quinta-feira, 27 de abril de 2017

ESTEREÓTIPOS - Austrália enfrenta disparada no consumo de metanfetamina

Mais de 25 mil australianos fazem uso regular de metanfetamina, a maior taxa de dependência no mundo (Foto: Wikimedia)

Poucas vezes um político admite que o filho é viciado em drogas. Quando Bob Hawke, um ex-primeiro-ministro, teve a coragem de expor seu drama há mais de 30 anos, muitos pais identificaram-se com ele. O consumo de heroína espalhara-se pela Austrália. No final da década de 1990, o país tinha quase 150 mil pessoas viciadas em heroína. Com a perseguição aos traficantes e os programas de educação e tratamento para viciados, o consumo da droga diminuiu em três quartos.

A heroína foi substituída pela metanfetamina, um estimulante do sistema nervoso usado por pilotos na Segunda Guerra Mundial. Mais de 25 mil australianos fazem uso regular de metanfetamina, a maior taxa de dependência no mundo. Os usuários consomem o estimulante em forma de cristal, a mais potente, chamado de “ice” na gíria local. A proporção de usuários de metanfetamina em cristal aumentou 50% entre 2010 e 2013.

Um adolescente nervoso em uma clínica de reabilitação em Sydney administrada pela Ted Noffs Foundation atribui sua popularidade ao fácil acesso. O preço também é acessível. Por cerca de A$40 (US$30) seu efeito dura quase o dia inteiro. Segundo John Coyne, um ex-agente de inteligência, a China é a principal fornecedora de metanfetamina na Austrália.

Os usuários de metanfetamina podem ter surtos de paranoia, de agressividade e até mesmo crises psicóticas. As internações hospitalares decorrentes do uso de metanfetamina quadruplicaram desde 2010. Infelizmente, o combate ao vício da droga não tem sido tão eficaz como no caso da heroína, quando havia um trabalho coordenado entre médicos, escolas e a polícia.The Economist

Nenhum comentário:

Postar um comentário