terça-feira, 30 de maio de 2017

MENSAGEM DO DIA

NA CIDADE UNIVERSITÁRIA/UFPA - 04


Complexo Hospitalar da UFPA participa de Mutirão Nacional

A 2a edição do evento tem expectativa de recorde, com mais de oito mil procedimentos em todo o país. Nos hospitais Barros Barreto e Bettina Ferro 81 profissionais atuarão em 335 procedimentos.

Na próxima quarta-feira, dia 31 de maio, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) realizará o 2º Mutirão Nacional da Rede Ebserh e participam da ação as Unidades João de Barros Barreto (UJBB) e Bettina Ferro de Souza (UBFS), que pertencem ao Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (UFPA) administrado pela Ebserh. A iniciativa disponibilizará no país mais de oito mil procedimentos para pacientes que já estão na fila de espera, o que equivale ao dobro de atendimentos realizados na primeira edição, ocorrida há menos de seis meses. A ação contará com a participação de todos os 39 Hospitais Universitários Federais filiados à estatal, nas cinco regiões do país.

As unidades oferecerão cirurgias, exames, consultas e ações educativas que têm como objetivo reduzir a demanda reprimida nas unidades e no Sistema Único de Saúde (SUS). Mais de 3.700 pessoas estão envolvidas nas atividades do mutirão nacional incluindo médicos, preceptores, residentes, enfermeiros, demais profissionais da área assistencial e administrativa, entre outros.
A primeira edição do evento, ocorrida dia 30 de novembro de 2016, ajudou a mudar a vida de muitas pessoas, como a do autônomo Carloane da Silva Ferreira, 32 anos, que mora no bairro da Terra Firme, em Belém. Ele aguardou pela cirurgia de hérnia por mais de um ano e, antes de ser atendido no Barros, esteve em outras Unidades de Saúde de Belém. “Depois que fui encaminhado e cadastrado no Barros, aguardei pela cirurgia por cerca de dois meses e graças a Deus teve esse mutirão, porque se não fosse essa ação acredito que não seria mais este ano, o que só pioraria o meu problema e a minha vida”, diz.

Procedimentos
Para alcançar o número, cada instituição definiu as especialidades que mais contemplam às necessidades de saúde de cada região. No Complexo Hospitalar da UFPA/Ebserh o total de 81 profissionais atuarão em 335 procedimentos. Os beneficiados de forma direta com os serviços são pacientes cadastrados no Barros e Bettina e que foram contactados pela Unidade de Regulação Assistencial dos hospitais.


No Bettina Ferro, serão 72 profissionais envolvidos na realização de 285 procedimentos. Deles, 145 na área de Otorrinolaringologia sendo 80 consultas, 55 exames (40 videolaringoscopia, 10 audiometria e 5 bera) e 10 cirurgias (7 adenoamígdalectomia, 1 timpanoplastia, 1 septoplastia e 1 mastoidectomia). Além de 90 em Oftalmologia sendo 40 consultas e 45 exames (33 refração, 5 curva tensional, 5 ecobio e 2 gonioscopia). Ocorrerá também 45 consultas em atendimento à saúde da criança e adolescente e 10 exames de Cardiologia (todos eletrocardiograma).


No Barros Barreto seis profissionais realizarão 50 exames de mamografia. A instituição é um dos poucos hospitais públicos no Pará a contar com mamógrafo digital, adquirido com recursos da UFPA, e o resultado do exame sairá em até 48 horas. Além do atendimento em radiologia, o Barros promove ação educativa externa e internamente sobre a prevenção e tratamento do HIV/Aids. A expectativa é atingir dezenas de pessoas, entre usuários, profissionais e comunidade em geral, por meio de três médicos residentes.

Sobre a Ebserh

Estatal vinculada ao Ministério da Educação, a Ebserh administra atualmente 39 hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do SUS, e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas. O órgão, criado em dezembro de 2011, também é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações nas 50 unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.

Texto: Cleide Magalhães – Ascom do Complexo Hospitalar da UFPA/Ebserh,
Com informações também da Ascom/Ebserh/DF.

ABALO GEOPOLÍTICO - Angela Merkel sinaliza fim do alinhamento da Europa aos EUA

Contexto que se desenrola será extremamente prejudicial para os EUA (Foto: Wikimedia)

A chanceler alemã, Angela Merkel, abriu um novo capítulo nas relações entre a Europa e os Estados Unidos no último domingo, 28.

Em uma conferência de imprensa dada em Munique, Merkel disse ser hora de a Europa “controlar seu destino com as próprias mãos” e “deixar de depender de aliados dos quais dependeram no passado”. Ela se referia aos Estados Unidos.

A declaração foi dada após três dias de fracassadas negociações na cúpula da Otan, realizada na Sicília, na qual Trump se recusou a endossar a doutrina de defesa mútua do bloco e em entrar em consenso em questões como mudanças climáticas, comercio internacional e Rússia.

Claramente desapontada, Merkel sinalizou um novo paradigma, onde a Europa não necessariamente seja alinhada aos EUA, como tem sido historicamente. “Os tempos em que podíamos confiar plenamente nos outros de alguma forma acabaram. Foi o que senti nos últimos dias”, disse Merkel.

Os comentários da líder da maior potência europeia foram sem precedentes e traçam um cenário sombrio para a aliança transatlântica que desde a Segunda Guerra Mundial guia o mundo e mantêm a segurança do Ocidente. Eles também preparam a população alemã para se acostumar a um papel mais ativo do país nas questões globais e europeias.

O afastamento entre EUA e Europa ocorre no mesmo momento em que o Reino Unido se prepara para deixar a União Europeia, o que significa que o bloco perderá sua segunda maior economia e uma de suas três potências nucleares.

Os comentários de Merkel também indicam um aumento do protagonismo geopolítico alemão na Europa, que vem se tornando uma potência dominante no continente em parceria com a França. O novo presidente francês, Emmanuel Macron, expressou inclinação para trabalhar junto à Alemanha para recuperar a União Europeia de seus problemas.

Segundo analistas, o contexto que se desenrola será extremamente prejudicial para os EUA. “Isso aparenta ser o fim de uma era, na qual os EUA lideravam e a Europa seguia”, disse, em entrevista ao New York Times, Ivo H. Daalder, ex- enviado especial dos EUA para a Otan e atual diretor do Conselho de Chicago para Assuntos Internacionais.

A opinião é corroborada por Cliff Kupchan, presidente do grupo Eurasia. “Trump está criando a maior fissura transatlântica desde a guerra do Iraque, talvez, desde a Segunda Guerra Mundial. Isso deixa os EUA expostos. Se o acordo nuclear com o Irã definhar, por exemplo, a Europa pode não ficar do lado de Trump em uma perigosa crise”, disse Kupchan, em entrevista ao Washington Post.

Apesar disso, Trump parece satisfeito com o cenário. Em sua conta no Twitter ele considerou a cúpula da Otan um sucesso. “Acabo de retornar da Europa. A viagem foi um grande sucesso para os EUA. Trabalho duro, mas grandes resultados”, escreveu o presidente americano.

Trump e Merkel tem trajetórias e posições radicalmente distintas. Eles são conhecidos por suas divergências e o americano faz questão de deixar claro seu desprezo pela chanceler. Em 17 de maio deste ano, por exemplo, ele se recusou a apertar a mão de Merkel durante uma recepção no Salão Oval da Casa Branca. Diante de fotógrafos que registravam o momento, Merkel perguntou a Trump: “Senhor presidente, poderíamos apertar as mãos?”, disse a chanceler, sinalizando um costume formal entre líderes. Trump, no entanto, a ignorou.

A chanceler alemã se prepara para disputar seu quarto mandato nas eleições parlamentares da Alemanha de setembro deste ano.
The New York Times

CULTURA - Bienal de Veneza deste ano exalta a consciência social

Evento é o mais importante do calendário internacional do mundo da arte (Foto: Twitter)

Dentro de uma fábrica de cordas medieval desativada, os visitantes da Bienal de Veneza observam uma lona e bobinas de fios coloridos presas ao teto. É uma obra de arte de David Medalla, um artista de 75 anos das Filipinas. É uma obra “participativa”, como muitos trabalhos em torno dela, um conceito que expressa a criatividade coletiva, em vez do talento individual.

A Bienal de Veneza, inaugurada no dia 13 de maio, é o evento mais importante do calendário internacional do mundo da arte. O evento foi criado em 1895, com o objetivo inicial de promover o trabalho de artistas italianos vivos e, com exceção das interrupções durante as guerras mundiais, tem mantido sua periodicidade. A inauguração do primeiro pavilhão nacional, o da Bélgica, em 1907, transformou a Bienal em um equivalente artístico de uma feira mundial. Hoje, 86 países exibem o trabalho de seus artistas nos pavilhões nacionais.

A Bienal pode projetar a fama de artistas e curadores. O talento de Robert Rauschenberg e o sinal de que o equilíbrio de poder no mundo da arte pós-guerra havia mudado de Paris para Nova York, foi reconhecido em 1964, quando Rauschenberg foi o primeiro americano a ganhar o prêmio Leão de Ouro. O historiador de arte suíço Harald Szeemann, curador das edições de 1999 e 2001 da Bienal, marcou o início da figura influente do “supercurador” de exposições de arte.

Este ano Christine Macel, curadora-chefe do Centro Pompidou em Paris, reuniu o trabalho de 120 artistas em dois espaços enormes. Além dos pavilhões nacionais, 45 galerias espalhadas pela cidade exibem obras de artistas de diversos países.

Em contraste com o anticapitalismo agressivo da Bienal de 2015, a edição deste ano intitulada “Viva Arte Viva” expõe obras que refletem a consciência social, uma reação ao “individualismo e à indiferença” em um mundo ameaçado por conflitos.The Economist

VIVENDO NO BRASIL

FESTIVAL DE CANNES - Sátira sobre mundo da arte ganha Palma de Ouro

Cena do filme 'The Square' (Fonte: Reprodução/Divulgação)

A 70ª edição do Festival de Cannes entregou seu prêmio principal, a “Palma de Ouro”, a um filme que satiriza os valores da burguesia ocidental e o mundo contemporâneo da arte: “The Square”, do diretor sueco Ruben Östlund.

O anúncio dos ganhadores dos prêmios de Cannes foi feito neste domingo, 28. “The Square” é estrelado por Dominic West, que vive o diretor de um museu, e Elizabeth Moss.

Joaquin Phoenix ganhou o prêmio de melhor ator por “You Were Never Really Here”, e Diane Krueger ficou com o de melhor atriz, por “In the Fade”. Sofia Coppola ganhou o prêmio de melhor direção por “The Beguiled” (“O Estranho que Nós Amamos”).

O “Grande Prêmio” do festival foi para o filme “120 battements par minute”, do diretor francês Robin Campillo. O “Prêmio do Juri” foi para o russo Andrei Zviaguintsev, de 53 anos, por “Loveless”, um retrato sobre uma sociedade russa brutal e desumanizada.G1

ISRAEL / EUA - Netanyahu diz que Trump não deu "cheque em branco" a Israel


O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse nesta segunda-feira em reunião de seu partido, o Likud, que o presidente dos EUA, Donald Trump, não deu a Israel "um cheque em branco", em referência à política do país e ao conflito com os palestinos.

"Ao mesmo tempo que é verdade que temos uma afetuosa relação e um grande entendimento no que diz respeito a nossos posicionamentos fundamentalistas, não é verdade que tenhamos um cheque em branco. Isto está muito longe da realidade", disse Netanyahu aos membros de seu partido, segundo o jornal "Ynet" e outros veículos de imprensa locais.

O líder israelense confirmou que Trump está disposto a alcançar um acordo de paz entre palestinos e israelenses, mas pediu atuação de forma "prudente e responsável" quando se trata do consentimento "dos EUA".

Os deputados do Likud de Netanyahu pediram que o líder se posicione na solução de dois Estados, enquanto aumentam as vozes internas que pedem que despreze essa opção, a única que conta com o apoio da comunidade internacional e que implica no reconhecimento mundial a um Estado palestino independente.

O presidente americano visitou na semana passada Jerusalém e Belém, onde garantiu que há uma "oportunidade excepcional" para alcançar a paz entre israelenses e palestinos e se comprometeu com Netanyahu e o presidente da autoridade nacional palestina ( ANP), Mahmoud Abbas, a apoiar a volta à mesa de negociações.

Seu assessor para negociações internacionais, Jason Greenblatt, manteve encontros recentes com líderes de ambas partes na região na busca de gestos de ótima vontade e concessões que possam retomar o processo de paz.EFE

FRANÇA / FOTOGRAFIA

Sebastião Salgado leva duas faces da Amazônia à universidade francesa


O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado doou nesta segunda-feira duas de suas obras sobre a Amazônia à biblioteca do prestigiado Instituto de Estudos Políticos de Paris, conhecido como Science Po, onde lembrou a necessidade de salvar o planeta.

"Preferi duas fotografias que representam as duas faces distintas da Amazônia. Se seguirmos nesse ritmo destrutivo, em 30 anos, destruiremos a Amazônia", disse o fotógrafo, de 73 anos.

As duas imagens são muito distintas. A primeira mostra uma montanha escavada pela atividade do garimpo. Na segunda, é possível ver no horizonte a formação de uma chuva, em um movimento de nuvens que forma uma imagem similar a de um "cogumelo atômico". Ambas em preto e branco, elas caracterizam o estilo do fotógrafo brasileiro e revelam sua curiosidade pelos fenômenos biológicos e antropológicos.

As imagens foram reveladas pelo próprio autor durante o evento, que faz parte das comemorações do décimo aniversário do Observatório Político da América Latina e do Caribe (Opalc) da Science Po.

"É um momento histórico, sem precedentes nos 150 anos da instituição", disse o diretor da Sciences Po, Frédéric Mion, que destacou que a presença de Salgado exemplifica as boas relações da universidade e a América Latina.

Durante a cerimônia foi exibido um vídeo em que diferentes personalidades latino-americanas agradecem a doação do fotógrafo.

"As fotografias de Salgado provocam um choque emocional maior do que nossos trabalhos", afirmou o presidente do Opalc, Olivier Dabène, que também ressaltou a "qualidade estética" das obras.

A capacidade comunicativa das imagens de Salgado também foi elogiada pelo embaixador do Brasil na França, Paulo Oliveira Campos.

Salgado foi para Paris exilado após a decretação do AI-5, em dezembro de 1968. Na França, o fotógrafo estudou na Escola Nacional de Estatística e Administração Econômica, mas acabou descobrindo sua paixão pela fotografia.

A Science Po de Paris é uma das instituições mais prestigiadas das ciências sociais e políticas da França. Entre ex-alunos de destaque estão os ex-presidentes Nicolas Sarkozy e François Hollande.EFE

PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

Encontrado submarino afundado por "monstro marinho" na Primeira Guerra Mundial

Quase um século depois, a história, que até então estava arquivada como segredo de guerra, finalmente veio à tona.

Em 30 de abril de 1918, o capitão alemão Günther Krech e sua tripulação foram resgatados pelo navio britânico HMS Coreopsis, perto do litoral da Irlanda. Os alemães afirmavam que seu submarino, o UB-85, havia sido atacado por um monstro marinho com chifres e presas.

Segundo Krench, a enorme criatura subiu na embarcação até deixá-la fora de operação. Pouco depois do resgate, o submarino afundou e desapareceu desde então. A história foi classificada como segredo de guerra e esquecida, até que, no final do ano passado, uma equipe de engenheiros que fazia medições para o traçado de uma instalação elétrica encontrou os restos do submarino.

Innes McCartney, arqueólogo marinho da Bournemouth University, no Reino Unido, não acredita que a história do UB-85 deva ser levada muito a sério. Em uma entrevista dada a um meio de comunicação inglês ele afirmou que os verdadeiros monstros da Primeira Guerra Mundial foram os submarinos.

No entanto, na região onde o submarino alemão afundou, foram relatados vários avistamentos de uma estranha criatura marinha. Alguns até consideram o monstro como o primo de água salgada de Nessie, o estranho ser que habitaria as profundezas do Lago Ness, na Escócia.
War History Online
Imagem: National Archives and Records Administration/Domínio público

O DIAMANTE HOPE

Belo e amaldiçoado: a história do diamante Hope

A pedra é mundialmente famosa – não só por seu tamanho e sua rara tonalidade azulada, mas pela maldição que aflige a todos os seus proprietários.

A lenda conta que a pedra foi extraída de um santuário feito em homenagem à deusa hindu Sita, e que esse sacrilégio é o responsável pela maldição. Levado à Europa pelas mãos do joalheiro Jean Baptiste Tavernier, o diamante foi comprado por Luís XIV, que reduziu seu tamanho e lhe deu uma forma de coração. Grande parte dos filhos do rei morreu com uma idade precoce.

Anos depois, a joia foi presenteada a Maria Antonieta, que morreu decapitada durante a Revolução Francesa. Uma amiga da rainha, a princesa de Lamballe, que havia usado o diamante em mais de uma ocasião, também morreu, linchada por uma multidão.

A pedra foi roubada e apareceu séculos depois nas mãos do joalheiro holandês Wilhelm Fals, que lhe deu uma forma ovalada, a atual. Ele morreu assassinado pelo seu próprio filho.

O diamante continuou circulando: foi presenteado a uma nobre russa que morreu assassinada e, depois, esteve nas mãos do príncipe Iván Kanitowski, executado pelos revolucionários bolcheviques.

Seu último proprietário, o joalheiro Harry Winston, doou o objeto ao Instituto Smithsoniano de Washington, onde ele se encontra atualmente.Super Curioso
Imagem: Jyothis at Malayalam Wikipedia, CC BY-SA 3.0

segunda-feira, 29 de maio de 2017

MENSAGEM DO DIA

Ministério da Justiça - Temer troca comando


A menos de dez dias do julgamento da cassação de seu mandato pela Justiça Eleitoral, o presidente Michel Temer realizou uma troca ministerial neste domingo (28) e nomeou o jurista Torquato Jardim para a Justiça.
O movimento teve como objetivo fortalecer a pasta e melhorar a interlocução do peemedebista tanto com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) como com o STF (Supremo Tribunal Federal), responsável por conduzir inquérito contra o presidente.

Diferentemente de Osmar Serraglio, que ocupava o cargo até então, Torquato já foi ministro do TSE e tem boa interlocução nos tribunais superiores. Ele é conhecido pelo perfil conciliador, motivo que também o levou a ocupar a Transparência (ex-CGU).

Ele já havia sido cogitado para a Justiça quando Temer assumiu o Palácio do Planalto, em maio de 2016, mas o presidente acabou escolhendo o atual ministro do STF, Alexandre de Moraes. No novo cargo, Torquato terá ascendência sobre a Polícia Federal.

A mudança ocorre a pouco mais de uma semana da retomada do julgamento pela Justiça Eleitoral da cassação da chapa presidencial, marcada para 6 de junho.

Com a mudança, o presidente decidiu nomear Serraglio para a vaga anteriormente ocupada por Torquato, mantendo o direito a foro privilegiado ao deputado federal afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), amigo de Temer.

O parlamentar é acusado de receber R$ 500 mil em propina na delação premiada da JBS e está sendo investigado no STF no mesmo inquérito do presidente.

Com a manutenção do foro privilegiado a Loures, Temer também se blinda, já que seu inquérito está atrelado ao do ex-assessor especial. Para os procuradores, o valor recebido por Loures teria a anuência do presidente, o que impossibilita a separação das investigações.

O presidente chegou a considerar nomear Serraglio para a Cultura, mas, com receio de protestos de artistas e intelectuais, preferiu a Transparência. A ideia é que a Cultura seja ocupada por um nome indicado pela bancada federal de Minas Gerais, que reinvindica um ministro mineiro desde o início da gestão peemedebista.

A saída de Serraglio da Justiça já era discutida desde o início da semana passada pelo peemedebista. A gestão dele vinha sendo criticada por auxiliares e assessores presidenciais pela falta de pulso firme e de resposta rápida diante do aumento de episódios de violência pelo país.

Além disso, havia o receio de que ele fosse citado em delação premiada que tem sido negociada com o Ministério Público Federal pelo fiscal agropecuário Daniel Gonçalves Filho, apontado como o líder do esquema de corrupção descoberto pela Operação Carne Fraca.

Em grampo divulgado em abril, Serraglio chamava Daniel de "grande chefe". Ele telefonou em fevereiro ao fiscal, quando ainda era deputado federal, para obter informações sobre o frigorífico Larissa, de Iporã (PR).
A avaliação é de que, na Transparência, Serraglio ficará menos em evidência do que na Justiça caso sofra acusações do fiscal.

Na companhia de Torquato, o presidente viajou na tarde deste domingo (28) para Maceió, onde irá sobrevoar áreas de alagamento. No sábado (27), a capital do Alagoas decretou estado de calamidade pública após as chuvas terem deixado quatro mortos.(Folhapress)

ODEBRECHT / ARGENTINA

Argentina confirma que ainda não existe acordo com Odebrecht


O governo argentino confirmou neste domingo que, após as reuniões desta semana com representantes da construtora brasileira Odebrecht para esclarecer o suposto pagamento de subornos a funcionários e empresários locais, ainda não se chegou a um acordo.

"Nós convocamos à empresa. Eles fizeram uma proposta. Essa proposta estava basicamente baseada na normativa brasileira e requer a participação do Ministério Público. Do Ministério Público não se tem hoje uma resposta", explicou o ministro de Justiça, Germán Garavano, em declarações à "Radio Mitre".

Apesar isso, ele destacou que a decisão do Poder Executivo de oferecer a Odebrecht apresentar a informação que tivesse através do Escritório Anticorrupção "conseguiu mudar algo" no ritmo da causa.

"Na semana passada, parecia que não acontecia nada aqui", mas após "a participação ativa do Poder Executivo" foram feitos esclarecimentos ordenados pela Justiça, afirmou.

"O que continuamos vendo é se a empresa, além desse avanço com o Ministério Público e com base na normativa argentina, pode fornecer esta informação e ver quem foram os que receberam estes milhões, basicamente funcionários do governo anterior", remarcou Garavano.

O ministro voltou a criticar a atuação da Promotoria argentina, liderada por Alejandra Gils Carbó (considerada próxima ao kirchnerismo) e expressou que o seu desempenho gera "preocupação".

"Isto é um caso que deve ser primariamente, como aconteceu na maioria dos países da região, encarado pela Promotoria. Lamentavelmente, a Promotoria, nas mãos de Gils Carbó, não avançou neste processo", considerou.

"A partir disso, houve uma decisão muito forte do presidente (Mauricio Macri) de que se avance para ter informação vinculada a quem recebeu estes US$ 35 milhões que a empresa diz ter dado de propina", continuou.

Segundo ele, o governo anterior (Cristina Kirchner, 2007-2015) deixou "uma situação institucionalmente muito crítica", o que afeta o avanço das causas de corrupção.

Na Argentina, a Odebrecht é investigada por supostas irregularidades e superfaturamentos na contratação de várias empresas por parte da estatal AySA, a maior companhia de serviços de distribuição de água e saneamento da Argentina, para a construção de uma usina de tratamento de água em 2008. No caso estão indiciados vários funcionários da empresa pública - como seu ex-titular, Carlos Ben - e representantes de empreiteiras, entre as quais está a Odebrecht.

O Executivo de Mauricio Macri afirmou na semana passada que a Promotoria argentina não está sendo efetiva nas investigações para esclarecer os supostos atos de corrupção envolvendo a empresa brasileira, que tem importantes contratos de obra no país e por isso, o ministro de Justiça se reuniu no último dia 23 em Buenos Aires com os advogados da Odebrecht para abrir uma via alternativa para solicitar informação.EFE

COLÔMBIA / ACIDENTE

Diretor de LaMia se declara culpado por 1 crime em queda do avião da Chape
Destroços da aeronave da Chapecoense. EFE/Luis Eduardo Noriega

O diretor da companhia aérea LaMia, Gustavo Vargas Gamboa, se declarou culpado por um dos quatro crimes de que é acusado pelos investigadores do acidente do avião que transportava a delegação da Chapecoense para a Colômbia, em novembro do ano passado, informa a imprensa da Bolívia neste domingo.

A defesa de Vargas Gamboa apresentou, em abril do ano passado, uma proposta de acordo aos promotores que averiguam o caso na Bolívia, em que aceita a admissão de culpa por homicídio culposo, ou seja, sem intenção de matar. O diretor da LaMia pede para ser condenado por dois anos de prisão, detalha o jornal "El Deber".

O acusado está detido preventivamente em Palmasola, no departamento de Santa Cruz, desde dezembro, e quer que o acordo o deixe imune de ser julgado por lesões gravíssimas, lesões culposas e desastre em meio de transporte.

O advogado de Vargas Gamboa, Jerjes Justiniano, afirmou que a decisão foi tomada pelos problemas de saúde que o diretor sofre.

"Só lhe funciona um rim. Ele teve três infartos, tem pressão arterial alta e precisa receber doses diárias de insulina. Prefere que o condenem e que possa sair da prisão para ser tratado", disse o responsável pela defesa, ao "El Deber".

O Ministério Público da Bolívia ainda não respondeu a proposta de acordo apresentada.

O avião da LaMia que levava a delegação da Chapecoense, além de jornalistas e convidados para a Colômbia, onde aconteceria a primeira partida da final da Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional, colidiu com uma colina após ficar sem combustível. A tragédia matou 71 dos 77 passageiros do avião.

Além de Vargas Gamboa, também está preso o ex-supervisor de tráfego aéreo da Administração de Aeroportos e Serviços à Navegação Aérea (Aasana) Joons Miguel Teodovich.

Também está detido o filho do diretor da LaMia, Gustavo Vargas Villegas, era diretor do Registro Aeronáutico Nacional da Direção de Aeronáutica Civil, que autorizou, em 2014, a importação e matrícula provisória do avião da companhia aérea.

A companhia Bisa Seguros e Reaseguros informou nesta quinta-feira que a queda do avião de LaMia não tem cobertura de seguro. Os sobreviventes e os familiares das vítimas, no entanto, podem pedir ajuda a um fundo de cooperação que foi criado para atendê-los.

A emissora americana "CNN" exibiu em reportagem que uma carta enviada pela seguradora aos gerentes da companhia aérea, informava que a "apólice estava suspensa por falta de pagamento desde outubro" de 2016. Ou seja, o seguro não estava em vigor no momento da tragédia.

A Bisa divulgou que a apólice para a tripulação está sendo paga de forma normal, com US$ 150 mil (R$ 489 mil) para cada tripulante morto, além de ter destinado US$ 25 mil (R$ 81,5 mil) para cada sobrevivente custear as despesas médicas.As autoridades da Bolívia, por sua vez, garantem que a apólice estava em dia, sim, no dia da queda da aeronave.EFE

VIVENDO NO BRASIL

POLÍTICA - Causa monarquista...a volta dos que não foram

Dom Luiz, trineto de Dom Pedro II, encabeça o movimento monarquista no país (Foto: Reprodução/Folhapress)

Na medida em que se acentua a percepção de decadência da República entre brasileiros, surgem as mais incabíveis propostas para salvar o país, entre elas a restauração da monarquia.

Nesta terça-feira, 24, o trineto de Dom Pedro II, Dom Luiz de Orleans e Bragança, suposto herdeiro do trono extinto em 1889, publicou nota em que diz que “a família imperial está disposta a ajudar em busca de soluções ponderadas que sejam uma saída para a crise que angustia os brasileiros”. Dom Luiz assina como chefe da Casa Imperial do Brasil.

Embora não chegue ao ponto de defender diretamente a troca do regime republicano pela monarquia, Dom Luiz destaca “uma crescente corrente monárquica espalhada pelo Brasil”.

O monarquismo como movimento ideológico sobreviveu ao fim do Império, em parte, porque os herdeiros da Família Imperial permanecem no país. Hoje, em tempos de crise e muita incerteza política, parecem atrair novos simpatizantes, os quais defendem a criação de uma monarquia parlamentarista. Nesse cenário, a chefia de Estado caberia a um imperador vitalício e hereditário, mais precisamente o próprio príncipe Dom Luiz, e a chefia de governo a um primeiro-ministro temporário e eleito, proveniente do partido político de maioria na Câmara dos Deputados.

Don Luiz exerceria uma espécie de “quarto poder moderador” para manter o equilíbrio entre os demais poderes executivo, legislativo e judiciário, prometendo, entretanto, não interferir no governo a não ser em casos extremos e com autorização de um Conselho de Estado. Eleições regulares seriam mantidas para que o povo elegesse seus representantes para o Congresso.

Segundo os que defendem esse sistema, como os criadores do site Causa Imperial, o movimento monarquista começou a ganhar força com a criação de novos grupos no Facebook a partir de 2010, com páginas como a Pró-Monarquia, Príncipe Dom Rafael do Brasil e Geração Monarquia.

Dom Luiz não cita Michel Temer em sua nota, nem o escândalo das gravações de Joesley Batista. Diz, no entanto, que o Brasil tem sido vítima de um “projeto de dominação socialista”. O tom anticomunista da nota é uma tradição dos Orléans e Bragança.OPN

LIGAÇÕES COM A RÚSSIA

Genro de Donald Trump vira alvo do FBI

Casado com Ivanka Trump, Kushner é um dos principais assessores de Trump (Foto: Twitter)

Jared Kushner, genro e conselheiro do presidente dos EUA, Donald Trump, se tornou alvo da investigação do FBI que apura a interferência da Rússia nas eleições presidenciais americanas de 2016.

Segundo o jornal Washington Post, os agentes estão investigando uma série de reuniões entre Kushner e representantes do Kremlin, incluindo um banqueiro e o embaixador russo Sergei Kislyak.

O encontro de Kushner e Kislyak ocorreu em dezembro do ano passado, após a vitória de Trump. Nele, esteve presente o então assessor de segurança nacional da Casa Branca Michael Flynn. O ex-assessor também é alvo da investigação do FBI por ter se encontrado com Kislyak antes da posse de Trump para tratar do fim das sanções contra a Rússia impostas pelo governo de Barack Obama por conta da anexação da Crimeia.

Além do encontro com Kislyak, Kushner também se reuniu com o banqueiro russo, Sergei Gorkov, presidente do banco Vnesheconombank, instituição alvo das sanções dos EUA.

Casado com Ivanka Trump, Kushner, de 36 anos, é um dos principais assessores de Trump. Ele trabalhava na Trump Organizations antes de ser alçado ao cargo na Casa Branca. Segundo o Post, ele abandonou o cargo na organização, mas continua recebendo os rendimentos dos investimentos da família.The Washington Post

IMPASSE NA ÍNDIA- Religião de ministro canadense gera tensão diplomática

O ministro-chefe do estado de Punjab se recusou a recebê-lo (Foto: Twitter)

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, nomeou quatro ministros siques para seu gabinete composto por 30 membros em 2015, vangloriando-se de ter mais siques em seu governo do que o primeiro-ministro indiano Narendra Modi. A escolha de quatro dos 500 mil adeptos canadenses do siquismo, uma religião monoteísta criada na região de Punjab, Índia, no fim do século XV, é mais uma prova da crença de Trudeau que a diversidade do Canadá é uma fonte de força. No entanto, a diversidade religiosa pode causar problemas inesperados, como aconteceu com o ministro da Defesa, Harjit Sajjan, durante uma recente missão à Índia.

O Canadá quer diminuir sua dependência comercial dos Estados Unidos e viu na China, Índia e Japão possíveis mercados promissores. Sajjan foi à Índia no mês passado com a missão de conversar com as autoridades indianas sobre defesa, segurança e investimento. Mas antes de chegar ao país, Amarinder Singh, ministro-chefe do estado de Punjab, acusou Sajjan e seus colegas siques do governo canadense de apoiar a criação do estado independente Khalistan, uma reivindicação dos siques, e se recusou a recebê-lo.

Sajjan é acusado de ser um simpatizante da causa do estado de Khalistan desde que entrou na política em 2014, após uma carreira como oficial de polícia e nas forças armadas. Seus críticos dizem que seu pai, Kundan Singh Sajjan, era um funcionário importante da World Sikh Organisation (WSO), uma organização sem fins lucrativos fundada em 1984 para defender os interesses dos siques, e que a WSO apoiou a indicação de Sajjan para o Partido Liberal. Sajjan sempre negou as acusações e reiterou seus protestos diante da reação do ministro-chefe de Punjab.

A visita teria sido um sucesso diplomático se Sajjan não houvesse feito comentários a respeito do seu desempenho como militar do exército canadense no Afeganistão para uma plateia de indianos. No início de maio, ele fez um pedido formal de desculpas no Parlamento do Canadá por suas observações pretensiosas.The Economist

DRIBLANDO A CRISE - Jovens gregos se voltam para a agricultura

Setor pode ser a chave para a retomada econômica da Grécia (Foto: Pinterest)

Odysseas Elytis, poeta grego ganhador do Premio Nobel de Literatura em 1979, certa vez escreveu que se a Grécia fosse desintegrada, restaria no final apenas uma oliveira, um vinhedo e um navio. Com esses elementos o país poderia ser reconstruído.

Após atravessar oito anos de uma profunda crise econômica, milhares de jovens gregos comprovando as palavras de Elytis e migrando das cidades para o campo. Um deles é Alexandros Kleitsas­, de 35 anos. Ele vivou toda a vida na capital Atenas. Há quatro anos, ele trabalhava em empresa privada de controle de qualidade de produtos orgânicos da capital. Após passar dois anos desempregado, ele decidiu que não tinha outra opção a não ser deixar tudo para trás e se mudar para Kalabaka, vilarejo rural a quatro hora ao norte de Atenas, onde moram seus avós.

Lá ele mais três amigos se estabeleceram na agricultura. Hoje ele produz azeite de oliva orgânico e erva-de-são-joão, conhecida por suas propriedades antidepressivas. “Alguém tem que começar a produzir de novo neste país. Não podemos estar todos no setor de serviços, então deixei a cidade. Comecei do zero”, diz ele, em entrevista à Al Jazeera.

Alexandros não é o único. Pela primeira vez em 20 anos, o número de empregados no setor rural está subindo. Segundo o relatório mais recente do serviço de estatística grego, o percentual subiu de 11%, em 2008, para 12,9%, em 2015. Quase metade dos novos agricultores provém das cidades.

O desemprego é um fato crucial no aumento da procura por trabalho nas áreas rurais. A taxa de desemprego para pessoas abaixo dos 25 anos é de 48%. Entre os que têm de 24 a 35 aos, como Alexandros, o percentual é de 30%. A falta de emprego no setor público ou privado levou milhares de jovens na casa dos 20 e dos 30 anos se voltar para a agricultura.

Os agricultores gregos enfrentam obstáculos como qualquer outro empreendedor do país. Entre eles está a constante variação tributária e a falta de empréstimos públicos por parte dos bancos. Desde a recessão os bancos reduziram a concessão de empréstimos, especialmente para agricultores.

Outro desafio é a burocracia grega. “Nós agricultores precisamos estar no campo. As coisas que podem ser feitas de forma eletrônica deveriam ser feitas online, em vez de ter alguém no departamento tributário dizendo ‘Desculpe, atolado de coisas. Volte amanhã’”, critica Thodoris Vasilopoulos, de 35 anos, presidente da Associação de Jovens Agricultores.

Apesar dos desafios, a nova geração de agricultores gregos segue a pleno vapor. Desde a crise de 2008, o PIB da Grécia já encolheu 25% e consumo das famílias caiu 40%. Hoje, a contribuição do setor agrícola para a economia cresceu um bilhão de euros, subindo de 3,1%, em 2008, para atuais 4,2%.

“Nós, os jovens que trabalham no setor primário, temos a chave para a recuperação desta crise econômica. Nós conseguiremos fazer isso, contanto se trabalharmos juntos e trabalharmos duro”, disse Thodoris.Al Jazeera

domingo, 28 de maio de 2017

MENSAGEM DO DIA

DELAÇÃO PREMIADA

Entenda o golpe de mestre de Joesley Batista via Teoria dos Jogos

Como bom homem de negócios o delator sabia que precisava de algo raro, valioso e irrefutável (Reprodução/Rede Globo)

O empresário Joesley Batista deu um xeque-mate. Fez uma jogada de mestre. A perplexidade de alguns contracena com a ação eficiente de Joesley, sócio da JBS, para salvar seu grupo empresarial e sua liberdade, típica de quem domina a lógica do novo modelo de compra e venda de informações. Farei uma análise via Teoria dos Jogos, tema que tenho procurado estudar[1]. Sou favorável à delação premiada, embora reconheça que há certa ambiguidade e ausência parcial de regras claras sobre o modo de produção desse modelo negocial. Para entender o êxito da estratégia definida por Joesley e seus advogados, seguirei o seguinte trajeto:

1) as investigações estavam chegando aos interesses de seu grande conglomerado empresarial, cujos lucros foram de R$ 4,6 bilhões em 2015 e de R$ 694 milhões em 2016, sendo necessário agir para (i) manter a vitalidade da empresa e (ii) mitigar os efeitos da ação penal sobre a liberdade dos sócios;

2) para obter a estratégia dominante/dominada, abrem-se duas táticas: (i) passiva: aguardar o desenrolar das investigações, tomando-se medidas preventivas, arriscando-se em um processo penal cujos estragos seriam postergados no tempo (que custa dinheiro), com a real possibilidade de sanções patrimoniais e principalmente a prisão dos envolvidos internamente, dentre eles Joesley; (ii) ativa: agir para produzir material capaz de ser trocado no mercado da delação premiada, atualmente em pleno funcionamento no sistema processual penal brasileiro. A escolha foi pela segunda opção, lançando-se a campo. Na avaliação de riscos, a tática adotada é a dominante para qualquer um que pense como um “homem de negócios”;

3) adotada a tática ativa, surge a necessidade de que as informações tenham valor de troca, ou seja, de que seja possível chamar a atenção dos compradores (Ministério Público e Polícia Federal) pela qualidade e relevância, bem assim do fator impacto de seu conteúdo;

4) inventariar a informação exigia um duplo movimento entre o passado e o futuro. De um lado, levantou-se o que tinha de informação capaz de chamar a atenção dos compradores e, por outro lado, diante da oportunidade de consolidar as informações produzindo gravações que seriam a prova real, agiu de modo eficiente. O portfólio de provas a se mostrar foi bem desenhado, contando com a coprodução de agências estatais, capazes de atestar a regularidade e a cadeia de custódia: ação controlada, monitoramento do dinheiro por chip etc. Como bom negociador do mercado, o delator sabia que precisava de algo raro, valioso e irrefutável;

5) no atual contexto, nada melhor do que gravações de conversas para causar o impacto direto, irrefletido, imediato e avassalador. Se não há o produto, seria necessário o criar. A produção de material probatório então precisava de uma estratégia de aquisição que, habilmente, contou com o planejamento estratégico de ações, coordenadas para comprovação das conversas, devidamente gravadas, a entrega de dinheiro, previamente identificado e com localização por chip eletrônico, tudo para comprovar a cadeia de custódia do dinheiro. Delineado o curso tático, promoveu-se com pleno êxito, juntando-se, em ordem: a) conversas gravadas indicando a realização das condutas; b) efetivação das ações programadas; c) filmagens e monitoramento eletrônico do trajeto do dinheiro; c) preservação das fontes e do material produzido;

6) a consolidação do material de alto valor fez com que fosse possível, invertendo a tendência passiva, a negociação dos termos finais da delação, mediante cooperação, pagamento de multa relevante, mas incapaz de impedir a continuidade das atividades, evitando-se, ainda, a prisão. Xeque-mate desferido, rei encurralado, delação homologada, segue-se adiante com novos desafios do mercado. Aliás, com informação privilegiada sobre corte de juros e alta do dólar, o que fez o nosso personagem: utilizou a informação para operar seus interesses, “rifando” o Brasil, como aponta o jornal Valor Econômico.

Os juristas do processo penal baunilha não entendem muito bem como isso se passa. Tenho insistido em ler o processo penal pela via da Teoria dos Jogos justamente para indicar um design de compreensão dos processos penais reais, cujo palco probatório deixou de ser no Poder Judiciário, para se resolver na fase de investigação, onde uma gravação vale ouro, a saber, gravações são o novo Habeas Corpus.

O império da tecnologia e das múltiplas possibilidades de gravação fizeram com que, se alguém quer agir de modo a se precaver ou se garantir, deva começar a gravar tudo e todos, em qualquer situação, dado que isso pode ter valor no futuro. Não se trata mais de produção de verdades, mas, sim, de pura análise de custo-benefício em face de um processo penal transformado em um balcão de negócios de compra e venda de informações, pena e liberdade.

P.S. Você pode ser perguntar por que alguns meios de comunicação que sempre defenderam os protagonistas, agora, inverteram o jogo. A questão é meramente econômica: a) a informação é relevante e com gravações, hot notícia; b) quem der o furo da informação ganha mais acessos e melhora a audiência; c) a JBS é um anunciante importante aos meios de comunicação; d) na análise de custo-benefício, não há questões morais ou éticas; e) quando o time está perdendo, economicamente, vale a pena mudar de lado e ganhar. Eis o jogo do mercado midiático. Ler Ramonet ajudaria a compreender.



*Alexandre Morais da Rosa é juiz em Santa Catarina, doutor em Direito pela UFPR e professor de Processo Penal na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e na Univali (Universidade do Vale do Itajaí): Conjur

MANIFESTOS POLÍTICOS - Principais partidos do Reino Unido propõem políticas bem diferentes

Existem também diferenças em relação à educação, à saúde e à assistência social, assim como à saída do Reino Unido da União Europeia (Foto: )

Segundo um antigo ditado, ninguém lê manifestos de partidos políticos. A maioria dos eleitores tem opiniões próprias, e os indecisos optam pela escolha da liderança, e não por promessas eleitorais. No entanto, os manifestos são importantes, porque expressam a filosofia dos partidos.

Os manifestos divulgados pelos principais partidos políticos do Reino Unido são claros em seus objetivos. O Partido Trabalhista propôs um grande aumento de gastos do governo, financiados, sobretudo, pela incidência maior de impostos sobre as empresas e pessoas com uma renda superior a £80,000 (US$104,000) por ano. Os conservadores são mais frugais, embora tenham esquecido seu compromisso de não aumentar o imposto de renda e as contribuições ao Seguro Nacional. O Partido Liberal Democrata, por sua vez, assumiu uma posição intermediária, com uma sugestão de mais gastos do que os conservadores, porém com uma atitude mais moderada do que os trabalhistas.

Existem também diferenças em relação à educação, à saúde e à assistência social, assim como à saída do Reino Unido da União Europeia (UE). Nesse ponto, os trabalhistas priorizam a economia e os empregos. Os conservadores destacam a importância do controle da imigração e da não continuidade da jurisdição do Tribunal de Justiça da União Europeia. E a proposta principal do manifesto dos liberais democratas refere-se à realização de um novo referendo sobre o Brexit, com o apoio à permanência na UE.

No entanto, além dos principais destaques, os três partidos têm temas comuns importantes, como a pouca menção ao déficit orçamentário, ao corte de impostos e às medidas de regulamentação menos rigorosas para as empresas. Os três partidos querem aumentar o papel do Estado na economia e como observou um analista político, os manifestos mostram um retorno à visão pré-Thatcher de intervenção na economia de livre mercado.

Porém, o manifesto da primeira-ministra Theresa May é o mais instigante, não apenas por causa das eleições parlamentares de 8 de junho, mas também pelo caráter intervencionista mais radical do que qualquer outro seu predecessor desde Edward Heath, o líder do Partido Conservador de 1965 a 1975. Mas com a saída do Reino Unido do mercado comum europeu a estratégia mais lógica do governo seria reduzir a intervenção estatal, dar mais agilidade à burocracia e diminuir os impostos. A escolha de um momento tão delicado para se aproximar de um modelo europeu continental de mercados mais regulamentados não só é contrária ao bom senso, com também é arriscada em um futuro econômico incerto após a saída do Reino Unido da União Europeia.The Economist

EUA - Primeiro grupo de mulheres se forma na Infantaria americana

Na semana passada, 18 mulheres se tornaram as primeiras em dois séculos de Infantaria americana (Foto: Facebook/ Goarmy)

O primeiro grupo de mulheres se formou na Infantaria americana na semana passada. Durante o treinamento, com as roupas militares, a camuflagem e as granadas, era difícil dizer que se tratava de um esquadrão com mais de um gênero. A informação é do New York Times.

Depois que o governo Obama resolveu permitir que mulheres pudessem ter qualquer cargo nas Forças Armadas em 2013, o exército desenvolveu padrões de desempenho físico para todos os gêneros. Desta forma, todos seriam tratados da mesma forma. Homens e mulheres têm que carregar a mesma mochila, a mesma arma e jogar as mesmas granadas.

O próprio Exército procurou minimizar o significado de ter mulheres na Infantaria, quando na semana passada, 18 mulheres se tornaram as primeiras em dois séculos de Infantaria americana.

Agora, muitas que sonhavam em ir para Infantaria podem realizar seu desejo. Elas sabem que estão fazendo história.

Durante anos, vários homens disseram que as mulheres nunca poderiam suportar as demandas da Infantaria e iriam destruir o espírito masculino das tropas. Nenhum dos recrutas entrevistados daquela turma compartilhavam deste receio. Todos pensavam em mulheres como a soldado Padgett. Com 23 anos, ela conseguia jogar um martelo de 9 Kg a uma distância maior que 60 metros quando estava na equipe da Universidade de East Carolina. Ela mostrou está mais em forma do que muitos homens. Padgett quer se tornar uma Ranger, membro de elite do Exército americano.

Homens e mulheres participam dos mesmos exercícios, executando as mesmas tarefas e eventualmente “pagando” a mesma quantidade de flexões em caso de falha. De noite, dormem em lugares separados. Para se formar, precisam passar pelos mesmos testes, como correr 8 km em menos de 45 minutos e completar uma marcha de 19 km carregando 30 kg.

O cabelo é uma das poucas coisas que muda. Todos os homens têm que raspar a cabeça quando chegam, as mulheres não. No entanto, muitas resolveram fazer o mesmo em solidariedade.

A soldado Donovan, de 20 anos, sempre quis se juntar a Infantaria, apesar da antiga proibição. Assim que a restrição foi efetivamente derrubada em 2016, Irelynn Donovan se inscreveu. Ela se tornou um destaque, consegue fazer 79 flexões em dois minutos.

O exército não vai sacrificar o desempenho em nome da inclusão. Das 32 mulheres que apareceram no treinamento em fevereiro, 44% delas desistiram. Dos 148 homens, a taxa de desistência foi de 20%. Os comandantes dizem que a alta taxa entre as mulheres também acontece em outros treinamentos como da polícia. Eles dizem que isso acontece, em parte, por causa do tamanho delas. Uma mulher de 1,60 m, por exemplo, tem que carregar o mesmo peso e realizar as mesmas tarefas de um homem bem maior.

Na formatura, a soldado Donovan ganhou o prêmio de melhor preparo físico feminino, sua pontuação ficou atrás apenas de um homem. Ela ficou envergonhada quando sua mãe a presenteou com um buquê de flores. “Mãe, você não traz flores em uma formatura da Infantaria”, disse ela.The New York Times

LIVROS - Memórias da África

Durante dez anos Gettleman fez reportagens em regiões da África devastadas por conflitos violentos (Foto: Pixabay)

“Lembre-se, não se deixe influenciar demais pelo ‘ooga-booga’ da África”, disse um dos chefes de Jeffrey Gettleman em 2006, pouco antes de ele assumir a chefia do escritório do New York Times na África Oriental. Quando Gettleman o olhou confuso, ele explicou o que queria dizer: “Você sabe, os estereótipos e as trivialidades a respeito da África primitiva e violenta.” Assim que Gettleman chegou a Nairóbi, durante um longo almoço uma pessoa experiente em assuntos africanos lhe deu o seguinte conselho. “Não importa o que você faça, Jeff…não esqueça o ‘ooga-booga’. É a essência da África.”

O termo “ooga-booga” soou estranho para alguém que cobriria o noticiário da África. Mas o dilema enfrentado por Gettleman de como atrair o interesse dos leitores ocidentais para uma região do mundo atormentada por histórias sombrias, sem fortalecer seus preconceitos, é um impasse comum à maioria das pessoas que escreve sobre a África.

Com esse pensamento em mente, durante dez anos Gettleman fez reportagens em regiões da África devastadas por conflitos violentos. “Sentia-me irresponsável ao pensar em uma história leve, sem carga emocional negativa, quando sabia que a uma distância pequena de avião algumas pessoas estavam sendo brutalmente assassinadas”, escreveu em seu livro, Love, Africa: A Memoir of Romance, War, and Survival.

No entanto, apesar de o autor ter sido protagonista de diversos acontecimentos dramáticos, seus relatos superficiais entremeados a uma história de amor, não estão à altura do espírito humanitário e compassivo descrito no livro. Sua reportagem sobre Bagdá no início da ocupação norte-americana dá poucas informações a respeito de uma guerra que ainda repercute no Oriente Médio. A ênfase do relato recai na descrição de uma relação sexual intensa com uma fotógrafa, enquanto cobria as notícias. A narrativa de uma viagem ao interior da região de Ogaden, na Etiópia, com um exército rebelde pouco revela a respeito dos conflitos e da crise de fome na região. As visitas de Gettleman à República Democrática do Congo destacam mais o estupro de mulheres do que as turbulências locais.

Apesar do texto superficial no que se refere às condições terríveis de um continente ameaçado por conflitos constantes, fome e doenças, os relatos descritos por Gettleman, desde o episódio em que quase foi preso por escalar sem permissão o monte Kilimanjaro quando estudante, até a prisão anos depois ao entrar clandestinamente em Ogaden, transmitem uma sensação vívida de um lugar onde tudo é possível.The Economist

sexta-feira, 26 de maio de 2017

HAPPY HOUR



PENSAMENTO DA SEXTA



NOSSO SOM








TRAJETÓRIA - Tudo o que o Roberto Carlos gostaria de saber sobre o grupo JBS

Roberto Carlos busca na Justiça uma indenização de R$ 7,2 milhões da JBS (Foto: Reprodução/Youtube)

Empresa brasileira de capital aberto com um total de mais de 217 mil funcionários em cinco continentes – exceto África – a JBS se tornou a maior entre as maiores indústrias de alimentos de proteína animal no mundo com um faturamento estimado, em 2015, de R$ 163 bilhões e atuação empresarial em 22 países.

Fundada no longínquo ano de 1953, no estado de Goiás, pelo pequeno empresário José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro, a empresa cresceu e, já neste milênio, graças a manobras que envolveram benesses do governo Lula e empréstimos suspeitos do BNDES, se transformou num gigante na produção e exportação de proteína animal.

Subvertendo a tese de que a empresa precisa crescer para depois tomar empréstimo bancário para expandir, com a JBS se deu exatamente o contrário: a empresa tomou muito dinheiro do BNDES em diversos financiamentos – de forma tão inédita quanto curiosa – para se tornar a maior do segmento fora do país, sem gerar receita ou um único emprego sequer em nosso território. Destaque-se que a liberação de um financiamento do BNDES demora, em média, nunca menos que oito meses. Para a JBS, a bufunfa chegou a sair em apenas 22 dias.

Com o envolvimento de seus principais executivos – os irmãos Wesley e Joesley, filhos de José Batista – nas mais escusas manobras de compra de políticos e corrupção jamais vistas no país, as ações e o prestígio da JBS desabaram da noite para o dia – e isso não é uma força de expressão. A operação “Carne Fraca” – ocorrida há pouco mais de dois meses – e a recente delação premiada de Joesley – que fez desabar o que restava de paciência com o governo Temer – desossaram a estrutura da empresa.

Imediatamente, começou no país – especialmente nas redes sociais – a busca para identificar quais são exatamente as marcas sob o guarda-chuva da JBS. O objetivo único e explícito de tanta curiosidade era boicotar toda a gama de produtos, numa tentativa cidadã de revide financeiro como forma de compensar o prejuízo político e de imagem que a empresa causou ao país ao fazer delação e especular financeiramente sobre ela.

Rei da Jovem Guarda processa irmãos Batista

Para atender a esta “demanda reprimida” – digamos assim – tivemos a ideia de levantar os segmentos e marcas sob o comando da grife JBS. Além de controlar marcas como a Friboi, Swift e Seara, consagradas no segmento de proteína animal, a JBS detém ainda os nomes fantasia Anglo, Angus, Bordon, Company, Do Chef, Excelsior, Frangosul, Lebon, Maturatta e Reserva Friboi. A gigante atua ainda setor de laticínios (Amélia, Carmelita, Danúbio, Doriana, Faixa Azul, Franciscano, Itambé, Leco, Mesa, Serrabella e Vigor). Tem ainda os produtos de limpeza (Assim, BioBriz, Brisa, Flora, Fluss, Lavarte e Minuano). O leitor talvez pisasse na JBS sem saber: são deles a marca Alpargatas – aquela das Sandálias Havaianas – a Dupé, o tênis Mizuno e a bota Sete Léguas. O azeite e o óleo de soja Carmelita, o inseticida MatInset e os sabonetes Albany, Francis, os fixadores capilares Karina, Kolene, Neutrox e Ox, a linha de colônias Phytoderm, o Canal Rural (emissora de TV) e a fábrica de celulose Eldorado pertencem aos irmãos Batista. O grupo controla também a Osklen – marca fashion criada por Oskar Metsavaht. Encerra a lista o Banco Original.

Não somente os desconhecidos das redes sociais nutrem um misto de desconfiança e antipatia pela JBS. O cantor Roberto Carlos também anda insatisfeito com os irmãos Batista. Ele busca na Justiça uma indenização de R$ 7,2 milhões porque a companhia rescindiu contrato com o Rei da Jovem Guarda que, em 2014, atuou como garoto propaganda da marca Friboi. A JBS alegou que Roberto – diferentemente de Tony Ramos – não deu o retorno comercial que dele se esperava. A pendenga tramita na 38ª vara cível de São Paulo.OPN

REUNIÃO DA OPEP- Cortes na produção de petróleo devem continuar até 2018

Os países da Opep e outros produtores vinham mantendo um corte na produção de cerca de 1,8 milhão de barris por dia (Foto: Pixabay)

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) deverá estender os atuais cortes na produção da commodity por mais nove meses, até março de 2018, sobretudo após as recentes quedas no preço do petróleo da Arábia Saudita. A decisão deve ser anunciada após a reunião do grupo nesta quinta-feira, 25, em Viena, na Áustria.

“Parece bastante provável, embora nada esteja certo até que decisão seja tomada, de que vamos renovar (os acordos atuais) nos mesmos termos por um período de nove meses”, declarou o ministro de Energia da Arábia Saudita, Khalid al-Falih, pouco antes do encontro.

No ano passado, os países membros da Opep e outros 11 produtores independentes, como a Rússia, vinham reduzindo a produção em cerca de 1,8 milhão de barris por dia, numa tentativa de sustentar os preços do petróleo. Até então, o preço chegou a subir de US$ 50 para US$ 55 com a medida, mas os comentários recentes de Falih fizeram os preços internacionais do petróleo caírem novamente.

Segundo o ministro saudita, o corte terá início em julho e os produtores avaliarão sua eficácia. Ele informou que os níveis atuais de produção são “mais do que suficientes”, mas que se for necessário farão cortes mais agressivos.

Além disso, Falih não demonstrou preocupação com a retomada da produção do óleo de xisto nos Estados Unidos. Para ele, óleo de xisto é necessário e ajudará a atender incrementos na demanda. “O mercado é grande o suficiente para absorver o aumento na produção de xisto em 2017”, disse Falih.The Guardian

COMPORTAMENTO



VIVENDO NO BRASIL 1

EUA / RÚSSIA - Russos falaram sobre como influenciar Trump através dos assessores, diz "NYT"


Espiões americanos interceptaram, um ano atrás, conversas em que funcionários russos falavam sobre como utilizar os assessores do então candidato Donald Trump, para influenciar nas posturas do agora presidente dos Estados Unidos sobre a Rússia, segundo um artigo publicado na quarta-feira pelo jornal "The New York Times".

Os funcionários do Kremlin falaram especificamente sobre Paul Manafort, nesse então chefe de campanha de Trump, e do general reformado Michael Flynn, que chegou a ser assessor de segurança nacional da Casa Branca, mas acabou tendo que pedir demissão do cargo após algumas semanas.

Segundo o "NYT", alguns dos funcionários russos se gabavam da proximidade com Flynn, enquanto que outros defendiam o uso do ex-presidente da Ucrânia exilado na Rússia, Viktor Yanukovych, que tinha trabalhado com Manafort.

Essas conversas fazem parte das provas que a inteligência americana entregou ao FBI para que abrisse uma investigação sobre a possível interferência russa nas eleições presidenciais de 2016, incluindo seus possíveis contatos com a campanha de Donald Trump.

Tanto Flynn como Manafort negaram contatos com o Kremlin e as conversas que o jornal se refere não esclarecem se os russos tentaram finalmente utilizar-los.

O FBI e o Congresso investigam a suposta interferência da Rússia nas eleições e os contatos dos assessores de Trump com funcionários do Kremlin.EFE

HERZOG - Antes tarde do que nunca

Corte Interamericana começa a julgar Brasil por tortura e morte de Herzog

EFE/Jeffrey Arguedas

A Corte Interamericana de Direitos Humanos começou a julgar o Brasil nesta quarta-feira pela tortura e execução do jornalista Vladimir Herzog em 1975, um caso considerado pela acusação como parte de um contexto de silenciamento de vozes dissidentes durante a ditadura militar no país.

Em uma audiência realizada ontem, o relator para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Diretos Humanos, Edison Lanza, disse que o caso faz parte da repressão militar da época e pediu que o Brasil seja condenado para esclarecer os fatos.

A Corte Interamericana emitirá uma sentença nos próximos meses.

No dia 24 de outubro de 1975, Vladimir Herzog, de 38 anos, se apresentou voluntariamente ao Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) de São Paulo, mas foi detido arbitrariamente, torturado e depois executado pelos militares, segundo a acusação.

O governo da época informou que Herzog tinha se suicidado dentro de sua cela, uma versão considerada como falsa pela família do jornalista e contestada no processo.

"O Brasil viveu duas décadas de uma ditadura civil-militar que, de forma sistemática, reprimiu militantes políticos, intelectuais, sindicalistas e jornalistas. Centenas foram executados ou desapareceram, milhares foram torturados ou submetidos a graves abusos, muitos por simplesmente serem opositores do regime ou pertencer a grupos políticos declarados ilegais. O jornalista Vladimir Herzog foi um deles", argumentou Lanza.

"O jornalista foi detido arbitrariamente, torturado e assassinado por agentes do Exército, com o propósito de silenciar uma das vozes mais importantes do jornalismo e mandar uma mandar uma mensagem de medo a qualquer voz crítica ou dissidente", completou o relator.

Lanza disse que Herzog fez parte de uma geração de profissionais críticos dos regimes militares na América Latina, ao lado de nomes como o argentino Rodolfo Walsh, que desapareceu durante a ditadura em seu país, e do uruguaio Eduardo Galeano, que foi para o exílio.

"Após uma reportagem sobre a primeira década do golpe militar, Herzog começou a ser vigiado. Como diretor de jornalismo da TV Cultura, foi acusado de fazer proselitismo em favor do comunismo e estigmatizado como um infiltrado da esquerda na comunicação", disse o representante da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

O processo contra o Brasil indica que ninguém foi julgado nem condenado pela morte de Herzog. E pede à Corte Interamericana que aplique a jurisprudência que considera como incompatível com a Convenção Americana de Direitos Humanos e o direito internacional a aplicação de leis de anistia para esse tipo de violação.

Na audiência, a viúva de Herzog, Clarice, pediu uma sentença que permita que a sociedade "conheça a verdade" sobre o ocorrido na ditadura. A esposa do jornalista morto solicitou que os juízes obriguem o Brasil a investigar e esclarecer o ocorrido, encontrar os responsáveis pela morte de seu marido.

"Meu esposo foi um homem bom que morreu a pauladas", afirmou.

O governo do Brasil apresentou uma defesa por escrito. Entre as alegações estão uma indenização econômica feita a Clarice, a retificação do estado de óbito do jornalista e três páginas sobre o caso Herzog em um livro publicado em 2007 pela Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos indicou que, apesar do "reconhecimento administrativo" dos fatos por parte do governo, não foram conduzidas investigações para buscar justiça.

Os familiares de Herzog entraram, em 1976, com uma ação civil declaratória na Justiça Federal, que desmentiu a versão do suicídio. Em 1992, o Ministério Público de São Paulo pediu a abertura de um inquérito, mas o Tribunal de Justiça considerou que a Lei da Anistia era um obstáculo para a realização das investigações.

Após outra tentativa de esclarecer os fatos, em 2008, o caso foi arquivado por prescrição, segundo a acusação.EFE

VIVENDO NO BRASIL 2

BRASIL D.HUMANOS

CIDH pede que Brasil revise políticas antidrogas e situação nas prisões

Fotografia da audiência pública da CIDH em Buenos Aires. EFE/Nerea González

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) pediu nesta quarta-feira ao Brasil que revise suas políticas antidrogas, concretamente aquelas medidas que levam à prisão "em massa" de pessoas que não cometeram delitos de violência e ao aumento da população nos centros de detenção.

Durante as reuniões da 162° sessão da CIDH, que é realizada nesta semana em Buenos Aires, o relator da CIDH James Cavallaro fez críticas e afirmou que o problema deve ser enfrentado "de maneira mais contundente".

"Com todo respeito, necessito insistir que as medidas não são suficientes (...) Se você entrar em uma prisão no Brasil, verá que a maior parte dos presos está lá por delitos não violentos, eles não representam perigo", manifestou Cavallaro.

O relator reconheceu que a mudança na luta contra as drogas e o narcotráfico é um problema "mundial", dizendo que a "lógica das medidas" adotadas pelo governo "não respondem a uma situação urgente", como a revelada por pessoas que viveram em algumas prisões brasileiras nos últimos tempos.

Após escutar em audiência representantes do Estado e da sociedade civil, Cavallaro pediu que as autoridades trabalhem em medidas como a discriminação do consumo de maconha e contra a atuação violenta das forças de segurança em operações antidrogas, como a ocorrida recentemente na zona denominada como "Cracolândia" (São Paulo).

Cavallaro ressaltou que é preciso fomentar medidas alternativas à prisão, especialmente para pessoas sem condenação por delitos violentos, que também envolvem frequentemente coletivos vulneráveis como mulheres, menores e indígenas.

O relator também insistiu na necessidade de deixar de considerar delitos "agravados" os casos de tráfico de pequenas quantidades.

Neste primeiro dia de audiências públicas em Buenos Aires, a CIDH analisou também outros temas do Brasil, como a situação dos povos indígenas e a independência do Poder Judiciário.

Representantes de comunidades originárias denunciaram que o Brasil está vivendo um "retrocesso" nos direitos indígenas, constatável na falta de consulta em questões legislativas e na ausência de investigação quando sofrem ataques.

Os peticionários acusaram os Poderes Legislativo e Executivo de sacrificar os direitos territoriais indígenas a favor dos agronegócios e, concretamente, foram muito críticos ao ministro de Justiça, Osmar Serraglio, com quem solicitaram uma audiência.

Em representação do Estado, Alexandre Ghisleni, enviado da Chancelaria, ratificou que o Governo tem o compromisso de zelar pelo cumprimento dos direitos indígenas, como estabelece a lei, mas reconheceu que a situação econômica debilitou os funcionamento de algumas áreas do Estado.

"Apesar de viver um momento muito particular da vida pública, a normalidade institucional segue porque a Constituição segue vigente, a legislação segue e os compromissos internacionais seguem", disse.

A respeito do sistema judicial, os relatores da CIDH escutaram críticas a respeito da falta de independência da Justiça, expostas por diferentes organizações civis.

Concretamente, manifestaram que os juízes com posturas mais "progressistas" ou os que garantem o cumprimento dos direitos humanos não podem se expressar livremente sem temor a represálias. Isso assola o direito de acesso à Justiça do cidadão porque não há "pluralismo" nos tribunais.

Os representantes do Estado brasileiro, no entanto, negaram que exista esse problema.EFE

BRASIL CORRUPÇÃO / OS DIAS ESTÃO ASSIM

Equador pede na OEA que Brasil explique atual crise política

EFE/Joédson Alves

O embaixador do Equador na Organização dos Estados Americanos (OEA), Marco Vinicio Albuja, solicitou nesta quarta-feira à delegação brasileira que explique no organismo a crise política no país, após as denúncias de corrupção contra o presidente Michel Temer.

O diplomata equatoriano disse que "há alguns dias há notícias muito graves a respeito da situação no Brasil" e as "afetações de caráter regional" lhe "obrigam a solicitar" esclarecimentos à delegação brasileira.

O embaixador do Equador na OEA introduziu o tema de acordo com "os princípios democráticos de nossa organização", mas oito países se opuseram a abordar o assunto na sessão ordinária realizada hoje em Washington.

Por sua parte, o embaixador brasileiro, José Luiz Machado, explicou que "o tema está no sistema judicial", defendeu que no Brasil se continua respeitando "as liberdades e a democracia" e qualificou a proposta equatoriana como uma "tentativa para mudar o foco" antes da reunião de chanceleres sobre a Venezuela marcada para o dia 31 de maio.

Oito países - Canadá, Colômbia, Estados Unidos, Argentina, Chile, México, Paraguai e Uruguai - rejeitaram a inclusão do debate sobre o Brasil na sessão por ser um assunto "interno" do país, agradeceram a abertura do embaixador brasileiro para responder e se mostraram confiantes nas instituições do Estado.

Nenhum país apoiou o Equador, mas Albuja disse ao final que tinha cumprido seu "objetivo" porque as delegações dessas oito nações - que são impulsoras da reunião de chanceleres sobre a Venezuela - tinham afirmado "coisas muito interessantes que deveriam ser cumpridas sempre".

"Se vamos falar de um problema, vamos falar de todos, e de todos os problemas sérios. Não pode haver países de primeira e de segunda", comentou Albuja.

Já Machado apontou "certas contradições" na proposta do Equador, um país que, segundo disse, "se negou uma e outra vez a falar da grave situação de outro Estado-membro", em referência à Venezuela.

"No Brasil não há nenhuma alteração ou risco da ordem constitucional, continuamos respeitando as liberdades, a democracia, apesar de a situação política ser muito desafiante, e isso nos prova a solidez e independência de nossas instituições democráticas", defendeu o diplomata.EFE

VIVENDO NO BRASIL 3


ALEMANHA / EUA

Obama aponta reforma da saúde como "seu maior orgulho" como presidente


O ex-presidente dos Estados Uidos, Barack Obama qualificou nesta quinta-feira a reforma da saúde como o "maior orgulho" em seus oito anos na Casa Branca e lamentou que esse avanço esteja "em perigo".

Obama realizou estas declarações ao participar em Berlim junto à chanceler alemã, Angela Merkel, do ato principal do Congresso da Igreja Evangélica, o seu primeiro comparecimento público na Europa desde o términu do seu mandato.

O "maior orgulho" da sua presidência foi colocar proporcional uma atenção sanitária universal no país, reconheceu o ex-presidente democrata quando foi questionado sobre seu maior legado à frente dos EUA.

Não obstante, Obama reconheceu que não atingiu seu objetivo de cobrir 100% dos cidadãos americanos, mas que conseguiu que 20 milhões de pessoas tivessem pela primeira vez um seguro de saúde no seu país, o único entre os avançados - sublinhou - que não oferece cobertura universal.

Agora, "estes progressos estão em perigo pelo debate", sem entrar em detalhes sobre as medidas que estão sendo tomadas pela nova administração do presidente Donald Trump para derrogar o conhecido "Obamacare".

"Para 20 milhões de pessoas, a vida agora é melhor", reivindicou o político democrata..

"Quando uma pessoa tem um cargo público, débitos reconhecer que não conseguirá atingir 100% do que quer. O que é preciso é trabalhar junto com novas pessoas que compartilham seus valores e sua visão para fazer coisas melhores, mas sabendo que não chegará à perfeição", disse.EFE

TECNOLOGIA INOVAÇÃO

Google aposta em inteligência artificial contra temores de dominação


Especialistas do Google, uma das empresas que mais aposta no desenvolvimento da inteligência artificial, debateram nesta quarta-feira, na China, sobre o futuro dessa tecnologia que fascina e aterroriza o ser humano.

Pesquisadores como o britânico Demis Hassabis, fundador do DeepMind, um dos principais laboratórios de inteligência artificial do Google, ou Jeff Dean, da subdivisão Google Brain, participam de um fórum inédito no país, dada a complicada relação da empresa com a China, que bloqueia seu popular motor de busca.

A mensagem da conferência foi de otimismo. A inteligência artificial, que agora está vivendo um grande impulso graças a companhias como Google, Apple, além de empresas chinesas como Baidu ou Tencent, nos trará benefícios que ainda não imaginamos, não as ideias apocalípticas de robôs subjugando o homem.

"Novas curas de doenças serão obtidas mediante a habilidade de inteligência artificial para buscar novas propriedades médicas", previu o presidente do Google, Eric Schmidt, que destacou que o maior impacto da tecnologia nos próximos será na Medicina.

É um campo ideal para que os cérebros artificiais ajudem os humanos, indicou Schmidt, em uma das apresentações que uniram um conteúdo filosófico ao tecnológico, por tratar de explicar o que são fenômenos como a criatividade e a intuição, e como eles podem ser extrapolados em processadores de dados.

"Campos como a Química ou a Biologia são até hoje tão complicados e com tantos dados que nem mesmo o mais inteligente dos especialistas pode ler todos os estudos feitos. Uma inteligência artificial pode fazer isso, contribuindo com ideias enquanto o cientista descansa", explicou Schmidt.

Em resumo, o Google sonha com uma inteligência artificial "benigna", como as que Hollywood retratou em filmes como "A.I.: Inteligência Artificial" ou "O Homem Bicentenário". Em ambos, os robôs criados pelo homem chegam a ser, inclusive, capazes de amar.

A hipótese é a aposta da visão de cientistas como o britânico Stephen Hawking, que chegou a prever que a inteligência artificial irá destruir a humanidade.

"É importante que a tecnologia seja desenvolvida de forma ética e responsável, para o benefício de todos", afirmou Hassabis, que lidera um dos principais projetos do Google no setor, o Alpha Go, rebatendo as previsões catastróficas.

O AlphaGo é uma tecnologia do Google para o jogo mental mais complexo da humanidade, o Go. Nesta semana, também em Wuzhen, o "robô" do Google desafiou e venceu o melhor jogador do mundo, Ke Jie, de apenas 19 anos, pela primeira vez.

Segundo Hassabis, o Go é só uma plataforma de lançamento para testar a inteligência artificial em um dos jogos que mais se exige da capacidade de cálculo mental - o número de movimentos possíveis supera o de átomos no universo.

Mas não basta apenas ser bom de cálculo. A intuição é uma das partes mais importantes do jogo, e o desafio é um teste para objetivos mais transcendentais da tecnologia no futuro.

Entre as possíveis aplicações que o sistema AlphaGo pode ter a médio prazo, Hassabis citou projetos de novos materiais, remédios ou até mesmo a educação. Ele ainda deixou de fora o mundo dos assistentes pessoas de smartphones, que já ganharam vida graças a softwares como a Siri, da Apple, e da Cortana, da Microsoft.

A inteligência artificial, destacaram os participantes do fórum, se diferencia dos programas pré-programados por aprender coisas novas, evoluir e ser capaz de enfrentar novos problemas com a experiência adquirida anteriormente.

Foram citados exemplos comuns no nosso dia a dia, como o conhecido tradutor do Google, que, graças à avaliação dos usuários, melhorou a maneira de traduzir muitos idiomas. Apesar de ainda imperfeito, o serviço melhorou muito desde que foi lançado.

Segundo Jeff Dean, do Google Brain, o potencial da inteligência artificial não deve gerar preocupação, já que esse tipo de tecnologia sempre atua para chegar a um objetivo concreto. Assim, o mito do robô que ganha consciência própria e decide atacar o homem é exatamente isso: apenas um mito.

"O AlphaGo é criativo, gera novas coisas, mas mantém o objetivo programado, que é ganhar um jogo. Não temo que a inteligência artificial desenvolva suas próprias metas", afirmou.EFE

FRANÇA - Vitória de Macron eleva status da Escola de Administração Nacional da França

A escola foi criada por De Gaulle, que desejava substituir todo o governo que tinha colaborado com os nazistas. EPA/CARSTEN KOALL

Emmanuel Macron é o quarto dos oito presidentes da França eleitos após a Segunda Guerra Mundial que se formou na École Nationale d'Administration (ENA), o celeiro da elite do país para preparar futuros ocupantes de altos cargos dos ministérios e das principais empresas públicas.

O novo primeiro-ministro da França, o secretário-geral da presidência de Macron e vários outros integrantes do governo também passaram por esse "círculo" restrito, frequentemente criticado por estar muito afastado da França da "vida real".

Macron substitui François Holland, formado na mesma escola, e se torna o terceiro dos últimos quatro presidentes que passou pelas salas da ENA. Além deles, Jacques Chirac, que governou a França entre 1995 e 2007, também foi aluno da instituição.

Nicolas Sarzoky, presidente entre 2007 e 2012, é um ponto fora da curva nos últimos anos, assim como Valéry Giscard d'Estaing, o primeiro dos líderes formados na escola criada em 1945 pelo general Charles de Gaulle para formar funcionários públicos bem preparados.

Nem o próprio De Gaulle, seu sucessor, Georges Pompidou, nem posteriormente François Mitterrand puderam passar pelas salas da ENA porque já eram experientes quando a escola foi criada. Bem depois, Giscard foi aluno da instituição apesar de já ter estudo antes na Politécnica, o outro grande celeiro da administração francesa.

Juntas, elas formam a cada ano 500 trabalhadores preparados para integrar todos os órgãos do governo. Ainda que apenas 5% deles se dediquem à política, alguns costumam chegar ao topo do poder, fato que transforma a ENA e a Politécnica em centros do elitismo.

Laurent Fabius, o primeiro-ministro mais jovem da história da França, Dominique de Villepin, Ségolène Royal. As promoções da ENA - batizadas todas elas com o nome de alguém da política ou da cultura - estão cheias de figuras que alçaram voos altos, tanto na iniciativa pública como na privada.

A promoção Voltaire foi a referência nos anos de Hollande. Agora, com Macron, entra em voga a de Léopold Sédar Senghor, primeiro presidente do Senegal. Para além de Macron, faziam parte dessa geração alguns do membros do primeiro escalão do governo.

A ministra da Defesa, Sylvie Goulard, e o ministro da Economia, Bruno Le Maire, também são formados na ENA.

Os alunos são escolhidos por concurso e, durante o ano de formação, são remunerados. Em seguida, os estudantes são enviados para fazer estágios em diversos órgãos do governo.

Depois disso, muitos deles se tornam funcionários públicos e alguns chegam ao alto escalão. Os de mais sucesso pulam para a política, enquanto outros integram os conselhos de administração de empresas com participação estatal. Alguns decidem ir para a iniciativa privada e se tornam dirigentes das principais empresas.

A escola foi criada por De Gaulle, que desejava substituir o mais rápido possível toda o governo que tinha colaborado com os nazistas sob o regime de Vichy. Mas, com os anos, a ENA foi se tornando alvo de críticas. Muitos consideram a escola fechada em si mesma, pouco aberta às novidades e engessada.

Os críticos da ENA consideram difícil reformar um governo quando boa parte dos altos funcionários surgem do mesmo lugar e são treinados no mesmo molde.

A direção da ENA se defende. A escola, sim, forma os funcionários públicos, mas as decisões são tomadas pelos políticos. E, ainda que muitos dos alunos da instituição tenham chegado ao topo do poder, a direção garante que apenas uma pequena parte de seus alunos decide entrar no mundo da política.

A ENA sabe que tem marcada em si o estigma da burocratização. Nas campanhas eleitorais, a escola está acostumada a virar alvo de muitas das críticas. Na mais recente, que terminou com a vitória de Macron, o próprio Le Maire, que se formou na instituição, propôs fechá-la, defendendo uma proposta que tinha sido pelo ex-primeiro-ministro François Fillon.EFE