Brasil)

Em discurso durante um evento no Palácio do Planalto na segunda-feira, 13, o presidente Michel Temer (PMDB) afirmou que a reforma da Previdência será aprovada ainda em 2017.

“Não há dúvida não. Nós vamos fazer a reforma previdenciária. E a reforma previdenciária é fundamental para o país” […] Nós vamos desmistificar especialmente para — eu vou usar uma expressão mais forte — para desmentir o que diziam no começo. O que diziam no começo é o seguinte: que com a reforma da Previdência a pessoa só se aposenta com 65 anos. É uma inverdade absoluta […] O que estamos fazendo com a reforma da Previdência agora? Nós estamos cortando privilégios, estamos fazendo uma fórmula que diz que a reforma da Previdência leva em conta a idade. Mas é para já? Não. É para daqui 20 anos”, ressaltou Temer.

Para ser aprovada, a reforma da Previdência precisa de pelo menos 308 votos entre os 513 deputados. O governo agora argumenta que, com a reforma, irá combater os “privilégios”, em uma tentativa de obter apoio popular e político à proposta.

A reforma está parada desde o estouro da crise política com as delações de executivos da JBS, que implicaram o presidente Michel Temer.

O governo agora trabalha com a ideia de uma proposta mais enxuta após ser convencido por parlamentares de que não é mais possível aprovar o projeto como foi fechado na comissão especial da Câmara.UOL

VIVENDO NO BRASIL 2

COMPORTAMENTO




MEIO AMBIENTE ALERTA CLIMÁTICO

Será o último este segundo aviso à humanidade?

Mais de 15 mil cientistas de quase 200 países assinaram o alerta climático (Foto: Pixabay)

Foi como o anúncio de mais uma entre tantas refilmagens de sucessos de anos e anos atrás, ou sequência de franquia de ficção científica retomada décadas depois do auge da febre do gênero, para atender ao clima de revival dos anos 80, início dos 90, tão em voga em hoje em dia, talvez como ilusória válvula de escape para esses tempos aziagos, de exacerbação das ameaças à civilização, como o “neo-assanhamento” fascista e o rufar dos tambores nucleares. O problema é que, em matéria mesmo de biosfera, o alerta com cara de ultimato que a humanidade acaba de receber, na segunda-feira, 13, com cara de sexta, não é coisa de cinema catástrofe, tornando ainda mais sufocante, e sem escapatória que não seja a ação, o fardo do indicativo presente.

“Advertência dos cientistas do mundo à humanidade: um segundo aviso”. Esse é o título de um artigo publicado na segunda 13, na prestigiada revista BioScience por mais de 15 mil signatários de 184 países. O documento, sucinto, mas fundamentado em dados de agências governamentais, organizações sem fins lucrativos e pesquisadores independentes, traz a constatação de que “a humanidade fracassou em fazer progressos suficientes” para reverter nada menos que “a tendência ao colapso da biodiversidade”.

O aviso é o segundo porque a primeira “Advertência dos cientistas do mundo à humanidade” foi feita exatamente 25 anos atrás, quando 1.500 cientistas, incluindo muitos dos laureados com o prêmio Nobel nas ciências, “descreviam como estávamos rapidamente nos aproximando de muitos dos limites do que o planeta pode tolerar sem danos substanciais e irreversíveis”, e “imploravam” por ações que fossem tomadas a tempo. Agora, no “segundo aviso”, um número dez vezes maior de cientistas avalia assim como foi a “resposta humana”:

“Desde 1992, com exceção da estabilização da camada de ozônio estratosférico, a humanidade fracassou em fazer progressos suficientes na resolução geral desses desafios ambientais anunciados, sendo que a maioria deles está piorando de forma alarmante. Especialmente perturbadora é a trajetória atual das mudanças climáticas potencialmente catastróficas, devidas ao aumento dos gases de efeito estufa (GEE) emitidos pela queima de combustíveis fósseis, desmatamento e produção agropecuária – particularmente do gado ruminante para consumo de carne. Além disso, desencadeamos um evento de extinção em massa, o sexto em cerca de 540 milhões de anos, no âmbito do qual muitas formas de vida atuais podem ser aniquiladas ou, ao menos, condenadas à extinção até o final deste século”.

‘Estabilizar a população humana’

Por outro lado, o “segundo alerta” mostra que nem tudo são espinhos: se por um lado está mais curta, hoje do que há 25 anos, a distância para o ponto irreversível, por outro lado há sinais de que a humanidade pode, sim, ser capaz de garantir a existência das futuras gerações. Entre esses sinais, além do rápido declínio da emissão de substâncias que destroem a camada de ozônio, estão, por exemplo, o rápido crescimento do setor de energia renovável, o declínio das taxas de desmatamento em várias regiões do globo e, em outras tantas, a diminuição da taxa de fecundidade.

“Estabilizar a população humana” é um ponto em que os signatários do documento insistem bastante, dizem que é necessário melhorar, e muito, “garantindo que as mulheres e os homens tenham acesso à educação e a serviços de planejamento familiar voluntário, especialmente onde tais serviços ainda não estão disponíveis”.

O artigo enumera ainda vários outros “passos diversos e efetivos que a humanidade pode dar para uma transição em direção à sustentabilidade”, desde “promover transições na dieta na direção, sobretudo, de uma alimentação à base de plantas” até “renaturalizar regiões com espécies nativas, especialmente predadores do ápice da pirâmide alimentar, para restaurar processos e dinâmicas ecológicas”, passando pelo fim dos subsídios à produção de energia através de combustíveis fósseis e voltando a ela, a redução da taxa de fecundidade: “estimar um tamanho de população humana cientificamente defensável e sustentável a longo prazo, reunindo nações e líderes para apoiar esse objetivo vital”.

Os signatários do “segundo aviso”, porém, parecem não esperar que essas iniciativas partam, com a radicalidade que se impõe, dos mais importantes líderes mundiais. Não espontaneamente; não em um momento em que o presidente do país mais industrializado desse planeta agonizante trata o aquecimento global como “fake news”.Hugo Souza

FOME DE INVESTIMENTO

O voraz apetite chinês por investimentos no Brasil

Brasil atravessa uma massiva onda de aportes da China (Foto: kremlin.ru)

A crise política e os escândalos de corrupção abalaram o Brasil nos últimos anos, evolvendo desde políticos de alto escalão a conhecidos empresários.

Entre os afetados está Eike Batista, o extravagante magnata que em 2014 viu seu conglomerado ruir em meio a promessas exageradas que não geraram o retorno previsto aos credores e acusações de uso de informação privilegiada.

No entanto, um projeto de Eike permaneceu a pleno vapor: o porto de Açu, no Rio de Janeiro. Apelidado de “estrada para a China”, o porto foi revitalizado por seu novo proprietário, a gestora de fundos de investimentos americana EIG Global Energy Partners. E ao que tudo indica, o porto pode ter em breve uma parte adquirida pela China.

Localizado em São João da Barra, no norte do Rio de Janeiro, o porto já serve de base para envio de minério de ferro para a China e fica a 150 quilômetros da Bacia de Campos, que é responsável pela maior porcentagem de produção de petróleo do país. Além disso, a região contém blocos de pré-sal, nos quais duas petroleiras chinesas têm interesse: a Sinope e a Cnooc.

A americana EIG pretende expandir o porto de Açu e diversificar seus investimentos no Brasil, com planos que envolvem os setores de energia e ferrovias, que também são cobiçados pela China. Para isso, a parceria com os chineses será crucial. “Os chineses são parceiros importantes, em longo prazo eles adquirem tamanha massa crítica que você deseja que eles não sejam apenas clientes, mas sócios”, diz Robert Blair Thomas, chefe executivo da EIG.

O interesse de empresas chinesas em Açu é apenas uma fração dos investimentos da China no Brasil, que nos últimos dois anos experimentou uma onda de aportes chineses, que envolve desde o setor de energia ao de agricultura e alimentos, passando pelo de aviação civil. Segundo uma recente pesquisa da empresa de consultoria Dealogic, este ano os investimentos chineses no Brasil já movimentaram US$ 10,9 bilhões (cerca de R$ 35 bilhões).

Alívio financeiro, alerta político

Para o Brasil, o interesse da China não poderia chegar em melhor hora. Em meio a uma crise política e uma economia que encolheu 7% somente nos últimos dois anos, os aportes chineses são um alívio para as agruras do país. Além disso, a onda de aportes chineses coloca o Brasil em um papel de relevância na região. Desde 2005, a China já emprestou mais de US$ 140 bilhões para a América do Sul, metade deste total teve como destino a Venezuela.

No entanto, a turbulência no país vizinho, que está em risco de moratória, fez a China buscar parceiros mais estratégicos e com uma situação financeira mais sólida – em especial, o Brasil. Os investimentos da China em outros países caíram 40% nos primeiros cinco meses deste ano, enquanto saltaram no Brasil, como apontou a pesquisa da Dealogic.

Entusiastas da parceria veem a aproximação entre os países como um “casamento perfeito” entre duas potências emergentes – a China, uma líder em rápido crescimento; e o Brasil uma potência agrícola rica em recursos naturais.

“Acho que é a combinação perfeita. A China tem excesso de capital e experiência em infraestrutura e eles precisam do que nós temos – que são matéria-prima e alimentos”, diz Marcelo Kayath, ex-executivo do banco Credit Suisse no Brasil.

Porém, a aproximação entre os dois países vem gerando críticas de políticos nacionalistas empenhados no pleito presidencial do próximo ano. Além disso, Washington, que sempre considerou a América do Sul um quintal dos EUA, também está em alerta com a onda de aportes chineses no continente.

“Se o Brasil, como todo seu peso econômico e influência na região, se tornar altamente ligado à China, com certeza mudará um pouco o panorama estratégico”, diz Robert Evan Ellis, professor e pesquisador especializado em estudos da América Latina do Instituto de Estudos Estratégicos da Escola de Guerra do Exército dos EUA.

O papel da Lava Jato na onda de aportes

A entrada de empresas chinesas o Brasil também é impulsionada pelos escândalos de corrupção revelados na Operação Lava Jato. Grandes empresas envolvidas em fraudes e propinas decretaram falência, pediram recuperação judicial ou abriram mão de ativos em prol da sobrevivência. A Odebrecht, por exemplo, vendeu em julho deste ano, por US$ 310 milhões (R$ 1 bilhão) sua participação no aeroporto do Galeão (RJ) para o grupo chinês HNA, que também é acionário da Azul Linhas Aéreas, a terceira maior empresa aérea do Brasil, atrás apenas da TAM e da Gol.

Até o momento, as empresas chinesas não vêm enfrentando resistência no Brasil, como na Austrália, por exemplo, onde elas foram barradas de adquirir terras e algumas empresas de transmissão de energia. Em 2009, o governo Lula limitou a compra de terras agrícolas brasileiras por estrangeiros. Mas o atual governo do presidente Michel Temer já anunciou pretende abolir essa restrição.

No entanto, segundo Larissa Wachholz, diretora da empresa de consultoria Vallya, que tem investidores chineses entre seus clientes, a onda de aportes pode desacelerar à medida que as empresas aumentam sua participação em setores de serviços estratégicos. “No momento que os chineses entrarem em massa em áreas estratégicas, terão de começar a pensar em estratégias de relações públicas, porque vão atrair a atenção de pessoas que não gostam disso”, explica a diretora.

A opinião de Wachholz é corroborada por Ellis. “Embora se trate de economia, acho que há um componente político nisso”, diz Ellis. Segundo ele, o Brasil pode começar a sujeitar as estatais chinesas a um grau maior de escrutínio, similar às revisões de segurança conduzidas pelo Comitê de Investimentos Estrangeiros nos Estados Unidos.

Ellis dá como exemplo o recente interesse da China Mobile, a maior empresa de telefonia da China, em adquirir a Oi, a operadora de telefonia permeada de conflitos internos.

“O Brasil pode passar a estudar com mais rigor os setores onde está permitindo a entrada da China. Se a China Mobile adquirir a operadora que tem 64 milhões de usuários no país (a Oi), será, provavelmente, o maior passo dado pela empresa em um país estrangeiro”, diz o pesquisador.Financial Times

MÚSICA ELZA SOARES

A metamorfose de Elza Soares

Com sua voz rouca característica e a energia de sempre, embora precise ficar sentada durante os shows por causa de uma cirurgia na coluna (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

A revista The Economist, uma publicação inglesa de notícias e assuntos internacionais, uma das mais conceituadas do mundo, dedicou um artigo em sua edição de 7 de novembro a Elza Soares e ao seu novo show “A Voz e a Máquina”, que estreou neste mesmo dia no teatro Cetip, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. Nele, a revista descreve como a grande dama do samba do Brasil abriu o show com a leitura do poema de Martin Luther King “I Have a Dream” e, em seguida, cantou os sucessos de sua carreira e clássicos da música popular brasileira.

O artigo também relata a trajetória de vida de Elza Soares. Aos 80 anos, outros dizem que tem 85 anos, Elza ainda se reinventa. Seu mais recente álbum “A mulher do fim do mundo” é resultado de uma parceria com um grupo de jovens que faz música eletrônica em São Paulo. As letras das músicas falam de transexualidade, violência doméstica, racismo e aquecimento global, associando elementos do rock, punk, reggae e rap. O álbum ganhou o Grammy Latino e foi escolhido como um dos dez melhores discos de 2016 pelo New York Times. Elza Soares comemora seu sucesso no Brasil, Europa e nos EUA. No ano 2000, ganhou o prêmio “Cantora do Milênio” conferido pela Rádio BBC de Londres.

Nascida em uma área pobre do Rio de Janeiro, os pais obrigaram Elza a se casar aos 12 anos. Aos 13, já era mãe e quando ficou viúva com 21 anos tinha quatro filhos. Em 1953, como precisava de dinheiro, participou do programa de calouros de Ary Barroso na Rádio Tupi. Ao ver seu jeito humilde de falar e suas roupas simples, Ary Barroso perguntou: “De que planeta você veio?” “Do planeta fome”, respondeu. Sua apresentação ao vivo no auditório da emissora foi a primeira de sua longa carreira. Em 1959, lançou seu disco de estreia “Se acaso você chegasse”.

“Na década de 1960, ela era a melhor cantora de samba do Brasil”, disse Guga Stroeter, músico e produtor musical. Porém, a sociedade e a imprensa a hostilizaram, quando Elza começou um relacionamento com um dos melhores e mais populares jogadores brasileiros de futebol, Manuel Francisco dos Santos, o Garrincha, que se separou da esposa, ao se apaixonar por ela. Em 1977, Elza e Garrincha se separaram e, seis anos depois, ele morreu de cirrose e Elza se afastou da vida artística.

Mas o mundo dá voltas. Nos anos 1980, a convite de Caetano Veloso, Elza gravou a música “Língua” em dueto com ele. Pouco depois voltou com força total atuando em diversos shows, além de lançamentos de discos, como “Trajetória”, “Carioca da Gema” e “Voltei”.

Com sua icônica peruca roxa, a voz rouca característica e a energia de sempre, embora precise ficar sentada durante os shows por causa de uma cirurgia na coluna, Elza é um sucesso de público. O assento é um trono e ela fala como uma rainha para a plateia. “Eu sou Elza Soares. Eu criei meu estilo. Eu sou uma mulher, negra, guerreira, eu sou pop, rap, rock, MPB e samba. Clássica um dia, punk no outro. Eu sou uma metamorfose.”The Economist

VIVENDO NO BRASIL 3

SAÚDE UNIVERSIDADE DE WASHINGTON

Cientistas testam bafômetro capaz de diagnosticar malária

Aparelho testado na África pode futuramente substituir tradicionais exames de sangue (Foto: Universidade Washington em St. Louis)

Pesquisadores da Universidade Washington, em St. Louis, nos Estados Unidos, estão testando um protótipo de bafômetro para diagnosticar a malária, uma das doenças que mais mata crianças no mundo.

O equipamento, que está sendo testado no continente africano, é capaz de identificar odores expelidos por pessoas que estão infectadas pela doença. Segundo os pesquisadores, um desses odores é idêntico ao cheiro natural de pinheiros e coníferas que exalam terpenos, substância cujo odor atrai mosquitos.

Os cientistas apontam que os testes iniciais com o equipamento indicaram um índice razoável de diagnósticos de malária envolvendo crianças. Contudo, eles explicam que o dispositivo ainda precisa ser aprimorado para se tornar uma alternativa aos exames de sangue, principal método para identificar a doença.

Em um teste feito com 35 crianças com febre no Malauí – parte delas com malária –, o resultado foi preciso em 29 pacientes, indicando uma taxa de sucesso de 83%. Contudo, o índice ainda é considerado baixo para o método poder ser usado rotineiramente.

Ainda assim, eles acreditam que o aparelho pode se tornar um meio confiável de diagnóstico precoce e dessa forma ajudar a prevenir mortes. Além disso, eles afirmam que esse método é menos invasivo que os exames de sangue. “Uma nova ferramenta de diagnóstico, baseada na identificação de (substâncias) voláteis associadas com a malária, é algo animador”, afirmou James Logan, professor da London School of Hygiene and Tropical Medicine.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 95 países notificaram a transmissão da doença em 2015, com 214 milhões de casos registrados e 438 mil mortes. A organização alertou que cerca de 3,2 bilhões de pessoas – quase metade da população mundial – correm risco de serem infectadas. Responsável por 88% dos casos e por 90% das mortes, a África é o continente mais afetado pela Malária.BBC

DOENÇA DO SONO

Transtorno de narcolepsia atinge 1 a cada 2.500 pessoas

A narcolepsia provoca surtos de sonolência incontrolável (Foto: Flickr)

O cérebro continua sendo um grande mistério no campo científico, assim como suas doenças. Não é a toa que é constantemente estudado há anos e as suas descobertas continuam sendo raras e demoradas. A narcolepsia, por exemplo, é estudada desde a década de 1970. Atingindo uma a cada 2.500 pessoas, o raro transtorno ainda não tem cura.

A narcolepsia provoca surtos de sonolência incontrolável, sendo agravada quando é acompanhada de cataplexia – na qual uma forte emoção causa a perda de força muscular, fazendo com que a pessoa caia como um boneco -, paralisia do sono, sono noturno fracionado, sonhos alucinatórios e alucinações.

Causa

A causa mais provável, no entanto, é um ataque autoimune, no qual, o sistema imunológico, equivocadamente, elimina 30 mil neurônios que se encontram no centro do cérebro, no hipotálamo, que regula operações como a passagem diária da vigília para o sono. Além disso, essas células expressam as orexinas, ou hipocretinas, que, em 1995, ainda eram desconhecidas.

Ademais, apesar da narcolepsia poder ser despertada em qualquer momento da vida, ela ocorre com mais frequência a partir dos 15 anos de idade, ou seja, no fim da adolescência.

Além disso, ainda é possível que a narcolepsia tenha relação com o gene conhecido como HLA-DQB1*0602, que faz parte de um conjunto que auxilia o sistema imunológico, mas desempenha funções importantes em muitos casos de narcolepsia, estando presente em 98% dos pacientes. Em contraponto, esse gene é muito comum, com aproximadamente um quarto dos europeus sendo portadores.

Outro possível influenciador da narcolepsia é a época do ano, visto que os pacientes com o transtorno tem uma probabilidade significativamente maior de nascer em março, sendo um pouquinho mais vulneráveis do que outras.

Tratamento

Como tratamento, existem alguns remédios que minimizam alguns sintomas da narcolepsia, mas não consegue reparar o dano cerebral já causado. Além disso, o custo do melhor tratamento atual contra o transtorno – o oxibato de sódio ou Xyrem – possui um custo muito alto, não estando disponível ou acessível para muitas pessoas.

Alguns cientistas e pesquisadores continuam na vanguarda para tentar descobrir novos tratamentos ou formas de reverter completamente a doença, como Masashi Yanagisawa, que ocupa a posição de diretor do Instituto Internacional de Medicina Integral do Sono na Universidade de Tsukuba, no Japão, e Sergiu Paşca, da Universidade de Stanford, que aposta nas células-tronco.

Recentemente, o laboratório de Paşca desenvolveu formas de utilizar as células-tronco no tratamento da narcolepsia, começando com uma célula cutânea e acabando com um neurônio orexinérgico funcional. Assim, em teoria, seria possível transplantá-lo para o cérebro de pessoas que sofrem com o transtorno e restaurar ao menos parte da função. Porém, como em todo tratamento experimental, há riscos envolvidos, pois inserir uma agulha no cérebro já é bem perigoso, mas o sistema imunológico também pode atacar as células transplantadas.

Servindo como obstáculo para maiores pesquisas a respeito do tratamento para a narcolepsia, existe a percepção de que, por ser um transtorno raro, tem um mercado pequeno e, consequentemente, pouco rentável. Porém, este pensamento não leva em conta a possibilidade de que o transtorno não tenha sido diagnosticado em muitas pessoas e, caso a doença seja desenvolvida na adolescência e a pessoa viva até os 80 anos, serão necessárias 25 mil doses ao longo de toda a vida.

Além disso, um tratamento que ativasse as orexinas seria útil para outras condições em que sonolência excessiva durante o dia pudesse ser um problema, além de outras situações que os baixos níveis desses mensageiros influenciam, como a depressão e a obesidade, por exemplo. Ademais, o sono tem ganhado papel de protagonista nos últimos anos, visto que diversas doenças e consequências ao corpo humano podem ser causadas caso o mesmo seja subvalorizado.

Estudo da narcolepsia

Em 1972, em um canil no Canadá, uma cachorra chamada Monique apresentava surtos de quedas, como foi descrito na época. Sendo assim, passou a ser observada por veterinários da Universidade de Saskatchewan, que fizeram o diagnóstico inicial de surtos de cataplexia e, em seguida, acreditaram que pudesse se tratar de um caso de narcolepsia acompanhada de cataplexia.

Coincidentemente, na época o especialista do sono da Universidade de Stanford William Dement procurava cães que sofriam de cataplexia e conseguiu transportar Monique para os Estados Unidos em 1973.

Rapidamente, Dement e seu companheiro Merrill Mitler estavam cuidando de diversos cachorros que sofriam do transtorno. Naquele momento, o plano era usar os animais para fazer autópsias e estudar as possíveis mudanças físicas em seus cérebros. Na época, a narcolepsia parecia mais comum em algumas raças do que em outras, tanto que uma ninhada de sete Dobermans surgiu, todos com narcolepsia e cataplexia.

“Em 24 horas ou menos, vimos como todos eles entraram em colapso, do primeiro ao último da ninhada. Estávamos juntos, um bom grupo de Stanford, todos deitados no chão, assistindo”, explica Mitler.

O fato é que a partir desse momento os labradores e dobermans mostraram que o transtorno era hereditário e, com isso, ao fim da década de 1970, Dement passou a se concentrar no estudo e tratamento dos dobermans.

Nos anos 1990, o projeto doberman continuava ativo em Stanford, dessa vez sob o comando de Emmanuel Mignot, que sucedeu William Dement na direção do Centro de Ciências e Medicina do Sono de Stanford.

No fim dos anos 1990, outros dois nomes surgiram no campo de estudo da narcolepsia, lançando artigos e estudos sobre o tema, sendo eles o jovem neurocientista Luis de Lecea, de 25 anos, do Instituto de Investigação Scripps de San Diego, e Masashi Yanagisawa, que na época estava na Universidade do Texas.

Lecea e seus companheiros de San Diego descreveram dois novos peptídeos cerebrais, chamando-os de hipocretinas (inspirado no lugar onde foram encontrados) e secretina (hormônio de estrutura similar), que eram mensageiros quer atuavam dentro do cérebro. Yaganisawa, juntamente com sua equipe, por sua vez, descreveu os mesmos perptídeos, chamando ambos de orexinas, acrescentando também a estrutura dos seus receptores.

Emmanuel Mignot, por sua vez, ouviu falar dos artigos, mas não via grande relação com a nacrolepsia ou com o sono. Porém, em 1999, descobriu, juntamente com a sua equipe, dois genes com mutações recessivas, um se expressando no prepúcio, enquanto o outro codificava receptores de orexina. Ao saber que Yanagisawa havia projetado camundongos que dormiam como se sofressem de narcolepsia, começou a corrida para descobrir mais respeito da doença.

Em poucas semanas, Mignot publicou um artigo que destacava que o “resultado determina que as hipcocretinas [orexinas] são neurotransmissores importantes para modular o sono e abre o caminho a novos enfoques terapêuticos para os pacientes narcolépticos”.

Um mensageiro químico e seu receptor funcionam como uma chave e uma fechadura, em circunstâncias normais. Enquanto isso, a mudança dentro da célula desejada funcionava como uma porta sendo aberta pelo encontro do mensageiro com o receptor. No caso dos dobermans, uma mutação destruiu o receptor de orexina. Já no caso dos camundongos de Yanagisawa, os mensageiros químicos que não funcionavam, fazendo com que o sistema orexinérgico fosse interrompido.

De Lecea, por sua vez, conseguiu um grande avanço ao criar uma técnica utilizando um vírus, um promotor e um gene encontrado em algas azul-esverdeadas. Um camundongo foi projetado para que seus neurônios orexinérgicos fossem ativados em resposta à luz, tendo ainda um cabo de fibra óptica instalado em seu cérebro. Em sono profundo e dentro de uma jaula, o rato simplesmente desperta durante os 10 segundos em que uma luz azulada permaneceu acesa. Ao fim, quando a luz se apaga, o animal volta a dormir na mesma velocidade em que acordou.

Dessa forma, De Lecea conseguiu mostrar que as orexinas atuam como neurotransmissores em alguns momentos, ativando alguns neurônios escolhidos e liberando norepinefrina em todo o córtex cerebral, enquanto em outros ambientes têm um efeito potente nas redes neurológicas. Além disso, as orexinas também podem atuar de forma mais parecida com hormônios, trabalhando em lugares mais distantes do cérebro, influenciando outras substâncias químicas cerebrais.

No entanto, ainda não foi descoberta uma forma prática de se aplicar essa técnica para o tratamento do transtorno. Se a orexina-A ou orexina-B forem ingeridas, as enzimas destruíram, quebrando os aminoácidos. Se forem injetadas através de veias, parte delas não passaria pela barreira hematoencefálica. Alguns experimentos pela via nasal, inalando as orexinas, foram realizados, mas houve pouco investimento.

Mesmo assim, a indústria farmacêutica não ignorou as descobertas das orexinas, mesmo que não tenha utilizado para promover medicamentos para os pacientes diagnosticados com narcolepsia. Tanto que, anos depois da descoberta de Mignot a Merck lançou o suvorexant, ou Belsomra (seu nome comercial), que é uma pequena molécula capaz de atravessar a barreira hematoencefálica e bloquear os receptores de orexina, provocando sonolência.

“O interessante do Belsomra é que é muito seletivo no bloqueio da vigília, de modo que não afeta os sistemas que controlam o equilíbrio, a memória e o sistema cognitivo”, explica Paul Coleman, químico farmacêutico que trabalha nos laboratórios da Merck, em West Point, Filadélfia.

No início de 2017, Yanagisawa, juntamente com sua equipe, publicaram dados sobre uma molécula chamada YNT-185, que, em ratos narcolépticos, melhoraram sua vigília e sua cataplexia, enquanto reduziu a abundância das fases REM. Mesmo ainda não sendo o suficiente para iniciar os testes clínicos, Yanagisawa encontrou outras moléculas candidatas mais potentes ao YNT-185.

“Se este composto funcionar, servirá para todos os pacientes”, explica Yanagisawa, mesmo tendo a ciência que os sintomas da narcolepsia possam variar de uma pessoa para outra.El País

MEIO AMBIENTE

Comunicação dos pássaros vai além do bico

As oitavas primárias são as penas fundamentais desse tipo de pássaro, sendo o principal comunicador (Foto: Flickr/John.dart)

O pai do evolucionismo, Charles Darwin, era fascinado pela comunicação dos pássaros. Em seu livro “A Descendência do Homem e Seleção em Relação ao Sexo”, o autor dedicou-se tanto a estudar os sons que saem dos bicos dos pássaros, quanto os ruídos que o animal faz com outras partes do corpo, sejam com as patas ou as asas.

Porém, anos após a morte de Darwin, ornitólogos acreditavam que ele estava errado e a comunicação seria apenas através do seu grunhido. Fato esse que Trevor Murray, da Universidade Nacional Australiana, em Canberra, provou estar errado.

Isso porque o pesquisador descobriu que a espécie rola-de-crista, que não produz nenhum som vocal, mas consegue emitir sons através de suas asas. Quando foge do perigo, o pássaro fecha suas asas rapidamente, fazendo um assobio diferente dos outros animais. Dessa forma, outros pássaros são induzidos a fugir também, servindo como um sinal de alerta de que algo ruim pode estar acontecendo.

Uma razão para acreditar que a evolução está envolvida é que uma das penas das asas tem um formato incomum. O aglomerado de penas que compõe o oitavo primário das asas (ao todo são dez, contando de trás para frente) é visivelmente mais estreito do que outros, assim como também é mais estreito que o oitavo primário de outras espécies relacionadas a rola-de-crista. Sendo assim, Murray e sua equipe teorizaram que, se a oitava primária fosse a responsável pelo apito, então o alarme é intencional, não acidental.

Para testar a teoria, os pesquisadores utilizaram 68 rolas-de-crista divididas em quatro grupos. No primeiro, os cientistas retiraram a oitava primário de penas. No outro, foi tomada o nono primário. No terceiro, eles cortaram o sétimo. Por fim, no último, nada foi feito. Sendo assim, todos os pássaros foram libertados e tiveram seus apitos gravados, visto que deixaram o ambiente com pressa, assobiando enquanto fugiam.

Ao analisar as gravações, os cientistas perceberam que dois aglomerados de penas das asas estavam envolvidos: o oitavo, que emitia uma nota aguda, e o nono, que fazia um som mais baixo. Com isso, os pesquisadores usaram as gravações para servir como parâmetro e colocaram para outras rolas-de-crista, que fugiram. Por isso, a teoria de Darwin foi comprovada e, realmente, existe um tipo de pássaro que se comunica com outros através de partes do seu corpo que não seja o bico.The Economist

SUPERFRUTAS

Superfrutas ricas em antioxidante em risco de extinção

A cereja-do-rio-grande recebe grande destaque devido ao seu potencial antioxidante (Foto: Flickr/Fábio Manfredini)

O Brasil é rico em biodiversidade. Isso não é novidade para ninguém. No entanto, infelizmente, muito de seu ecossistema ainda permanece desconhecido para boa parte da população. Por isso, não é incomum que, vez ou outra, surja uma nova “fruta da moda”, como foi o caso do açaí anos atrás. Agora, um grupo de cientistas de São Paulo apontaram cinco novas “superfrutas” – também conhecidas como alimentos funcionais – em um estudo recém-publicado.

Araçá-piranga (E. leitonii), a cereja-do-rio-grande (E. involucrata), a grumixama (E. brasiliensis), o ubajaí (E. myrcianthes) e o bacupari-mirim (Garcinia brasiliensis) são frutas desconhecidas por boa parte dos brasileiros, mas que possuem grande eficiência anti-inflamatória e são ricas em antioxidante. Brasileiras, as frutas podem ser encontradas na Mata Atlântica, além do Sul e do Sudeste do país, mas correm risco de extinção.

Esse risco de extinção, segundo pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de São Paulo (USP), está atribuído a falta de conhecimento dos brasileiros com relação a essas frutas. Inclusive, os valores nutritivos dos alimentos é comparável ao açaí e algumas frutas vermelhas tradicionais, como o morango, a framboesa e a amora.

“Os alimentos funcionais são aqueles que, além da função nutritiva, podem ajudar a prevenir doenças crônicas, como problemas do coração, diabetes e câncer”, explicou Pedro Rosalen, da Faculdade de Odontologia da Unicamp em Piracicaba.

As frutas ainda são tão raras de serem achadas que recorreram ao auxílio de “colecionadores de frutas”, no interior de São Paulo, para conseguir estudá-las melhor, conforme explicou Severino Matias de Alencar, do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição da Escola Superior de Agricultura USP (Esalq). Helton Josué Muniz, por exemplo, cultiva quase 1.400 espécies de frutas na sua fazenda em Campina do Monte Alegre.

De acordo com Alencar, o mercado de superalimentos é um dos que mais crescem no mundo, principalmente o americano. “Os pesquisadores de lá [mercado americano] ficam assustados quando veem que a gente tem uma grande biodiversidade de frutas que poderíamos apresentar ao mundo e ainda não apresentamos”.

Segundo os pesquisadores, um dos principais objetivos é encontrar novas “frutas da moda”, sendo elas altamente nutritivas e nativas, trazendo benefícios científicos e econômicos para o Brasil, envolvendo, inclusive, a indústria farmacêutica.

“Nosso alvo eram as propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias por que esta é uma grande necessidade da indústria farmacêutica. No futuro, queremos isolar e identificar as moléculas ativas que fazem parte dessas frutas, que podem se tornar medicamentos importantes”, explica Rosalen.

Os antioxidantes dificultam a formação de radicais livres, que são moléculas reativas de oxigênio e causam envelhecimento e morte celular. Em longo prazo, a eclosão de radicais livres pode contribuir para o surgimento de doenças como câncer e artrite, além de estarem relacionados também ao processo de inflamações no organismo.

Por isso, as cinco “novas” frutas apontadas pelos pesquisadores são ricas em antioxidantes e possuem grande eficiência anti-inflamatória. Segundo os cientistas, caso sejam consumidas frequentemente, podem inibir e retardar doenças como diabetes, Mal de Alzheimer e arteriosclerose.

As cinco frutas estudadas são raras e ainda difíceis de serem encontradas, enquanto a araçá-piranga, que tem o maior potencial anti-inflamatório entre elas, está ameaçada de extinção. Outras 14 espécies de frutas ainda estão sendo estudadas pelos pesquisadores.

A grumixama e a cereja-do-rio-grande são pequenas e vermelhas, se destacando entre as cinco graças as suas propriedades antioxidantes. De acordo com Alencar, as frutas são doces, mas com teor ácido ideal. Além disso, a cor vermelha ou arroxeada indica a presença de antocianinas, que demonstram a eficiência no combate aos radicais livres.

“Elas são como berries (como algumas frutas silvestres vermelhas são chamadas em inglês) brasileiras. São fusões da cereja com a amora. Doces, mas com um teor de ácido ideal. São minhas preferidas”, explicou Severino Alencar.BBC

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

MENSAGEM DO DIA

NO PARÁ DO AÇAÍ - NOV 06

Praia da Chácara - Porto de Moz - Pará

VIVENDO NO BRASIL 1

MUDANÇA CLIMÁTICA

Guterres pede "ambição" na luta contra mudança climática na Cúpula de Bonn

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres. EFE/RONALD WITTEK

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, defendeu nesta quarta-feira uma ação urgente na luta contra a mudança climática e pediu aos países desenvolvidos que elevem suas contribuições financeiras neste âmbito.

Em seu discurso na abertura da parte política da Cúpula do Clima de Bonn (COP23), Guterres ressaltou que os efeitos do aquecimento global já são perceptíveis e pediu "ambição" para alcançar o que foi assinado no Acordo de Paris de 2015.

"Eu os encorajo a serem valentes nas suas deliberações e decisões", disse Guterres, após assinalar que "os efeitos catastróficos da mudança climática já estão entre nós".

Segundo os cálculos da ONU, lembrou Guterres, as emissões dos gases que provocam o efeito estufa devem ser reduzidos em "pelo menos 25%" até 2020 se a comunidade internacional espera, como se pactuou em Paris, que as temperaturas médias globais não subam mais de dois graus centígrados em relação aos níveis pré-industriais.

A "janela de oportunidade" para alcançar esta meta se fechará em um máximo de 20 anos, advertiu o secretário-geral das Nações Unidas.

Além disso, Guterres apelou às economias industrializadas para que "tragam à vida completamente" o Fundo Verde para o Clima, um instrumento financeiro que deve estar dotado de US$ 100 bilhões ao ano a partir de 2020 para que as economias em desenvolvimento possam suportar os efeitos do aquecimento global.

"Necessitamos mobilizar os US$ 100 bilhões anuais estipulados para os países em vias de desenvolvimento", declarou Guterres, sobre um mecanismo que enfrente problemas para sair do papel, especialmente após o abandono dos Estados Unidos do Acordo de Paris.

Segundo sua opinião, "cumprir esta promessa é essencial para construir confiança" entre as nações e "crucial para permitir que todos os países, especialmente os mais vulneráveis, enfrentem o impacto inevitável da mudança climática e cresçam de forma sustentada".

O secretário-geral da ONU também afirmou que "a única forma" de cumprir o Acordo de Paris e não permitir que as temperaturas médias globais se elevem mais que dois graus centígrados é "mobilizar o setor privado" para que opere uma "transformação energética".

"Precisamos incluir os gigantes tecnológicos globais, o setor petroleiro e gasista e a indústria automobilística para que seus planos de negócio estejam em linha com os objetivos de Paris", destacou.EFE

BRASIL POLÍTICA

Na Alemanha, Dilma afirma que Lula é vítima de golpe político e judicial

Dilma Rousseff em foto de 30 de outubro. EFE/Paulo Fonseca

A ex-presidente Dilma Rousseff denunciou nesta terça-feira em Berlim, na Alemanha, a existência de um golpe político-judicial conduzido pelo liberalismo latino-americano para tentar conter a volta do também ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao poder nas eleições de 2018 no Brasil.

"Conheci duas formas de golpe. Primeiro, o imposto pela ditadura militar, quando não havia liberdade de expressão nem de imprensa, mas sim prisões, tortura, assassinatos e exílio", indicou Dilma em um evento realizado na Universidade Livre de Berlim.

"Agora temos outra forma de golpe que já não precisa do Exército para destituir políticos legitimamente eleitos. São golpes classificados como políticos, parlamentares-judiciais, que não foram dirigidos a mim como pessoa, mas contra a nação e o povo brasileiros, contra os mais pobres", disse a ex-presidente.

O objetivo desse movimento, defendeu Dilma, era acabar com a luta contra a exclusão social empreendida pelo PT nos 13 anos que o partido permaneceu no poder.

Dilma fez as declarações em um evento moderado pela ex-ministra de Justiça da Alemanha Herta Däubler-Gmelin, que ocupou o cargo entre 1998 e 2002.

A ex-presidente também denunciou o assédio judicial contra Lula, uma estratégia que, segundo ela, pretende impedir que ele volte ao poder nas próximas eleições.

"Aconteça o que acontecer, lutaremos para que Lula volte ao poder. E conseguiremos porque somos mais fortes do que os que pretendem impedi-lo", destacou a ex-presidente.

Lula lidera as pesquisas para as eleições de 2018, mas pode ser impedido de disputar o pleito caso seja condenado em segunda instância pela Justiça. O ex-presidente já foi condenado pelo juiz Sérgio Moro, em primeira instância, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá.

Para Dilma, a luta do PT é contra essa "nova forme de golpe" praticada pelas elites políticas, pelo monopólio da imprensa, por setores do Judiciário, além de parlamentares corruptos.

Dilma foi recebida no edifício Henry Ford da Universidade Livre de Berlim por estudantes e membros da colônia brasileira na capital alemã. O evento foi organizado pela Fundação Friedrich Ebert, ligada ao Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD).

A sala ficou lotada de cartazes contra o presidente Michel Temer e com mensagens de apoio a Dilma e Lula.EFE