segunda-feira, 17 de abril de 2017

LÍNGUA - O gênero na língua francesa

Em 1998, a Assembleia Nacional decidiu que títulos relevantes deveriam sim ter versão feminina (Foto: Pixabay)

O francês, assim como o português, requer um gênero para cada substantivo. O gênero do substantivo raramente tem a ver com as reais características da coisa em si. Não há nada realmente feminino em uma mesa, mas mesma assim é usado “la table”, em francês. Do mesmo modo, não há nada de masculino em chapéu, mas é usado “le chapeau”. O problema é quando o gênero masculino se refere a títulos de cargos importantes e isso não ser por acaso, como em “le ministre, “le général”, “le sénateur”, “le magistrat”. Enquanto poucas palavras genéricas (como “la personne”) são femininas, todos os títulos poderosos são masculinos.

Em português, podemos dizer “o presidente” ou “a presidente”. Em francês, não. Apenas “le président” é considerado gramaticalmente correto pela Academia Francesa, guardião oficial da língua desde 1635. Em 1984, o governo pediu para a Academia Francesa estudar a questão. No entanto, o pedido foi negado. A resposta foi que títulos que são originalmente masculinos não devem ter versões femininas. Alguns tradicionalistas chegam a dizer que “la président” é a esposa do presidente. Este era o caso há um século, mas hoje em dia, ela é chamada de “première dame”.

Em 1998, a Assembleia Nacional decidiu que títulos relevantes deveriam sim ter versão feminina, como “la deputée” e “la président”. Em 2014, o deputado de centro-direita Julien Aubert se referiu à presidente da Assembleia Sandrine Mazetier, do Partido Socialista, como “madame le président”, misturando o feminino com o masculino do titulo do cargo. Mazetier multou Aubert, como previa as regras da Assembleia. O caso foi polêmico e gerou manchetes como “Quando o ridículo matou o feminismo?” e “A Academia Francesa deveria ser desfeita?”.

Segundo a revista Economist, usar a versão feminina para títulos é gramaticalmente simples e fácil, e aqueles que querem ser chamados assim, deveriam merecer a cortesia. Aqui no Brasil, no entanto, muitas mídias não adotaram a versão “presidenta” (que gramaticalmente também está correta) quando Dilma Rousseff quis assim ser chamada.The Economist

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