terça-feira, 25 de abril de 2017

PAPÉIS ESTEREOTIPADOS

Hollywood não deveria incentivar as gerações mais jovens a rir dos idosos (Divulgação: Warner Brothers)

Excelentes artistas octogenários ​​como Judi Dench, Donald Sutherland, Robert Redford, Maggie Smith e Christopher Plummer têm trabalhado no novo gênero de comédia de Hollywood, que retrata pessoas idosas em papéis estereotipados ou ridículos.

O filme Despedida em grande estilo é o exemplo mais recente desse gênero. Na refilmagem de um filme de 1979, três amigos interpretados por Michael Caine, Morgan Freeman e Alan Arkin, em meio a diversas peripécias, roubam o banco que congelou suas aposentadorias. O filme poderia explorar as falhas do sistema previdenciário e a negligência do Estado em relação aos idosos, mas falta aos personagens um mínimo de dignidade em seu comportamento de adolescentes rebeldes.

Despedida em grande estilo tem algumas cenas cômicas, mas, assim como em outros filmes com personagens idosos, sem originalidade e anacrônicas. Os três amigos fumam maconha, roubam um supermercado e um deles tem relações sexuais apaixonadas com uma conhecida casual. Há ainda uma cena em que fogem de um policial em uma moto, um lugar-comum para os fãs de seriados, desenhos animados e comédias.

O filme Philomena lançado em 2013 é um excelente exemplo de como o envelhecimento e seus desafios podem ser abordados com dignidade na tela. Indicada ao Oscar de 2014 como melhor atriz, Judi Dench interpreta o papel de uma mulher idosa que tenta reencontrar o filho entregue à adoção quando era uma adolescente em um convento de freiras. Sem sentimentalismos piegas apesar das adversidades, o personagem de Judi Dench infunde respeito. Infelizmente, filmes como Philomena são raros. Despedida em grande estilo é um gênero de comédia explorado por Hollywood, que, em vez de retratar pessoas idosas em papéis dignos com os quais os jovens poderiam se identificar, as expõem ao ridículo. Hollywood não deveria incentivar as gerações mais jovens a rir dos idosos, mas sim encorajá-las a ter compaixão. The Economist

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