Como a bicicleta deu mais poder às mulheres


Para as mulheres, a bicicleta foi um meio de transporte desbravador (Fonte: The Atlantic)


Ao permitir as jovens de socializar sem a companhia de sua governanta, a bicicleta tornou possível ações inimagináveis

Que nós amamos e somos adeptos da cultura de pedalar, ninguém duvida. Mas nós podemos estar subestimando, por décadas, um significado profundo da bicicleta como agente cultural de mudança.

Agora, graças a um lançamento genial da National Geographic, podemos mudar o nosso modo de ver a magrela. O livro “Rodas da mudança: como as mulheres pedalaram para a liberdade (com alguns pneus furados pelo caminho)” conta a história de como a bicicleta ajudou na emancipação da mulher do século 19 e redefiniu radicalmente as normas de feminilidade.

“Para os homens, a bicicleta foi apenas um brinquedo novo, outra máquina adicionada na longa lista de dispositivos que eles conheciam no lazer e no trabalho. Para as mulheres, foi um meio de transporte desbravador, com o qual elas pedalaram para um novo mundo”, dizia a Munsey’s Magazine, em 1896.

Ao permitir as jovens de socializar sem a companhia de sua governanta e desafiar outros princípios morais, a bicicleta tornou possível ações e interações inimagináveis e que antes provocavam toda uma turbulência. As mulheres ciclistas foram responsáveis por terem cortado o peso extra das roupas íntimas para “meros” três quilos, além de terem abolido os espartilhos apertados e as saias gigantes.

Essa atitude de descoberta das ciclistas se refletiu também na venda de cigarros. Vários maços estampavam em suas caixas mulheres com cabelos curtos ou presos, e fumando cigarros — um privilégio praticamente masculino. Este panorama mostra um certo medo antigo de que mulheres com calças iriam de alguma forma substituir o homem como provedor da casa e tomadores de decisão.

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