INOVAÇÃO - A revolução da tecnologia de comando de voz

A tecnologia de voz avança na interação entre humanos e computadores (Foto: Divulgação/Google)

Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia. A frase foi dita pelo escritor de ficção científica britânico Arthur C. Clarke na década de 1980.

Hoje, a rápida evolução da tecnologia ativada por comando de voz provou que Clarke estava certo: com apenas algumas palavras, um dispositivo próximo de você realiza seu desejo tal como mágica.

Exemplo disso é o Amazon Echo, um alto-falante inteligente lançado em 2014 pela Amazon. Atualmente, ele está presente nas mesas de 4% dos lares americanos, respondendo perguntas sobre previsão do tempo, trânsito, auxiliando na lista de supermercado e até mesmo contando piadas. Basta usar a palavra “Alexia” seguida da pergunta para ativar o dispositivo, que busca informações através da plataforma de serviço de computação de nuvem Amazon Web Services.

Essa tecnologia também está aumentando a presença nos smartphones, através de assistentes pessoais inteligentes capazes de fazer buscas online e responder perguntas. O Siri, disponível para iPhones da Apple, recebe cerca de 2 bilhões de comandos de voz por semana. Já o Android, sistema operacional da Google para smartphones, tem cerca de 20% de suas buscas feitas por comando de voz.

Trata-se de uma grande mudança de paradigma que segue uma tendência observada ao longo dos anos. Inicialmente, a tecnologia era ativada através de ícones e menus do Windows. Depois, foi a vez do touchscreen. Agora, a possibilidade de falar com computadores oferece a chance de se livrar da interface de usuário que media a relação entre humanos e máquinas.

É provável que o comando de voz não seja capaz de substituir totalmente outras formas antigas de tecnologia e, em algumas situações, ainda seja mais conveniente digitar em vez de falar. Mas essa inovação vai ganhar cada vez mais espaço nas interações entre humanos e computadores.

Há ainda alguns desafios a serem vencidos. Um deles é a questão da segurança e da privacidade. Os dispositivos de voz são mais eficientes quando são personalizados e garantem um amplo acesso a fontes de dados pessoais como emails, por exemplo. Isso representa um grande risco em relação à privacidade.

Outro problema é o fato de que os dispositivos estão sempre ouvindo, esperando pela palavra que os ativam (“Ok, Google”, para Androids, “Alexia”, para o Amazon Echo). Algumas pessoas já temem as implicações que esses microfones ligados à internet podem gerar em relação à segurança.

No entanto, tais questões não impedirão que os consumidores continuem aderindo a essa nova tecnologia. Até porque falar, às vezes, é mais conveniente que digitar. Através do comando de voz, é possível usar a tecnologia enquanto se desempenha outras tarefas como dirigir, trabalhar ou andar pela rua.The Economist

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