CIÊNCIA ESPAÇO
Missão espacial reafirma pressuposto de Galileu e Einstein sobre queda livre
© Getty Images
Está em todos os livros de física: objetos num campo gravitacional caem sempre na mesma velocidade, pouco importando sua massa e de que são feitos. Mas com qual grau de confiança sabemos disso?
Os resultados finais de um experimento espacial a fim de testar o chamado princípio da equivalência acabam de ser publicados e empurram a precisão cem vezes mais que medições anteriores, atingindo uma precisão de uma parte em mil trilhões, o que os físicos de forma econômica escrevem como 10-15.
Publicado no periódico Physical Review Letters e encabeçado por Pierre Touboul, da Universidade Paris Saclay, o trabalho traz os frutos da missão Microscope, um satélite de pequeno porte (pouco mais de 300 kg) desenvolvido pelo Cnes (agência espacial francesa) em cooperação com a ESA (sua contraparte europeia).
Após seu lançamento, em 2016, a missão passou dois anos e meio colhendo resultados de um experimento tecnicamente desafiador, embora simples em sua descrição: consistia em cilindros, de titânio ou platina, colocados no interior da espaçonave para experimentar a queda livre sob o campo gravitacional da Terra, em órbita.
Os cilindros, quando ameaçavam sair do lugar por conta de pequenas perturbações no satélite, eram mantidos na posição por forças eletrostáticas (geradas por cargas elétricas em repouso). Medindo eventuais diferenças nesse processo de ajuste entre os cilindros, os cientistas em essência mediam se os objetos estavam "caindo" em velocidades diferentes. Durante todo o tempo de experimentação, não estiveram.
É uma versão ultrassofisticada de um experimento realizado no século 17 por Galileu Galilei, ao deixar esferas de massas diferentes correrem por planos inclinados para medir o tempo de descida. (Dizem até que ele teria feito uma demonstração mais dramática ao soltar dois objetos do alto da torre de Pisa, mas a maioria dos historiadores acredita que esse foi apenas um experimento mental.) FOLHAPRESS

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