NEONAZISMO NO BRASIL - Grupos neonazistas desafiam o mito de democracia racial
Maioria dos movimentos começou em sites que propagam o discurso de ódio (Foto: Wikipedia)
Quando o delegado da Polícia Civil Paulo César Jardim ordenou uma série de buscas em casas de supostos neonazistas em dezembro do ano passado, em Porto Alegre (RS), não imaginava o que descobriria.
O latente movimento neonazista do Brasil, com seu submundo de violência, suásticas e propaganda de ódio, estava tendo seus membros recrutados por extremistas de direita na Ucrânia para lutar contra rebeldes pró-Rússia na guerra civil ucraniana, iniciada após a Rússia anexar a Crimeia em 2014.
Segundo Jardim, a chamada Divisão Misantrópica, um movimento de extrema direita ucraniano, alinhado ao grupo paramilitar de direita Azov Battalion, que foi incorporado à Guarda Nacional ucraniana, estava por trás do recrutamento. Após descobrir o plano, a polícia, agora, investiga se algum brasileiro chegou a se juntar ao conflito ucraniano.
A revelação de que movimentos ultranacionalistas brasileiros estão buscando experiência de combate no exterior é um fenômeno preocupante que chocou o país, que se considera um caldeirão de mistura racial.
A ascensão de grupos neonazistas desafia a mito popular de que o racismo não existe no Brasil, pelo menos não na proporção do observado em países como os EUA. Embora a extrema direita ainda seja marginal no Congresso, políticos ultranacionalistas e seus entusiastas vêm preenchendo o vácuo deixado após o impeachment de Dilma Rousseff.
Os movimentos neonazistas concentram-se, principalmente, no sul e sudeste do país, do Rio de Janeiro e São Paulo até o Rio Grande do Sul. Essas regiões foram as que, no passado, receberam o fluxo de imigrantes vindos da Alemanha, da Polônia e da Itália.
De acordo com analistas, a maioria dos movimentos começou em sites que propagam o discurso de ódio na internet. Segundo um artigo da antropologista Andriana Dias, da Unicamp, dos 200 milhões de habitantes do país, 150 mil são simpatizantes ou envolvidos em movimentos neonazistas. “A violência expressada por esses grupos, seja em ataques físicos contra negros, judeus ou homossexuais, ou a disseminação de sua literatura de ódio exigiu muito trabalho nos últimos anos”, escreveu Dias.
A tese de Dias se comprova na descoberta de redes de recrutamento, como a desbaratada por Jardim, em ataques de nazistas contra gays na Avenida Paulista e no crescente preconceito contra nordestinos. Segundo Jardim, a inflexibilidade de ideias é o principal problema para lidar com esses movimentos. “Esses não são criminosos comuns, eles têm uma ideologia. São pessoas que acreditam em limpeza étnica, em pureza racial”, diz o delegado.Financial Times
Quando o delegado da Polícia Civil Paulo César Jardim ordenou uma série de buscas em casas de supostos neonazistas em dezembro do ano passado, em Porto Alegre (RS), não imaginava o que descobriria.
O latente movimento neonazista do Brasil, com seu submundo de violência, suásticas e propaganda de ódio, estava tendo seus membros recrutados por extremistas de direita na Ucrânia para lutar contra rebeldes pró-Rússia na guerra civil ucraniana, iniciada após a Rússia anexar a Crimeia em 2014.
Segundo Jardim, a chamada Divisão Misantrópica, um movimento de extrema direita ucraniano, alinhado ao grupo paramilitar de direita Azov Battalion, que foi incorporado à Guarda Nacional ucraniana, estava por trás do recrutamento. Após descobrir o plano, a polícia, agora, investiga se algum brasileiro chegou a se juntar ao conflito ucraniano.
A revelação de que movimentos ultranacionalistas brasileiros estão buscando experiência de combate no exterior é um fenômeno preocupante que chocou o país, que se considera um caldeirão de mistura racial.
A ascensão de grupos neonazistas desafia a mito popular de que o racismo não existe no Brasil, pelo menos não na proporção do observado em países como os EUA. Embora a extrema direita ainda seja marginal no Congresso, políticos ultranacionalistas e seus entusiastas vêm preenchendo o vácuo deixado após o impeachment de Dilma Rousseff.
Os movimentos neonazistas concentram-se, principalmente, no sul e sudeste do país, do Rio de Janeiro e São Paulo até o Rio Grande do Sul. Essas regiões foram as que, no passado, receberam o fluxo de imigrantes vindos da Alemanha, da Polônia e da Itália.
De acordo com analistas, a maioria dos movimentos começou em sites que propagam o discurso de ódio na internet. Segundo um artigo da antropologista Andriana Dias, da Unicamp, dos 200 milhões de habitantes do país, 150 mil são simpatizantes ou envolvidos em movimentos neonazistas. “A violência expressada por esses grupos, seja em ataques físicos contra negros, judeus ou homossexuais, ou a disseminação de sua literatura de ódio exigiu muito trabalho nos últimos anos”, escreveu Dias.
A tese de Dias se comprova na descoberta de redes de recrutamento, como a desbaratada por Jardim, em ataques de nazistas contra gays na Avenida Paulista e no crescente preconceito contra nordestinos. Segundo Jardim, a inflexibilidade de ideias é o principal problema para lidar com esses movimentos. “Esses não são criminosos comuns, eles têm uma ideologia. São pessoas que acreditam em limpeza étnica, em pureza racial”, diz o delegado.Financial Times

Comentários
Postar um comentário