terça-feira, 24 de abril de 2018

SAÚDE MENTAL

Cada vez mais britânicos internados por problemas psiquiátricos

A falta de leitos faz com que os pacientes recebam alta antes do necessário (Foto: Pixabay)

O número de internações psiquiátricas no Reino Unido, segundo a Lei de Saúde Mental britânica, subiu de 43.463, em 2009, para 63.622, em 2016.

A Lei de Saúde Mental permite que uma pessoa possa ser presa e tratada em um hospital psiquiátrico contra sua vontade. O processo de internação exige autorização de dois médicos e um profissional de saúde mental, como assistente social ou enfermeiro. Eles têm de concordar que o paciente precisa de tratamento para um distúrbio mental, e que ele pode ser perigoso para si próprio ou para outras pessoas. Especialistas admitem que é impossível saber se o aumento é justificado ou não. Mas muitos estão preocupados com o rápido aumento no número de internações.

Um fator que contribui para isso é a queda em longo prazo do número de leitos para pacientes psiquiátricos. A falta de leitos faz com que os pacientes recebam alta antes do necessário. Logo, eles acabam tendo de ser internados novamente. Segundo o professor de psiquiatria do King’s College, Simon Wessely, os médicos estão ficando mais avessos aos riscos. Ele também presidiu uma revisão oficial sobre internação psiquiátrica no ano passado. Em 2014, a Suprema Corte britânica expandiu a definição de privação ilegal de liberdade. Uma consequência é que idosos com demência, que antes ficavam no hospital pela persuasão informal de médicos e parentes, agora estão sendo internados para evitar acusações de detenção ilegal.

Médicos também parecem mais preocupados em relação ao suicídio. Em 2009, o Serviço Nacional de Saúde listou oito eventos que nunca devem ocorrer, erros tão graves que se cometidos podem causar uma investigação interna, como pacientes usando cortinas para cometer suicídio nas unidades de saúde mental. Isso pode ter encorajado os médicos a aumentar a supervisão de seus pacientes, internando-os mais cedo e por mais tempo. O aumento da internação afetou desproporcionalmente as minorias étnicas. Negros são quatro vezes mais propensos a serem internados do que brancos.

Nas próximas semanas, Simon vai apresentar seus primeiros resultados. Ele também vai fazer propostas ainda neste ano. Algumas vão ser de ajuste rápido, mas, como Simon lembra, a legislação de saúde mental pode levar anos para mudar.The Economist

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