EUA SOCIEDADE
Militares trans nos tempos de Trump: a luta recomeça
EFE/Giorgio Viera
Primeiro foram os negros, depois as mulheres, em seguida os homossexuais e, por último, os transexuais. Há dois anos, os trans ganharam o direito de servir nas forças armadas dos Estados Unidos, mas agora essa conquista está ameaçada.
Por conta da tendência do atual governo de apagar qualquer vestígio da Administração anterior são muitas as vozes que clamam para que a presença de pessoas transgênero no Exército, na Marinha ou na Aeronáutica não se torne assunto político, já que esta é uma simples questão de Justiça.
No entanto, advertiu o tenente Blake Dremann, "servir não é um direito, é uma questão de capacidade".
Ao longo de uma extensa entrevista gravada longe do Pentágono, o oficial de intendência analisou para Agência Efe a situação de um grupo que, após anos desfazendo barreiras, vê o comandante-chefe, Donald Trump, ameaçar colocar novamente esse muro intransponível.
Há 37 anos, Dremann nasceu menina na cidade de Saint Louis, no Missouri. Durante a vida, superou diversos obstáculos e precisou explicar muitas vezes o que é um homem trans, "o corpo de uma mulher na cabeça de um homem".
Depois de estudar anos no seminário tentou encontrar na vida militar uma forma de pagar a universidade, mas acabou descobrindo uma verdadeira vocação que fez com que ele se tornasse um pioneiro.
Nos primeiros anos na Marinha, alguns deles no Afeganistão, Dremann, que prefere evitar falar o nome que usou para se alistar ainda como mulher, chegou a ser uma das primeiras oficiais a estar a bordo de um submarino.
O trabalho prestado fez inclusive com que recebesse reconhecimentos do Departamento de Defesa. Mas algo estava faltando.
Em 2011, o governo do então presidente Barack Obama decidiu acabar com a política do "Don't ask, don't tell" (DADT) - ou Não pergunte, não conte - que impedia militares homossexuais de sair do armário. Dremann então deu um passo à frente.
Aos 31, ele começou a "transição social" para se transformar no homem que queria ser. Nem podia sonhar que anos mais tarde, em 2016, o Departamento de Defesa decidiria que os transgênero poderiam servir abertamente no exército.
"A minha transição, de mulher para homem, por ser branco e por ser um oficial, não teve nada de extraordinário", contou Dremann, lembrando que não sofreu qualquer discriminação dos colegas, mas ressaltando que sabe que em outros casos a transição é mais complicada pela cultura machista que impera na sociedade e nas forças armadas.
Tudo mudou no ano passado com a chegada de Trump à Casa Branca. Desde então, o presidente tentou acabar com a presença de transexuais nas organizações da Defesa, uma política que tentou implantar através de decreto, mas que em várias vezes foi bloqueada pelos tribunais.
Em fevereiro, o Pentágono recomendou à Casa Branca não expulsar trans da ativa, mas aconselhou fechar a possibilidade para quem quisesse se submeter a uma operação de mudança de sexo no futuro.
De acordo com o Departamento de Defesa, esse tipo de procedimento requer recursos financeiros que poderiam ter outras finalidades e, além disso, obriga a pessoa que passou pela cirurgia a ficar um período afastada das atividades.
Para Dremann, esta recomendação é uma seleção "arbitrária" dos argumentos que interessam ao governo e ignora os relatórios que afirmam que transexuais não são um fardo. Questionado sobre a possibilidade de entrar de licença caso tal recomendação vire lei, o oficial foi taxativo.
"Não é uma opção. Se isso se concretizar, a única coisa que vai acontecer é que terei que passar mais tempo percorrendo o Pentágono, reeducando os que já tinham sido conscientizados. A luta pelo fim da discriminação não é vencida com uma batalha só", defendeu.
Rafael Salido/EFE
EFE/Giorgio Viera
Primeiro foram os negros, depois as mulheres, em seguida os homossexuais e, por último, os transexuais. Há dois anos, os trans ganharam o direito de servir nas forças armadas dos Estados Unidos, mas agora essa conquista está ameaçada.
Por conta da tendência do atual governo de apagar qualquer vestígio da Administração anterior são muitas as vozes que clamam para que a presença de pessoas transgênero no Exército, na Marinha ou na Aeronáutica não se torne assunto político, já que esta é uma simples questão de Justiça.
No entanto, advertiu o tenente Blake Dremann, "servir não é um direito, é uma questão de capacidade".
Ao longo de uma extensa entrevista gravada longe do Pentágono, o oficial de intendência analisou para Agência Efe a situação de um grupo que, após anos desfazendo barreiras, vê o comandante-chefe, Donald Trump, ameaçar colocar novamente esse muro intransponível.
Há 37 anos, Dremann nasceu menina na cidade de Saint Louis, no Missouri. Durante a vida, superou diversos obstáculos e precisou explicar muitas vezes o que é um homem trans, "o corpo de uma mulher na cabeça de um homem".
Depois de estudar anos no seminário tentou encontrar na vida militar uma forma de pagar a universidade, mas acabou descobrindo uma verdadeira vocação que fez com que ele se tornasse um pioneiro.
Nos primeiros anos na Marinha, alguns deles no Afeganistão, Dremann, que prefere evitar falar o nome que usou para se alistar ainda como mulher, chegou a ser uma das primeiras oficiais a estar a bordo de um submarino.
O trabalho prestado fez inclusive com que recebesse reconhecimentos do Departamento de Defesa. Mas algo estava faltando.
Em 2011, o governo do então presidente Barack Obama decidiu acabar com a política do "Don't ask, don't tell" (DADT) - ou Não pergunte, não conte - que impedia militares homossexuais de sair do armário. Dremann então deu um passo à frente.
Aos 31, ele começou a "transição social" para se transformar no homem que queria ser. Nem podia sonhar que anos mais tarde, em 2016, o Departamento de Defesa decidiria que os transgênero poderiam servir abertamente no exército.
"A minha transição, de mulher para homem, por ser branco e por ser um oficial, não teve nada de extraordinário", contou Dremann, lembrando que não sofreu qualquer discriminação dos colegas, mas ressaltando que sabe que em outros casos a transição é mais complicada pela cultura machista que impera na sociedade e nas forças armadas.
Tudo mudou no ano passado com a chegada de Trump à Casa Branca. Desde então, o presidente tentou acabar com a presença de transexuais nas organizações da Defesa, uma política que tentou implantar através de decreto, mas que em várias vezes foi bloqueada pelos tribunais.
Em fevereiro, o Pentágono recomendou à Casa Branca não expulsar trans da ativa, mas aconselhou fechar a possibilidade para quem quisesse se submeter a uma operação de mudança de sexo no futuro.
De acordo com o Departamento de Defesa, esse tipo de procedimento requer recursos financeiros que poderiam ter outras finalidades e, além disso, obriga a pessoa que passou pela cirurgia a ficar um período afastada das atividades.
Para Dremann, esta recomendação é uma seleção "arbitrária" dos argumentos que interessam ao governo e ignora os relatórios que afirmam que transexuais não são um fardo. Questionado sobre a possibilidade de entrar de licença caso tal recomendação vire lei, o oficial foi taxativo.
"Não é uma opção. Se isso se concretizar, a única coisa que vai acontecer é que terei que passar mais tempo percorrendo o Pentágono, reeducando os que já tinham sido conscientizados. A luta pelo fim da discriminação não é vencida com uma batalha só", defendeu.
Rafael Salido/EFE

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