segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

REVOLTAS POPULARES - O que é uma intifada?

A primeira intifada foi supervisionada por diversos comitês populares (Foto: Wikimedia)

Em 8 de janeiro, um morador palestino de Jerusalém Oriental jogou um caminhão contra um grupo de soldados israelenses perto da Cidade Antiga. Quatro soldados morreram antes que o motorista, Fadi Qunbar, fosse assassinado com um tiro. Infelizmente, hoje esse tipo de incidente é trivial. A partir de 2015, centenas de palestinos fizeram ataques semelhantes. Alguns foram logo atribuídos a uma campanha mais ampla da luta palestina. Um porta-voz do Hamas elogiou Qunbar, dizendo que sua ação fazia parte de uma “intifada”. O que significa uma intifada e as ações recentes dos palestinos poderiam ser inseridas no contexto específico desse movimento de reação popular?

Em seu sentido mais básico, intifada é uma variante do verbo em árabe “abalar”. Atualmente, é associada a uma revolta popular. A palavra intifada foi usada pela primeira vez em 1952, para descrever os protestos dos iraquianos contra o rei. A palavra difundiu-se no Oriente Médio, do Saara Ocidental ao semiautônomo Curdistão. Mas ficou mais ligada à causa palestina. Os palestinos já fizeram duas intifadas contra as forças de ocupação de Israel na Cisjordânia e na faixa de Gaza.

A violência é uma característica marcante de uma intifada. Durante a primeira (1987-93, ver imagem), os soldados israelenses feriram milhares de crianças palestinas, algumas com apenas 10 anos. Na segunda (2000-05), os militantes palestinos explodiram ônibus e boates israelenses. Desde setembro de 2015, 40 israelenses e mais de 200 palestinos morreram.

Porém a violência não é a única característica de uma intifada. Um segundo aspecto é o nível de apoio à sua organização. A primeira intifada foi supervisionada por diversos comitês populares. Na segunda, grupos de militantes lutaram contra as tropas de Israel. Ambas tiveram razões específicas. A primeira começou depois que um caminhão do exército israelense atingiu um grupo de palestinos na faixa de Gaza, causando a morte de quatro pessoas. A segunda foi provocada pela visita de Ariel Sharon a lugares sagrados em Jerusalém.

Ao contrário das duas intifadas oficiais, essa nova série de ataques não tem um motivo específico. Os ataques são atribuídos a um descontentamento geral, como raiva contra a ocupação israelense, tensão causada pelo acesso aos locais sagrados e o estímulo das redes sociais. Nas últimas investidas violentas também não houve planejamento. Apesar de elogios de grupos como o Hamas aos agressores, as evidências indicam que são ações cometidas por “lobos solitários”. E ao contrário de uma intifada oficial, os novos ataques têm o objetivo apenas de ferir israelenses. Alguns fatos mostram que os agressores não se interessam por política. Os palestinos desesperados consideram que o “martírio” nas mãos de um soldado israelense é uma forma socialmente aceitável de suicídio. Nesse contexto, é difícil evitar ataques de lobos solitários.

Por fim, a violência diminuiu nos meses de verão, apesar dos ataques ocasionais. Além disso, os níveis de violência tiveram uma queda drástica. Apesar dos esforços de grupos como o Hamas para descrever a onda recente de violência como uma intifada, sua motivação é diferente dos dois movimentos anteriores.The Economist

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