ELEIÇÕES 2018 BRASIL

Sem Neymar, presidenciáveis tentam um golzinho na Copa

Com a proximidade das eleições, presidenciáveis reforçam seus posicionamentos (Foto: Wikimedia)

Em dias de Copa do Mundo, quando, mesmo sem jogar muito, Neymar ganha espaço na mídia por descolorir os cabelos – e permanecer mais tempo no chão do que de pé -, os presidenciáveis brasileiros elaboram “grandes jogadas” para manter seu lugar ao sol e não cair no esquecimento neste inverno que antecede o período de campanha eleitoral.

Entre favoritos e zebras, a ordem é partir para o ataque – mesmo que o volume de jogo não renda grandes resultados. Os que atuam pelo centro, por exemplo, temem os que preferem jogar pelas extremas. Este é o caso do pré-candidato e ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles. Durante União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), ele se disse entusiasmado com a própria candidatura e preocupado com as propostas dos “candidatos dos extremos”.

Mesmo sem escalar os nomes, ele censurou aqueles que pregam “desfazer reformas fundamentais” e não fazer “reformas que ainda precisam ser feitas”. Ainda sem citar os adversários, Meirelles entrou de sola no candidato que “promete distribuição de armas”. Disse ele: “Imagine isso espalhado pelo país? Qualquer briga de trânsito pode ter duas pessoas armadas. Isso é selvageria”, afirmou.

Jogando pela direita

Imaginando a quem Meirelles se referia, trazemos o ex-capitão e pré-candidato Jair Bolsonaro ao gramado. Destacando-se nas pesquisas com seu discurso pró-enxugamento do Estado e ideias inusitadas sobre temas como sexualidade e segurança pública, o deputado deu recente entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. Sobre as medidas econômicas que pretende aplicar – com a inspiração do economista Paulo Guedes -, ele parece pilotar uma aeronave: “O Brasil é um avião que vai bater na montanha em dez dias. Com as medidas, pode bater em oito, mas pode passar por cima da montanha. Vamos tirar o peso da aeronave e permitir que ela suba. Não é tirar direitos, como diz a esquerdalha”, provoca. Perguntado se tiraria algum peso das Forças Armadas, Bolsonaro foi objetivo: “Onde vai ter contingenciamento zero é na Defesa”.

Da defesa para o ataque

Também participante do fórum Unica, Ciro Gomes prometeu reindustrializar o país e alterar a pauta de exportação: “Reindustrializar o Brasil é uma das prioridades que eu defendo e isso não ocorrerá se ficarmos no mito de que o setor privado vai reverter tendências sem uma parceria estratégia com o Estado”, disse. O pré-candidato do PDT chamou de excrescência o tabelamento do preço dos fretes – determinado pelo Governo – como medida para acabar com a greve dos caminhoneiros.

Já Marina Silva parece trabalhar nos bastidores. A pré-candidata da Rede sonda políticos para compor a chapa para disputar as eleições de outubro. Num país em que vices tomaram o protagonismo e chegaram à presidência – Como Itamar Franco e Michel Temer -, Marina busca alguém para engordar sua candidatura. Um vice de peso, nas palavras do senador da Rede Randolfe Rodrigues, seria o ex-ministro da Cultura Roberto Freire. “Acho que o companheiro de chapa de Marina devia ser ou alguém que seja honesto, que seja sério, ou do perfil político do Roberto Freire. É um nome que encaixa perfeitamente. Talvez seja a pessoa do mundo político que reúna as melhores condições para ser vice de Marina”, disse Randolfe. Sem uma coligação com partidos aliados, o tempo de propaganda eleitoral na TV seria tão magro quanto a candidata: apenas dez segundos de exposição. Tudo indica, no entanto, que a Rede perde minutos importantes no jogo político: o PPS já vestiu a camisa dos tucanos e prometeu apoiá-los.

Na retaguarda ou no banco de reservas?

Por falar em candidatura pequena, o pré-candidato do Partido Novo à Presidência da República também participou do fórum Unica. Destacando que o Brasil é um país disfuncional – termo usado na Psicologia para as relações que não avançam -, João Amoêdo lembrou que “trabalhamos cinco meses para impostos. Temos um modelo de Estado intervencionista e ineficiente – que é o que leva à corrupção”. São bandeiras de Amoêdo “mais segurança pública, a valorização das polícias, o fim da impunidade, a criação de um ambiente seguro para os negócios e garantias de liberdades individuais”. Estreante em eleições como a Islândia em Copas, Amoêdo tem estratégia ousada: defende o fim das empresas estatais bem como a privatização da Petrobras.

Em encontro no Instituto de Engenharia em São Paulo, o pré-candidato do PSDB disse que o apoio do presidente Michel Temer e de seu partido, o MDB, à sua candidatura seria “extremamente honroso e importante” nestas eleições. Geraldo Alckmin talvez seja o único candidato e acreditar que o apoio do Planalto possa ajudar – em ver de atrapalhar. Nos bastidores, corre a informação de que empresários e banqueiros já teriam cobrado de Michel Temer um apoio mais incisivo ao tucano. Quem sabe Alckmin não deveria consultar o técnico Tite para saber se Temer funciona na retaguarda? Ou deveria permanecer no banco…Claudio Carneiro

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