segunda-feira, 30 de abril de 2018

DEPOIMENTOS NA OPAQ

Rússia e Síria apresentam testemunhas que negam ataque químico

Depoimentos foram dados na sede da Opaq em Haia, na Holanda (Foto: AP/Peter Dejong)

Diplomatas da Rússia e da Síria apresentaram na última quinta-feira, 26, o testemunho de 15 moradores de Douma que negaram a ocorrência do ataque químico relatado em 7 de abril pela oposição síria e a coalizão americana.

O testemunho foi dado em uma entrevista na sede da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq), em Haia, na Holanda. Entre os moradores apresentados, estava o menino Hassan Diab, de 11 anos, que aparece no vídeo divulgado pela oposição síria aparentemente sufocando em uma clínica médica e com pessoas jogando água em seu rosto.

Em seu depoimento, Hassan disse que ele, sua mãe e seus irmãos foram para a clínica após serem instruídos por uma pessoa que gritava “Ataque químico. Ataque químico.”. Na clínica, ele disse ter sido agarrado, colocado em uma maca e logo em seguida começaram a jorrar água sobre seu rosto e o de outras pessoas. Hassan já havia sido entrevistado na semana passada pela emissora de televisão russa VGTRK e o conteúdo veiculado pelo canal foi mostrado na sede do Conselho de Segurança da ONU.

Além de Hassan, os outros moradores afirmaram que não sentiram cheiro de substâncias químicas no dia 7 e que tiveram problemas respiratórios por conta da poeira levantada por bombardeios das forças sírias.

Com os depoimentos dos 15 moradores da região, Rússia e Síria esperam provar sua versão dos fatos: de que o ataque químico denunciado pela oposição e países ocidentais não ocorreu. Ambos os países sustentam que tratou-se de uma encenação promovida pelos Capacetes Brancos, grupo sírio de defesa civil apoiado por EUA e Reino Unido que atua em áreas controladas por rebeldes ao governo de Bashar al-Assad.

A encenação teria como objetivo justificar o bombardeio a instalações que serviriam para produzir e armazenar agentes químicos em Damasco e na cidade de Homs, promovido no dia 13 de abril, pelos EUA, com o respaldo da França e do Reino Unido.

Em Haia, o embaixador russo na Holanda e na Opaq, Alexander Shulgin, afirmou que os depoimentos mostram evidências de que as denúncias de ataque químico em Douma são “completamente nulas e vazias”. “Hoje podemos provar que o vídeo dos Capacetes Brancos foi uma ação encenada”, disse Shulgin.

Os EUA, por sua vez, afirmam ter provas de que o ataque ocorreu e que foi lançado pelas forças sírias. Embaixadores do Reino Unido e da França na Opaq criticaram os depoimentos dados na sede da organização.

“A Opaq não é um teatro. O gesto da Rússia é mais uma tentativa de minar o trabalho da organização, e em particular a missão que investiga o uso de armas químicas na Síria”, disse o embaixador britânico Peter Wilson.

“Não é uma surpresa vinda do governo sírio, que massacrou e usou gases contra seu povo por sete anos”, disse o embaixador francês Philippe Lalliot, que classificou a entrevista coletiva em Haia como “obscena”.

Atualmente, técnicos da Opaq trabalham na investigação da ocorrência do ataque e já colheram amostras em Douma. No entanto, a organização tem capacidade para indicar se encontrou ou não vestígios de armas químicas, mas não para apontar autoria de ataques.

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